Menina de 4 anos apresenta há três dias conjuntivite unilateral à esquerda, com edema e hiperemia, mas indolor e sem secreção. Também apresenta linfadenopatia pré-auricular ipsilateral. Nega febre ou sintomas respiratórios. Não fez viagem recente, tem gato e cachorro em casa; nega casos semelhantes na família. Qual o diagnóstico mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Temos uma menina de 4 anos de idade, o que nos coloca na faixa etária pré-escolar, importante para pensar em algumas doenças infecciosas específicas dessa fase.
- Ela apresenta há três dias uma conjuntivite unilateral à esquerda, o que já nos direciona para um problema ocular localizado, e não uma doença sistêmica que afetaria os dois olhos.
- A descrição de edema e hiperemia, mas indolor e sem secreção, nos ajuda a caracterizar o tipo de conjuntivite, afastando processos mais agudos e purulentos, e sugerindo um processo inflamatório ou granulomatoso.
- Um achado muito relevante é a linfadenopatia pré-auricular ipsilateral, ou seja, no mesmo lado do olho afetado. Isso é um sinal clássico que, junto com a conjuntivite unilateral, forma uma síndrome específica.
- A ausência de febre ou sintomas respiratórios nos afasta de infecções virais sistêmicas comuns que poderiam causar conjuntivite, como gripes ou resfriados.
- Por fim, a presença de gato e cachorro em casa é um dado epidemiológico importantíssimo, pois alguns agentes infecciosos relacionados a animais podem causar o quadro que estamos vendo.
- Juntando a conjuntivite unilateral, que é indolor e sem secreção purulenta, com a linfadenopatia pré-auricular ipsilateral, e a exposição a animais, o quadro se encaixa perfeitamente na descrição de uma síndrome oculoglandular.
- Essa síndrome é caracterizada por uma conjuntivite granulomatosa unilateral associada a um aumento dos gânglios linfáticos regionais, geralmente pré-auriculares ou submandibulares, e é frequentemente causada por agentes infecciosos como a Bartonella henselae, transmitida por arranhadura de gato.
- A alternativa A, Glaucoma, está incorreta. O glaucoma geralmente causa dor, fotofobia ou alterações na pressão intraocular, e não está associado a linfadenopatia pré-auricular como achado típico.
- A alternativa B, Conjuntivite por adenovírus, embora possa causar adenopatia, o conjunto de sinais oculares e a exposição animal tornam a síndrome oculoglandular uma hipótese mais forte e específica para este caso.
- A alternativa C, Conjuntivite por Epstein-Barr, também está incorreta. O vírus Epstein-Barr costuma causar uma síndrome sistêmica com febre, faringite e linfadenopatia generalizada, e não um quadro ocular localizado como o descrito.
- A alternativa D, Ceratoconjuntivite por esporotricose, é uma possibilidade, pois a esporotricose também pode produzir uma síndrome oculoglandular. No entanto, a Síndrome de Parinaud é um termo mais abrangente e provável para o quadro inicial, e a esporotricose seria uma das causas a serem investigadas dentro dessa síndrome.
- A alternativa E, Síndrome oculoglandular de Parinaud, é o diagnóstico mais provável. A conjuntivite unilateral, indolor e sem secreção, associada à linfadenopatia pré-auricular ipsilateral, é a definição clássica dessa síndrome. A exposição a animais, como gatos, reforça a suspeita de agentes como a Bartonella henselae, que é uma causa comum da Síndrome de Parinaud.
- Então, lembre-se: em uma criança com conjuntivite unilateral e linfadenopatia regional, pense sempre na Síndrome oculoglandular de Parinaud, especialmente se houver contato com animais.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Cervical lymphadenopathyRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.