Adolescente, 15 anos, apresenta episódios intermitentes de icterícia discreta, notados principalmente após jejum prolongado. Exames mostram bilirrubina total entre 2,5 e 4,0 mg/dL, com fração indireta predominante, enzimas hepáticas normais e sem sinais de hemólise. Nega uso de medicações contínuas ou de doenças anteriores. Evolui assintomático fora dos episódios. Com base na hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um adolescente de 15 anos, e a idade é um dado importante para pensarmos em algumas condições específicas da pediatria.
- Ele apresenta episódios de icterícia que vêm e vão, o que já nos dá uma pista de que não é algo contínuo ou progressivo de forma constante.
- Um detalhe crucial é que essa icterícia é notada principalmente após jejum prolongado, o que sugere um gatilho para o aparecimento dos sintomas.
- Os exames mostram uma bilirrubina total entre 2,5 e 4,0 miligramas por decilitro, que é uma elevação leve a moderada.
- E o mais importante é que a fração indireta é a predominante, o que nos direciona para causas de hiperbilirrubinemia não conjugada.
- As enzimas hepáticas estão normais, o que afasta doenças hepáticas que cursam com lesão dos hepatócitos ou colestase.
- Além disso, não há sinais de hemólise, o que é fundamental para descartar anemias hemolíticas como causa da hiperbilirrubinemia indireta.
- O paciente nega uso de medicações contínuas ou doenças anteriores, o que nos ajuda a excluir outras causas secundárias.
- E fora dos episódios de icterícia, ele é completamente assintomático, reforçando o caráter benigno da condição.
- Juntando todos esses dados – um adolescente com icterícia intermitente, predominantemente indireta, desencadeada por jejum, sem sinais de hemólise ou doença hepática, e com curso benigno – a hipótese diagnóstica mais provável é a Síndrome de Gilbert.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B afirma que o tratamento é clínico e deve ser feito com ácido ursodesoxicólico.
- Essa alternativa está incorreta porque a Síndrome de Gilbert não requer tratamento. O ácido ursodesoxicólico é usado para colestase, que não é o caso aqui, já que as enzimas hepáticas e a fração direta da bilirrubina estão normais.
- A alternativa C diz que o prognóstico é ruim nos casos frequentes de icterícia recidivante.
- Essa afirmação também está incorreta. O prognóstico da Síndrome de Gilbert é excelente, mesmo com episódios repetidos de icterícia. A condição não leva a fibrose ou insuficiência hepática.
- A alternativa D sugere que o diagnóstico é confirmado através da histologia hepática.
- Esta alternativa está errada. A histologia hepática em pacientes com Síndrome de Gilbert é normal, e a biópsia não é indicada para o diagnóstico. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com a elevação isolada da bilirrubina indireta e exames como hemograma e transaminases normais.
- Finalmente, a alternativa A afirma que a etiologia genética envolve uma atividade enzimática deficiente.
- Essa é a alternativa correta. A Síndrome de Gilbert é de fato uma condição genética, causada por um polimorfismo que resulta na redução da atividade da enzima UGT1A1, responsável pela glicuronidação da bilirrubina, levando à sua predominância indireta.
- Para revisar rapidamente, em uma criança ou adolescente com icterícia indireta intermitente, desencadeada por jejum ou estresse, e com exames hepáticos normais e sem hemólise, pense sempre na Síndrome de Gilbert.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Gilbert syndromeStatPearls/NCBI, 2026 · conferida em 24/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.