Adolescente, feminina, 12 anos é levada à emergência por dores no peito e mal-estar. A mãe refere à falta de apetite, náuseas e dor no peito com irradiação para o ombro esquerdo há 24 horas. Anamnese: submetida à correção cirúrgica de comunicação interatrial (CIA) há 20 dias. Exame físico: regular estado geral, Tax: 37,2°C, FR: 50 irpm, FC:100 bpm, PA: 100 x 60 mmHg. ACV: presença de discreto som de atrito pericárdico. AR: sem alterações, fígado e baço não palpados. Exames laboratoriais: Hm: 4.800.00 mm3, Hb: 12,5 g/dL, Hto: 37.5%. Leucócitos 10.100/mm³, B: 3%, S: 32%, L: 48%, VHS: 10 mm. RX de tórax:

é: A hipótese diagnóstica é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Temos uma adolescente de 12 anos, o que nos ajuda a pensar nas doenças mais comuns para essa faixa etária.
- Ela chega com queixa de dores no peito e mal-estar, que são sintomas inespecíficos, mas que sempre nos alertam para algo mais sério.
- A dor no peito tem irradiação para o ombro esquerdo, uma característica que pode nos guiar para causas específicas de dor torácica.
- O tempo de evolução dos sintomas é de 24 horas, o que indica um quadro agudo.
- O dado mais importante da anamnese é que ela foi submetida a uma cirurgia cardíaca recente, há apenas 20 dias. Isso é um fator de risco enorme para algumas complicações.
- No exame físico, a frequência respiratória está elevada para a idade, indicando taquipneia, o que pode ser um reflexo da dor ou de algum comprometimento.
- E aqui está o achado chave: a presença de atrito pericárdico, mesmo que discreto. Isso é um sinal muito específico de inflamação do pericárdio.
- O fato de o exame pulmonar estar sem alterações nos ajuda a direcionar o raciocínio para fora do parênquima pulmonar primariamente.
- Os exames laboratoriais mostram leucócitos normais ou discretamente elevados e VHS normal, o que não aponta para uma infecção bacteriana aguda grave, por exemplo.
- Juntando a história de cirurgia cardíaca recente, a dor torácica com irradiação e, principalmente, o atrito pericárdico, a gente deve pensar em uma inflamação do pericárdio.
- A síndrome pós-pericardiotomia é uma complicação comum após cirurgias cardíacas, caracterizada por inflamação do pericárdio, pleura ou ambos, e pode se manifestar com dor torácica e atrito.
- A presença de atrito pericárdico é um sinal clínico direto de pericardite, que é a inflamação do pericárdio.
- A efusão pericárdica, ou derrame pericárdico, é uma consequência comum da pericardite, onde há acúmulo de líquido no espaço pericárdico, e é a hipótese mais coerente com o quadro.
- A alternativa B sugere embolia pulmonar, mas o atrito pericárdico não é a manifestação mais direta dessa condição, e os achados não são típicos de EP.
- A alternativa C, pneumonia atípica, é improvável, pois o exame respiratório da paciente estava sem alterações, o que não sustenta uma infecção pulmonar como principal hipótese.
- A alternativa D, mobilização da prótese, não é demonstrada no enunciado. Não há nenhum dado que sugira deslocamento de dispositivo.
- A alternativa A, efusão pericárdica, é a mais coerente. A pericardite pós-cirurgia cardíaca é comum, e o atrito pericárdico é um sinal direto de inflamação do pericárdio, que pode levar à efusão.
- Criança ou adolescente com dor torácica após cirurgia cardíaca e atrito pericárdico, pense sempre em pericardite e suas complicações, como a efusão pericárdica.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Guidelines for myocarditis and pericarditisESC, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.