Lactente, 5 meses de vida, foi admitida na UTI Pediátrica por quadro de bronquiolite com necessidade de intubação orotraqueal. Evoluiu com estenose subglótica pós-extubação, sendo necessário ser submetida a procedimento de laringossuspensão e dilatação. Fez uso de dexametasona 1mg de 12/12h por 45 dias, sendo suspensa no dia da alta hospitalar. Paciente retorna ao pronto-socorro, 5 dias após a alta, com quadro de sonolência e vômitos. Nega febre ou outros sintomas associados. Solicitado os exames laboratoriais abaixo:

Pensando na principal hipótese diagnóstica, qual a conduta imediata?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Então, vamos analisar essa questão de pediatria. Primeiro, a gente sempre começa destacando os dados importantes do caso clínico.
- Temos um lactente de cinco meses de vida, e a idade é super importante em pediatria, pois muitas doenças são faixa etária-dependentes.
- Ele foi internado por bronquiolite grave, que precisou de intubação orotraqueal. Isso já nos mostra um quadro respiratório sério.
- Depois, evoluiu com estenose subglótica pós-extubação, uma complicação que pode acontecer após intubações prolongadas ou traumáticas.
- Para corrigir a estenose, ele precisou de um procedimento cirúrgico de laringossuspensão e dilatação.
- E aqui vem um dado crucial: ele usou dexametasona, um corticoide potente, na dose de um miligrama de doze em doze horas, por quarenta e cinco dias. Isso é um tempo bem prolongado para um corticoide sistêmico.
- A dexametasona foi suspensa abruptamente no dia da alta. Essa informação é um alerta vermelho para a gente.
- Cinco dias após a alta, ele retorna ao pronto-socorro, um período muito curto após a suspensão do corticoide.
- Os sintomas atuais são sonolência e vômitos. São sintomas inespecíficos, mas que indicam uma piora clínica.
- A ausência de febre ou outros sintomas associados nos ajuda a direcionar o raciocínio, afastando algumas causas infecciosas comuns.
- Foram solicitados exames laboratoriais, mas a questão nos pede a conduta imediata pensando na principal hipótese diagnóstica.
- Agora, vamos conectar esses pontos. O uso prolongado de corticoides, como a dexametasona por quarenta e cinco dias, pode suprimir o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
- Quando esse corticoide é suspenso de forma abrupta, como aconteceu aqui, a glândula adrenal não consegue retomar a produção de cortisol rapidamente.
- Essa incapacidade de produzir cortisol leva à insuficiência adrenal, que pode se manifestar como uma crise adrenal, especialmente em situações de estresse, como uma infecção ou até mesmo o estresse da alta hospitalar.
- Os sintomas de sonolência e vômitos, que o lactente apresenta cinco dias após a suspensão, são compatíveis com uma crise adrenal.
- Portanto, a principal hipótese diagnóstica é uma crise adrenal aguda devido à supressão do eixo adrenal pela dexametasona e sua suspensão abrupta.
- A conduta imediata para uma crise adrenal é a reposição do corticoide, que é o tratamento da causa.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere salina hipertônica a três por cento.
- Essa solução seria usada para hiponatremia sintomática grave, que pode ocorrer na crise adrenal, mas não corrige a deficiência hormonal que é a causa do problema. Então, não é a conduta imediata principal.
- A alternativa C propõe restrição hídrica.
- A restrição hídrica pode piorar a hipovolemia que frequentemente acompanha a crise adrenal e, novamente, não trata a causa hormonal. Portanto, está incorreta.
- A alternativa D sugere antibiótico de amplo espectro.
- O uso de antibióticos dependeria de uma forte suspeita infecciosa, que não é a principal explicação para o quadro apresentado, especialmente sem febre. Então, não é a conduta mais imediata para a principal hipótese.
- Finalmente, a alternativa B indica corticoesteroide.
- Após a retirada de um corticoide de uso prolongado, a insuficiência adrenal exige reposição hormonal e suporte imediato. Administrar um corticoide é a conduta mais direta e eficaz para reverter uma crise adrenal.
- Então, em uma criança que usou corticoide por tempo prolongado e apresenta sintomas inespecíficos após a suspensão abrupta, pense sempre em crise adrenal e na necessidade de reposição de corticoide.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Adrenal crisis and acute adrenal insufficiencyRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.