Menina de 4 anos, previamente hígida, apresenta febre alta há 3 dias, dor intensa para se alimentar e hipersalivação. Ao exame, nota-se gengiva hiperemiada e edemaciada, múltiplas vesículas e úlceras dolorosas disseminadas pela mucosa oral, língua e palato. Há halitose e linfadenopatia cervical dolorosa. Qual o diagnóstico mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma menina de quatro anos, que é uma idade importante para a epidemiologia de algumas doenças virais.
- Ela apresenta febre alta há três dias, o que já nos direciona para um processo infeccioso agudo.
- Um dado muito relevante é a dor intensa para se alimentar e a hipersalivação, que são sinais de dor oral significativa e risco de desidratação.
- Ao exame, notamos gengiva hiperemiada e edemaciada, que é o que chamamos de gengivite.
- E, junto com isso, múltiplas vesículas e úlceras dolorosas, disseminadas por toda a mucosa oral, língua e palato, o que é um achado bem característico.
- Por fim, a presença de halitose e linfadenopatia cervical dolorosa complementa o quadro de inflamação e infecção oral.
- Juntando todos esses achados, a febre, a dor intensa na boca com hipersalivação e, principalmente, a gengivite associada a múltiplas vesículas e úlceras difusas, nos leva a pensar em um diagnóstico específico.
- Essa combinação de sintomas e sinais é muito sugestiva de uma infecção viral primária na cavidade oral, que causa uma inflamação generalizada.
- Além disso, a dor intensa e a hipersalivação são alertas importantes para o risco de desidratação, o que já nos faz pensar na necessidade de suporte adequado.
- Analisando as alternativas, a alternativa A sugere herpangina por enterovírus, com conduta de suporte apenas.
- Essa está incorreta porque a herpangina geralmente tem lesões mais concentradas na parte posterior da orofaringe, sem a gengivite difusa marcante que vimos no caso.
- A alternativa B fala em candidíase oral, com tratamento com nistatina.
- Essa também está incorreta, pois a candidíase oral se manifesta com placas esbranquiçadas, e não com as vesículas e úlceras dolorosas disseminadas que a paciente apresenta.
- A alternativa C menciona estomatite aftosa recorrente, com corticoide tópico oral.
- Essa alternativa é incorreta porque as aftas recorrentes não costumam causar uma gengivite generalizada e febre, como descrito no quadro da paciente.
- Por fim, a alternativa D propõe gengivoestomatite herpética primária, com analgesia, hidratação e considerar o uso de aciclovir.
- Essa é a alternativa correta. A presença de gengivite, múltiplas vesículas e úlceras difusas, febre e dor intensa são achados clássicos da gengivoestomatite herpética primária, causada pelo vírus do herpes simples.
- A conduta de garantir analgesia e hidratação é fundamental, dada a dor e o risco de desidratação, e o aciclovir pode ser considerado, especialmente se iniciado precocemente, dependendo da gravidade e do tempo de evolução.
- Então, lembre-se: em uma criança de quatro anos, com gengivite, vesículas e úlceras orais difusas e febre, pense sempre em gengivoestomatite herpética primária.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- HSV gingivostomatitisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.