Uma adolescente com 15 anos, do sexo feminino, é atendida no Setor de Emergência, relatando palpitações, sudorese e choro imotivado há 7 meses. com piora hoje. Refere também perda de 5 kg, além de crises de ansiedade e tremores de extremidades. Seu ciclo menstrual tornou-se irregular e passou a evacuar várias vezes ao dia nas últimas semanas. Informa que está passando por muita dificuldade no relacionamento com os familiares e com o namorado Ao exame: comunicativa, orientada, porém com agitação psicomotora, FC. 138bpm, ausculta cardíaca com 2 bulhas rítmicas normofonéticas sem sopros, PA: 148x62 mmHg A frequência respiratória de 16 ipm e não havia anormalidades à inspeção e na ausculta torácica O exame do abdome não evidenciou alterações. Foi realizado ECG, demonstrado abaixo:

Qual a conduta mais adequada nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Começando a análise do caso, temos uma adolescente com 15 anos. Essa idade é super importante, pois nos faz pensar em doenças que são mais comuns nessa faixa etária, incluindo algumas condições autoimunes.
- O sexo feminino da paciente também é um dado relevante. Sabemos que algumas doenças, como as da tireoide, têm uma maior prevalência em mulheres.
- A paciente relata palpitações, sudorese e choro imotivado. Esses são sintomas que chamamos de adrenérgicos, e também podem ser confundidos com ansiedade, mas nos acendem um alerta para causas orgânicas.
- Ela apresenta esses sintomas há 7 meses, o que indica uma evolução crônica. Isso é fundamental para descartar condições agudas e pensar em algo mais estabelecido.
- Apesar da cronicidade, há uma piora hoje. Essa descompensação pode significar que a doença de base está se agravando ou que algo novo está acontecendo.
- A perda de 5 quilos é um dado muito importante. Uma perda de peso significativa, sem dieta ou esforço, é um sinal clássico de hipermetabolismo, como o que ocorre no hipertireoidismo.
- As crises de ansiedade e tremores de extremidades reforçam a suspeita de um estado de hiperatividade. O tremor fino, em particular, é um sinal bem característico de hipertireoidismo.
- O ciclo menstrual tornou-se irregular, o que nos faz pensar em uma disfunção hormonal. A tireoide tem um papel crucial na regulação do ciclo menstrual.
- Ela também passou a evacuar várias vezes ao dia. O aumento do trânsito intestinal, com diarreia, é outro sintoma comum de um estado de hipermetabolismo.
- Ao exame, a paciente está comunicativa e orientada, mas com agitação psicomotora. Essa agitação é um sinal objetivo que corrobora os sintomas de ansiedade e hiperatividade.
- A frequência cardíaca de 138 batimentos por minuto é uma taquicardia significativa para uma adolescente. Isso é um achado muito importante que reflete o estado de hipermetabolismo.
- A pressão arterial de 148 por 62 milímetros de mercúrio mostra uma pressão sistólica elevada e uma diastólica normal ou baixa, resultando em um pulso alargado. Isso é bem característico da tireotoxicose.
- Juntando todos esses achados clínicos e de exame físico – a taquicardia, perda de peso, tremores, irregularidade menstrual, diarreia, agitação e a pressão arterial com pulso alargado – o quadro é muito sugestivo de hipertireoidismo ou tireotoxicose.
- É crucial, antes de atribuir os sintomas a causas puramente psicossociais, investigar e descartar uma causa orgânica, especialmente com um quadro clínico tão florido e com sinais objetivos de disfunção metabólica.
- A alternativa B sugere prescrever inibidor seletivo de recaptação de serotonina. Essa conduta está incorreta porque não devemos tratar a ansiedade com medicação psiquiátrica antes de investigar e descartar uma causa orgânica para os sintomas, como a disfunção da tireoide que estamos suspeitando.
- A alternativa C propõe prescrever antiarrítmico, anticoagulante e monitorização cardíaca. Essa opção está incorreta porque a taquicardia descrita é sinusal, e não há indicação imediata para antiarrítmicos ou anticoagulantes sem uma investigação mais aprofundada da causa e do tipo de arritmia, que provavelmente é secundária à tireotoxicose.
- A alternativa D sugere solicitar triagem toxicológica e avaliação psiquiátrica. Essa conduta está incorreta. Embora a avaliação psiquiátrica possa ser necessária no futuro, a triagem toxicológica não é a primeira linha de investigação para esse quadro clínico tão sugestivo de disfunção tireoidiana.
- A alternativa A, que é a correta, indica avaliar a função tireoidiana, hemograma e função hepática. Essa é a conduta mais adequada porque os sintomas adrenérgicos, a taquicardia e o quadro de hipermetabolismo justificam plenamente a investigação da tireoide. Além disso, exames basais como hemograma e função hepática são importantes para o manejo geral e para descartar outras condições.
- Então, lembre-se: em uma adolescente com taquicardia, perda de peso e tremores, pense sempre em hipertireoidismo e investigue a função da tireoide.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hyperthyroidism — diagnóstico e tratamentoNIDDK/NIH, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.