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Cálculo de doses de medicamentos em pediatria: fórmulas e conferência

Guia prático de cálculo de doses de medicamentos em pediatria: mg/kg/dia e mg/kg/dose, conversão de mg em mL e em gotas, regra de três e teto diário, com exemplos da SBP. Mostra também os erros de vírgula, unidade e apresentação que o Ministério da Saúde manda conferir com dupla checagem.

Pediatrando Publicado em 12 min de leitura

Preparado com apoio de IA e conferido nas fontes; revisão médica pendente. Como fazemos

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SBPMinistério da SaúdeTexto & Contexto EnfermagemAnvisa
Enfermeira medindo dose de remédio líquido com seringa oral enquanto colega confere o cálculo, com criança e mãe ao fundo.
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Neste artigo
  1. O que é o cálculo de doses de medicamentos em pediatria?
  2. Por que o cálculo de doses é fonte de erros graves?
  3. Como calcular mg/kg por dia?
  4. Onde encontrar calculadoras de medicamentos pediátricos?
  5. Como fazer a regra de três para medicações?
  6. Como calcular 7,5 mg por kg?
  7. Como orientar a família sobre a dose em casa?
  8. Perguntas frequentes sobre cálculo de doses de medicamentos
  9. Referências

Resposta rápida

Cálculo de doses de medicamentos em pediatria é converter a dose prescrita (mg/kg) em quantidade e volume, conferindo concentração, frequência e dose máxima. Exemplo: paracetamol de 10 a 15 mg/kg/dose, no máximo 75 mg/kg/dia (SBP 2021). Na suspeita de superdosagem: Disque-Intoxicação 0800 722 6001 ou SAMU 192.

Médico(a) explicando um gráfico de dosagem para uma enfermeira em um consultório médico.

1O que é o cálculo de doses de medicamentos em pediatria?

É a etapa que transforma uma dose já definida (em geral em mg/kg/dose ou mg/kg/dia) na quantidade de princípio ativo e no volume a administrar. Para isso, usa o peso, a concentração da apresentação e a frequência prescrita. A conta não escolhe o medicamento nem a dose: só converte uma indicação clínica já estabelecida.

Em crianças, o mesmo fármaco existe em solução, suspensão, gotas, comprimido ou ampola, com concentrações diferentes. O paracetamol líquido, por exemplo, é vendido como suspensão oral de 100 mg/mL para bebês e de 32 mg/mL para crianças[4]. Ler só o nome do medicamento, portanto, não basta: é preciso identificar a unidade, a concentração e a via.

O peso entra no cálculo quando a dose é expressa por quilo. Em outras situações também contam a idade, a superfície corporal, a função renal ou hepática, a indicação e a gravidade. O Ministério da Saúde recomenda que, nos medicamentos cujas doses dependem de peso, superfície corporal ou clearance de creatinina, o prescritor registre esses dados na própria prescrição, para facilitar a análise farmacêutica e o trabalho da enfermagem[2].

Gráfico de barras mostrando a variação de dosagem de medicamentos para diferentes faixas etárias pediátricas.

2Por que o cálculo de doses é fonte de erros graves?

Porque um deslize de unidade, de vírgula ou de concentração multiplica a dose. O protocolo do Ministério da Saúde afirma que o cálculo das doses é fonte importante de erros graves e que o risco diminui quando o prescritor conhece bem o medicamento e confere o cálculo[2].

Os erros mais previsíveis, segundo o mesmo protocolo[2]:

  • Vírgula mal posicionada: “2,5 mL” lido como “25 mL”; não use ponto no lugar da vírgula[2].
  • Zero antes da vírgula: “0,5 g” pode ser lido como “5 g”, um erro de 10 vezes; prefira “500 mg”[2].
  • Abreviaturas “U” e “UI”: podem levar a doses 10 ou 100 vezes maiores; escreva “unidades” por extenso[2].
  • Microgramas: devem ser escritos por extenso, sem abreviatura[2].

Na prática ambulatorial o problema também aparece. A SBP lembra que os antitérmicos são causa comum de intoxicação na infância, em geral por erro de dose ou de intervalo[1]. Num estudo brasileiro com 575 cuidadores, citado pela SBP, 43,3% das crianças tinham recebido subdose de antitérmico e 8,0%, dose acima da recomendada[1].

No hospital, a conferência também falha. Em 334 observações do preparo e da administração de medicamentos endovenosos numa enfermaria pediátrica e numa UTI pediátrica de Belo Horizonte, nenhum procedimento cumpriu todas as barreiras de segurança. A conferência de medicamento, dose e via com a prescrição e a dupla checagem estiveram entre as barreiras menos cumpridas[3].

Balança de precisão pesando um pequeno recipiente com pó branco, simulando a preparação de uma dose pediátrica.

3Como calcular mg/kg por dia?

Multiplique a dose prescrita em mg/kg/dia pelo peso em kg para obter a dose diária total. Divida esse total pelo número de tomadas prescrito para chegar à dose de cada administração. Depois, converta essa quantidade em volume pela concentração da apresentação que será usada.

Qual a fórmula para o cálculo?

  • Dose diária (mg) = dose prescrita (mg/kg/dia) × peso (kg).
  • Dose por tomada (mg) = dose diária (mg) ÷ número de tomadas por dia.
  • Volume por tomada (mL) = dose por tomada (mg) ÷ concentração (mg/mL).

Juntando tudo: volume por tomada (mL) = [dose (mg/kg/dia) × peso (kg)] ÷ número de tomadas ÷ concentração (mg/mL). Mililitro e centímetro cúbico têm o mesmo volume, mas a unidade escrita deve seguir o rótulo e o dosador.

Quando a dose é prescrita por tomada (mg/kg/dose), pule a divisão pela frequência e confira se a soma das tomadas do dia respeita o teto diário. Exemplo com os valores da SBP para o paracetamol, de 10 a 15 mg/kg/dose e máximo de 75 mg/kg/dia: numa criança de 10 kg, a soma das tomadas não pode passar de 750 mg por dia[1].

Se a prescrição não informa a concentração, a frequência ou a unidade, a conta está incompleta. Pare e confirme com quem prescreveu.

Quais fatores influenciam o cálculo?

Peso atual, idade, indicação, via, função renal e hepática, prematuridade, gravidade do quadro e teto de dose. Conta também a apresentação que está, de fato, nas mãos de quem vai administrar.

Trocar a apresentação sem recalcular é um erro clássico. Usando os números acima: 10 mg/kg para uma criança de 10 kg são 100 mg, ou seja, 1 mL da suspensão de 100 mg/mL ou cerca de 3,1 mL da de 32 mg/mL[1][4]. Se esses 3,1 mL forem medidos do frasco de 100 mg/mL, a criança recebe cerca de 310 mg, mais que o dobro do limite de 15 mg/kg/dose[1][4].

A frequência merece revisão separada: dose diária não é dose por tomada, e o intervalo prescrito não deve ser trocado por conveniência. A SBP também não recomenda alternar ou associar antitérmicos, porque isso confunde os cuidadores e aumenta o risco de superdosagem[1].

  1. Confirme a indicação, o peso registrado e a unidade da dose prescrita.
  2. Leia a concentração e o volume da apresentação que realmente será usada.
  3. Calcule a quantidade de princípio ativo (diária ou por tomada, conforme a prescrição).
  4. Converta em volume pela concentração da apresentação.
  5. Distribua conforme a frequência prescrita, sem criar outro esquema.
  6. Confira teto de dose, via, dosador e identificação da criança antes de administrar.
Tela de computador exibindo um site de calculadora de dosagem de medicamentos pediátricos.

4Onde encontrar calculadoras de medicamentos pediátricos?

Em sistemas de prescrição eletrônica, aplicativos profissionais e sites especializados. Qualquer uma delas só é segura se você conferir a fonte das doses, a data de atualização, as unidades, a concentração cadastrada e os limites que valem para o caso.

A calculadora faz a operação matemática, mas pode não levar em conta a indicação, a função renal, o teto de dose ou uma apresentação específica. Use-a como apoio à conferência, nunca no lugar da avaliação clínica, da prescrição ou da bula.

Ao usar uma calculadora, confira se o peso está em kg, se a dose está na unidade certa e se a concentração corresponde ao frasco disponível. Diante de um resultado inesperado, não “corrija” arredondando: pare e confirme. O Ministério da Saúde recomenda pedir a revisão de um colega sempre que calcular doses de medicamentos potencialmente perigosos ou de alta vigilância. Em caso de dúvida sobre posologia, preparo ou administração, consulte o farmacêutico e fontes atualizadas[2].

Mãos de um profissional de saúde montando uma regra de três em um quadro branco para cálculo de medicação.

5Como fazer a regra de três para medicações?

Monte a proporção entre a quantidade de princípio ativo contida num volume conhecido (a concentração do rótulo) e a dose desejada, deixando o volume como incógnita. A regra de três responde apenas “qual volume contém a dose prescrita?”; ela não diz se a dose está certa.

O que é a regra de três?

É uma técnica de proporção entre duas grandezas. No cálculo de medicamentos, ela relaciona dose (mg) e volume (mL). As unidades precisam estar alinhadas: se a concentração está em mg por mL, a dose desejada também tem de estar em mg. Misturar mg com g ou microgramas sem converter invalida o resultado.

Como aplicar a regra de três no cálculo?

Exemplo com paracetamol a 15 mg/kg/dose numa criança de 10 kg (dose de 150 mg) e a suspensão de 100 mg/mL[1][4]:

  • 100 mg — 1 mL[4]
  • 150 mg — x mL[1]
  • x = (150 × 1) ÷ 100 = 1,5 mL[1][4]

A forma geral é: volume (mL) = dose desejada (mg) ÷ dose disponível (mg) × volume disponível (mL). Se o valor prescrito for diário, ainda é preciso dividir pela frequência prescrita.

Depois da conta, verifique se o resultado faz sentido: a unidade final é mL? O volume cabe no dosador? A concentração foi copiada certo? O total do dia respeita o teto? O Ministério da Saúde recomenda instrumentos de medida padronizados, como seringas milimetradas, para medir as doses com exatidão[2].

  1. Copie a dose disponível e o volume correspondente exatamente como estão no rótulo.
  2. Registre a dose desejada na mesma unidade de massa.
  3. Monte a proporção mantendo as grandezas alinhadas.
  4. Resolva para encontrar o volume.
  5. Confira unidade, concentração, frequência, teto e dosador antes de administrar.

E quando a apresentação é em gotas?

Converta mg em gotas pela quantidade de princípio ativo por gota, nunca por regras do tipo “uma gota por quilo”. A SBP preconiza dipirona de 10 a 12 mg/kg/dose e lembra que, no produto de referência, 1 gota contém 25 mg. Por isso, o hábito de dar 1 gota/kg leva à superdosagem, com risco de hipotensão, hipotermia e sudorese excessiva[1].

Numa criança de 10 kg, 10 mg/kg correspondem a 100 mg, isto é, 4 gotas do produto de referência; com 1 gota/kg ela receberia 10 gotas, ou 250 mg (25 mg/kg)[1]. A SBP alerta ainda que os gotejadores das diversas apresentações liberam volumes diferentes, em geral menores[1]. Por isso, leia sempre a bula do produto em uso.

Copo medidor com líquido azul e uma seringa ao lado, indicando a dosagem exata de um medicamento infantil.

6Como calcular 7,5 mg por kg?

Multiplique 7,5 pelo peso em kg: o resultado é a dose em mg daquela tomada (ou do dia, se a prescrição for em mg/kg/dia)[1]. Depois, divida pela concentração do frasco para obter o volume.

Exemplo: 7,5 mg/kg está dentro da faixa antitérmica do ibuprofeno indicada pela SBP, de 5 a 10 mg/kg/dose; a ação anti-inflamatória exige de 15 a 20 mg/kg[1]. Numa criança de 12 kg, 7,5 × 12 = 90 mg por tomada[1]. O volume depende da concentração impressa no rótulo do frasco em uso, que deve ser lida a cada troca de apresentação[4].

Qual a importância da precisão no cálculo?

Um número matematicamente correto pode virar uma administração errada se o peso estiver desatualizado, se a dose for diária e não por tomada ou se a apresentação for outra. A precisão começa antes da multiplicação e só termina na medida do volume.

Arredondar sem critério é perigoso quando o volume é pequeno. O arredondamento deve seguir a graduação do dosador, a norma da instituição e a prescrição. Na escrita, separe sempre a dose (mg) do volume (mL).

Como checar antes de administrar?

Com dupla checagem e com os “certos” da administração. O Ministério da Saúde recomenda dupla checagem na farmácia e no recebimento pela enfermagem, mais uma checagem antes da administração. Ela é particularmente importante em Pediatria, Oncologia e terapia intensiva[2]. O protocolo cita nove certos: paciente, medicamento, via, hora, dose, registro, ação, forma e resposta[2].

  1. Confirme se a dose está de acordo com a prescrição e com a faixa de referência.
  2. Verifique o peso registrado e a unidade antes de qualquer operação.
  3. Multiplique o peso pela dose prescrita para obter a quantidade de princípio ativo.
  4. Converta para o volume da apresentação prescrita.
  5. Revise frequência, teto diário e dosador.
  6. Interrompa e peça ajuda se suspeitar de erro.

7Como orientar a família sobre a dose em casa?

Informe a dose em mL (ou em gotas, quando for o caso) para a apresentação exata que a família vai comprar e mostre como medir com o dosador do próprio produto. A Anvisa orienta seguir o prescritor, conferir na bula o volume indicado para o peso e usar a seringa dosadora ou o copo medidor que acompanha o medicamento[4].

  • Receita e embalagem juntas: a SBP encontrou, nas agendas de creches, doses e intervalos errados, concentração diferente da prescrita e até via incorreta. Ela recomenda enviar sempre a receita e o remédio na embalagem original, com o nome da criança[5].
  • Troca de frasco: explique que outra apresentação do mesmo medicamento exige uma nova conta do volume[4].
  • Sobras e automedicação: nada de repetir receita antiga ou dar doses por conta própria; o peso e o quadro da criança mudam.
  • Suspeita de superdosagem: ligar para o Disque-Intoxicação (0800 722 6001). Se houver sonolência incomum, convulsão, dificuldade para respirar ou piora rápida, chamar o SAMU (192) e levar a embalagem.

Erros de administração devem ser notificados à Anvisa pelo VigiMed, diretamente ou pelo serviço de farmacovigilância da instituição[4].

8Perguntas frequentes sobre cálculo de doses de medicamentos

Como transformar mg em mL?

Divida a dose em mg pela concentração da apresentação em mg/mL. Com paracetamol a 100 mg/mL, por exemplo, 150 mg correspondem a 1,5 mL[1][4]. Se o frasco for outro, a conta muda.

Quantas gotas de dipirona por kg posso prescrever?

A SBP preconiza 10 a 12 mg/kg/dose e lembra que, no produto de referência, 1 gota tem 25 mg[1]. Por isso, a regra de 1 gota/kg leva à superdosagem: calcule em mg e converta pelas gotas do produto em uso[1].

Qual a dose máxima de paracetamol para criança?

Segundo a SBP, a dose terapêutica vai de 10 a 15 mg/kg/dose, com máximo de 75 mg/kg por dia; a dose tóxica é de 120 mg/kg[1]. Some todas as tomadas do dia antes de liberar uma nova.

Qual a diferença entre mg/kg/dia e mg/kg/dose?

Em mg/kg/dia, o resultado é o total do dia e precisa ser dividido pelo número de tomadas prescrito. Em mg/kg/dose, o resultado já é a tomada, mas a soma do dia ainda precisa respeitar o teto diário[1].

Por que a dupla checagem é tão importante na pediatria?

Porque as doses são individualizadas, e pequenos erros de vírgula ou de unidade multiplicam a dose por 10 ou mais[2]. O Ministério da Saúde destaca a dupla checagem em Pediatria, sobretudo no momento da administração[2].

Pode alternar antitérmicos para baixar a febre?

A SBP não recomenda alternar nem associar antitérmicos. Isso confunde os cuidadores e aumenta o risco de superdosagem, sem benefício em relação ao uso de um só medicamento[1].

Como este texto foi feito

Texto preparado com apoio de IA e conferido automaticamente nas fontes abaixo em 28 de outubro de 2026; revisão médica: pendente. Como fazemos

Referências

  1. Manejo da Febre Aguda — Documento Científico dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia · Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2021 sbp.com.br ↗
  2. Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos (Anexo 03, Programa Nacional de Segurança do Paciente) · Ministério da Saúde / Anvisa / Fiocruz, 2013 gov.br ↗
  3. Adesão às barreiras de segurança no processo de administração de medicamentos na pediatria (Texto & Contexto Enfermagem, v. 29) · Texto & Contexto Enfermagem (SciELO Brasil), 2020 scielo.br ↗
  4. Anvisa alerta sobre o uso incorreto de paracetamol · Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 2021 gov.br ↗
  5. Sociedade Brasileira de Pediatria divulga orientações para uso de medicamentos em creches e escolas · Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2017 sbp.com.br ↗

Material de apoio para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico, a bula nem as diretrizes originais.

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