Um lactente de 10 meses é levado ao pronto-socorro com história de febre alta de início súbito, irritabilidade intensa e recusa alimentar há 12 horas. A mãe relata que ele apresentou vômitos e episódio de convulsão tônico-clônica há 3 horas. Ao exame físico, a criança apresenta: *Letargia, fontanela tensa, pescoço rígido *Manchas purpúricas disseminadas pelo tronco e membros *Pulso rápido, pressão arterial normal Diante desse quadro, qual é a conduta mais urgente?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Então, vamos começar analisando o caso clínico. O primeiro dado importante é que se trata de um lactente de dez meses, o que já nos alerta para a gravidade de certas infecções nessa faixa etária.
- Ele foi levado ao pronto-socorro com febre alta de início súbito, um sinal clássico de infecção aguda e que exige atenção rápida.
- A mãe relata irritabilidade intensa e recusa alimentar há doze horas, o que indica um quadro de mal-estar significativo e progressivo.
- Além disso, ele apresentou vômitos e um episódio de convulsão tônico-clônica há três horas, o que é um sinal de alerta máximo para envolvimento neurológico grave.
- Ao exame físico, encontramos letargia, fontanela tensa e pescoço rígido. Esses são achados clássicos de irritação meníngea e hipertensão intracraniana, que nos direcionam para um diagnóstico sério.
- As manchas purpúricas disseminadas pelo tronco e membros são um achado crucial, pois são altamente sugestivas de meningococcemia, uma infecção bacteriana gravíssima e de rápida progressão.
- O pulso rápido, mesmo com pressão arterial normal, indica que a criança está respondendo a um estresse sistêmico importante, mas ainda não entrou em choque hipotensivo franco.
- Com todos esses dados, temos um quadro clínico muito sugestivo de meningite bacteriana, provavelmente meningocócica, com sinais de gravidade como convulsão, letargia, fontanela tensa e as manchas purpúricas.
- Diante da suspeita de meningococcemia, que é uma emergência médica, a conduta mais urgente é iniciar o tratamento o mais rápido possível para evitar desfechos graves.
- Vamos analisar a alternativa A: Solicitar hemograma, PCR e iniciar antibiótico intravenoso. Embora iniciar o antibiótico seja correto, a prioridade máxima é a estabilização e o antibiótico imediato. A coleta de exames não deve atrasar essas ações, e a forma como a frase está escrita pode dar a entender uma sequência onde a solicitação vem antes ou em paralelo, mas não com a urgência necessária.
- A alternativa C propõe indicar punção lombar imediatamente antes de qualquer intervenção. No entanto, a criança apresenta sinais de hipertensão intracraniana, como a fontanela tensa e a convulsão, que são contraindicações para a punção lombar imediata. Além disso, a estabilização e o antibiótico são mais urgentes.
- A alternativa D sugere aguardar o resultado da cultura sanguínea para iniciar o antibiótico. Em um quadro de meningococcemia, esperar pelo resultado da cultura pode ser fatal, pois a doença progride muito rapidamente. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente.
- Finalmente, a alternativa B: Iniciar antibioticoterapia intravenosa empiricamente, solicitar exames (laboratoriais e de imagem) e estabilizar a criança. Esta é a conduta mais adequada, pois prioriza o início imediato do antibiótico e a estabilização do paciente, enquanto os exames são solicitados e realizados sem atrasar o tratamento vital.
- Então, lembre-se: em uma criança com febre, letargia e manchas purpúricas, pense sempre em meningococcemia e inicie o antibiótico imediatamente após a estabilização.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Meningitis and encephalitisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.