Uma criança de 8 anos é levada ao consultório pediátrico com queixas de hematuria e proteinúria leves. Os pais relatam que a criança teve uma infecção respiratória relacionada à faringite há cerca de duas semanas. No exame físico, a criança apresenta-se em bom estado geral, sem edema ou hipertensão arterial. Exames laboratoriais revelam a presença de hemácias dismórficas e cilindros eritrócitos nas amostras de urina. Qual é a doença renal mais provável?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Primeiro, a idade da criança é de oito anos, o que é importante para o contexto pediátrico geral.
- Ela apresenta queixas de hematúria e proteinúria leves, que são os sintomas principais e nos direcionam para uma doença renal.
- Um dado crucial é que houve uma infecção respiratória, uma faringite, há cerca de duas semanas. Esse tempo de evolução é muito relevante para o diagnóstico diferencial.
- No exame físico, a criança está em bom estado geral e, o que é muito importante, sem edema ou hipertensão arterial. A ausência desses sinais clássicos nos ajuda a afastar algumas hipóteses.
- Os exames laboratoriais confirmam a origem glomerular da hematúria, mostrando hemácias dismórficas e cilindros eritrocitários na urina.
- Agora, vamos conectar esses achados. Temos uma criança com hematúria e proteinúria leves, que surgiram após uma infecção respiratória, com um intervalo de aproximadamente duas semanas.
- A ausência de edema e hipertensão arterial é um ponto forte. Se fosse uma glomerulonefrite pós-estreptocócica clássica, esperaríamos ver esses sinais, especialmente com esse tempo de evolução.
- O intervalo de duas semanas entre a infecção e o início da hematúria, junto com a ausência de sinais mais graves, nos leva a pensar em uma condição onde a hematúria é mais sincrônica ou com um período de latência mais curto em relação à infecção.
- Vamos analisar a alternativa A, que sugere nefrite lúpica. Essa condição geralmente exige outros sinais sistêmicos ou imunológicos, como artrite ou lesões de pele, que não foram mencionados no caso.
- A alternativa B fala em síndrome nefrótica. Embora haja proteinúria, ela é descrita como leve, e não há menção de hipoalbuminemia ou edema maciço, que são características da síndrome nefrótica.
- A alternativa D, glomerulonefrite pós-estreptocócica, é uma boa hipótese, mas o intervalo de duas semanas é um pouco curto para o quadro completo e a ausência de edema e hipertensão arterial é atípica para a apresentação clássica dessa doença.
- Por fim, a alternativa C, Doença de Berger, ou nefropatia por IgA, se encaixa perfeitamente. A hematúria macroscópica que ocorre de perto, ou até durante, uma infecção de vias aéreas superiores é uma apresentação clássica da nefropatia por IgA, conhecida como hematúria sinfaringítica.
- Então, em uma criança com hematúria e proteinúria leves que surgem logo após uma infecção respiratória, sem edema ou hipertensão, pense sempre em nefropatia por IgA.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Post-streptococcal glomerulonephritisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.