Neste artigo
- O que são os marcos do desenvolvimento infantil?
- O que é a tabela de marcos do Ministério da Saúde?
- Quais marcos observar em cada idade?
- Quando levar a criança ao pediatra por causa do desenvolvimento?
- Com que frequência a criança deve ir às consultas de rotina?
- Como estimular o desenvolvimento infantil em casa?
- Por que a saúde da criança interfere nos marcos?
- Como usar a Caderneta da Criança no dia a dia?
- Perguntas frequentes sobre marcos do desenvolvimento infantil
- Referências
Resposta rápida
Marcos do desenvolvimento infantil são habilidades esperadas para cada idade em movimento, linguagem, interação e aprendizado, e ficam registrados na Caderneta da Criança do Ministério da Saúde. Cada marco é o que 75% ou mais das crianças já fazem naquela idade (SBP, 2024). Perdeu uma habilidade? Procure o pediatra. Convulsão ou falta de ar: SAMU 192.
1O que são os marcos do desenvolvimento infantil?
Marcos do desenvolvimento são habilidades que a criança conquista aos poucos, como sustentar a cabeça, sorrir, sentar, falar as primeiras palavras e andar. A lista da Sociedade Brasileira de Pediatria mostra o que 75%[2] ou mais das crianças conseguem fazer em cada idade.
Os marcos são divididos em áreas: social e emocional, linguagem e comunicação, cognição (aprender, pensar, resolver problemas) e movimento[2]. Essas áreas se influenciam, mas não avançam todas no mesmo ritmo. Uma criança pode fazer uma coisa mais cedo e outra mais tarde sem que isso seja doença.
O que importa é o conjunto: se a criança continua progredindo, como ela interage com a família e se perdeu alguma habilidade que já tinha. A própria SBP lembra que a lista de marcos não substitui um teste de triagem padronizado, feito pelo profissional[2].
Observar é diferente de testar. Você não precisa provocar situações difíceis nem repetir exercícios até a criança acertar. O melhor registro vem do dia a dia: como ela brinca, responde ao nome, busca um brinquedo ou pede o que quer.
2O que é a tabela de marcos do Ministério da Saúde?
A "tabela do Ministério da Saúde" é a parte de desenvolvimento da Caderneta da Criança, o livreto que a família recebe na maternidade. Ela acompanha a saúde, o crescimento e o desenvolvimento do nascimento até os 9 anos[5].
A 6ª edição da Caderneta, lançada em 2024[5], traz os marcos do desenvolvimento e a seção "Estimulando o desenvolvimento com afeto", separada por meses no primeiro ano, de 1 a 3 anos, de 3 a 6 anos e de 6 a 9 anos[5]. Os profissionais da atenção primária avaliam habilidades motoras, de comunicação, de interação social e cognitivas de acordo com os marcos da Caderneta[4].
Desde 2025[6], existe também a Caderneta Digital da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital. Ela tem um módulo de desenvolvimento infantil em que a família pode registrar os marcos e receber alertas de atenção[7]. A versão digital não substitui a caderneta de papel, que continua válida e distribuída nas unidades de saúde[6].
3Quais marcos observar em cada idade?
A tabela abaixo resume, de forma simples, o que a maioria das crianças faz em cada idade, segundo a cartilha de desenvolvimento da SBP[2]. Use-a como guia de observação, não como prova: cada criança tem seu ritmo.
| Idade | Movimento | Comunicação, interação e aprendizado |
|---|---|---|
| 2 meses[2] | De bruços, mantém a cabeça erguida; mexe os dois braços e as duas pernas; abre as mãos por alguns instantes. | Olha para o seu rosto; sorri quando você fala ou sorri para ele; faz sons diferentes do choro; reage a sons altos. |
| 4 meses[2] | Mantém a cabeça firme, sem apoio, no colo; segura um brinquedo colocado na mão; leva as mãos à boca; de bruços, apoia-se nos antebraços. | Sorri sozinho para chamar sua atenção; faz sons como "aahh"; vira a cabeça na direção da sua voz. |
| 6 meses[2] | Rola de barriga para cima para barriga para baixo; sentado, apoia-se nas mãos; estica o braço para pegar um brinquedo. | Reconhece pessoas conhecidas; dá risada; solta gritinhos; reveza sons com você. |
| 9 meses[2] | Senta sem apoio e chega sozinho à posição sentada; passa objetos de uma mão para a outra. | Estranha pessoas desconhecidas; olha quando chamado pelo nome; faz "mamama" e "bababa"; levanta os braços para pedir colo; procura o objeto que caiu. |
| 12 meses[2] | Puxa o corpo para ficar de pé; anda segurando nos móveis; pega pedacinhos de comida entre o polegar e o indicador. | Dá tchau; chama "mamã" ou "papá"; entende o "não"; procura um brinquedo que viu você esconder. |
| 15 meses[2] | Dá alguns passos sozinho; empilha pelo menos 2[2] objetos pequenos. | Tenta dizer 1 ou 2[2] palavras além de "mamã" e "papá"; aponta para pedir algo; mostra afeto com abraços e beijos. |
| 18 meses[2] | Anda sem se segurar em ninguém; rabisca; tenta usar a colher; sobe no sofá sem ajuda. | Tenta dizer 3[2] ou mais palavras; segue ordens simples sem gestos ("me dá"); aponta para mostrar algo interessante. |
| 2 anos[2] | Chuta bola; corre; come com colher. | Junta 2[2] palavras ("mais leite"); aponta pelo menos 2[2] partes do corpo quando pedido. |
No primeiro mês, o bebê reconhece e se acalma com a voz da mãe e se assusta com sons altos e inesperados[1]. Se o bebê nasceu prematuro, conte isso ao pediatra: a prematuridade é uma das situações que pedem acompanhamento mais próximo[4] e muda a forma de interpretar os marcos.
4Quando levar a criança ao pediatra por causa do desenvolvimento?
Procure o pediatra se a criança não alcançou um ou mais marcos da idade, se perdeu habilidades que já tinha ou se a família tem qualquer preocupação[2]. A orientação da SBP é não esperar: converse com o médico e pergunte sobre a triagem do desenvolvimento[2].
O Ministério da Saúde reforça que, quanto mais cedo um problema é identificado e tratado, melhor o resultado, e que atrasos podem ser minimizados com atenção e estimulação adequadas, com a família participando[1]. Cerca de 15% a 20%[3] das crianças terão algum desafio no neurodesenvolvimento, segundo revisão publicada na revista Residência Pediátrica.
Sua percepção conta. A mesma revisão lembra que os pais, na maioria das vezes, percebem corretamente as dificuldades no desenvolvimento dos filhos[3]. Por isso, leve suas observações anotadas e, se ajudar, vídeos curtos feitos sem forçar a criança.
Quais são os sinais de alerta no desenvolvimento?
A perda de habilidades é o sinal mais importante: se a criança deixa de balbuciar, sentar, andar ou responder como antes, não espere a próxima consulta de rotina[2]. Na criança maior, observe também se ela costuma se isolar, recusa brincar com outras crianças, tem dificuldade de linguagem ou faz gestos e movimentos repetitivos[1].
| Sinal | O que fazer |
|---|---|
| Perdeu uma habilidade que já tinha (parou de balbuciar, de sentar, de andar ou de responder ao nome) | Procure o pediatra logo, sem esperar a próxima consulta de rotina. |
| Não alcançou um ou mais marcos esperados para a idade | Marque consulta, leve suas anotações e pergunte sobre a triagem do desenvolvimento. |
| Não reage a sons altos (esperado já aos 2 meses[2]) ou não vira a cabeça para a sua voz (aos 4 meses[2]) | Converse com o pediatra; a audição precisa ser avaliada. |
| Atraso para sustentar a cabeça, virar, engatinhar ou andar | Consulte o pediatra para avaliar postura, força e movimentos. |
| Criança que se isola, não brinca com outras crianças, tem dificuldade de linguagem ou movimentos repetitivos | Consulte o pediatra; ele avalia a comunicação e a interação social. |
| Convulsão, dificuldade para respirar, lábios arroxeados, sonolência difícil de despertar ou fraqueza súbita de um lado do corpo | Emergência: ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo. |
O que o pediatra faz na avaliação?
O pediatra acompanha a criança ao longo do tempo, comparando-a com ela mesma. Ele observa postura, movimentos, interação e comunicação, pergunta sobre a rotina em casa, valoriza a preocupação da família e registra tudo na Caderneta[3][4].
Se identificar um atraso, ele investiga as causas, orienta estímulos e pode encaminhar a especialistas e a programas de intervenção precoce[2]. Atraso não é diagnóstico: é um achado que pede avaliação e acompanhamento.
5Com que frequência a criança deve ir às consultas de rotina?
O Ministério da Saúde recomenda consultas de rotina até os 7 dias de vida e com 1, 2, 4, 6, 9, 12, 18, 24 e 36 meses[4]. Depois dos 3 anos, a consulta passa a ser 1 vez por ano, perto do aniversário[4].
Em todas essas consultas, os marcos do desenvolvimento fazem parte da avaliação mínima, ao lado do crescimento, das vacinas, do sono e da alimentação[4]. Algumas crianças, como as prematuras ou com desenvolvimento atípico, precisam de consultas mais frequentes[4].
Na consulta dos 18 meses[4], o SUS prevê a aplicação do questionário M-CHAT-R, usado na triagem do autismo[4]. A Academia Americana de Pediatria, citada na cartilha da SBP, recomenda triagem do desenvolvimento para todas as crianças aos 9 meses, 18 meses e 2 anos, com triagem de autismo aos 18 meses e 2 anos[2].
6Como estimular o desenvolvimento infantil em casa?
A melhor estimulação é a interação do dia a dia: conversar, cantar, ler, brincar e responder ao bebê. Não é preciso transformar a rotina em aula nem comprar brinquedos caros.
Atividades para cada fase
- Primeiros meses: converse com o bebê olhando nos olhos, mesmo com voz "infantil"; é assim que começam as primeiras conversas[1]. Responda aos sons dele com entusiasmo, para ensinar a troca de turnos[2].
- De bruços, acordado e acompanhado: deite o bebê de barriga para baixo e chame a atenção dele com brinquedos ou com a sua voz, para que levante a cabeça[1]. Nunca o deixe sozinho nessa posição; para dormir, sempre de barriga para cima[2].
- Quando começa a pegar objetos: ofereça brinquedos seguros e fáceis de segurar, como chocalhos e livros de pano, e evite deixá-lo muito tempo em carrinhos, balanços ou cadeirinhas[2].
- De 9 meses a 1 ano[1]: brinque com músicas e gestos, como bater palmas e dar tchau; ofereça objetos de tamanhos diferentes para encaixar e tirar; crie oportunidades seguras para a criança se locomover e aprender a andar sozinha[1].
- Quando começa a falar: estimule o uso de palavras em vez de gestos, com rimas e músicas[1]. Se a criança diz "nana", responda "Você quer mais banana?"[2].
- Telas: não são recomendadas para menores de 2 anos[2], exceto chamadas de vídeo com pessoas queridas. Bebês aprendem conversando, brincando e interagindo[2].
Nunca sacuda o bebê, nem deixe outra pessoa fazer isso. Se você estiver muito nervoso com o choro, coloque-o em um lugar seguro e afaste-se um pouco para se acalmar[2].
Como deixar o ambiente estimulante e seguro?
Um ambiente estimulante não é o que tem mais brinquedos, e sim o que oferece conversa, vínculo, movimento e exploração com segurança. Mantenha objetos pequenos, fios, sacos plásticos, produtos de limpeza, remédios e itens cortantes fora do alcance. Proteja escadas, janelas e tomadas.
Cada nova habilidade traz um novo risco. Quando o bebê começa a rolar, nunca o deixe sozinho no trocador, na cama ou no sofá. Quando começa a pegar coisas pequenas com os dedos, fique por perto para que não as coloque na boca, no nariz ou nos ouvidos[1].
7Por que a saúde da criança interfere nos marcos?
O desenvolvimento depende de tudo funcionar junto: cérebro, audição, visão, músculos, sono, alimentação e vínculo com a família. Por isso, uma dúvida sobre a fala pode levar o pediatra a avaliar a audição, e uma dúvida sobre os movimentos, a avaliar força e postura.
A relação também funciona no sentido contrário. Uma criança com dor, doença aguda ou noites mal dormidas pode brincar e se comunicar de outro jeito por alguns dias. Por isso, o pediatra interpreta os marcos junto com a história de saúde e a evolução ao longo do tempo.
8Como usar a Caderneta da Criança no dia a dia?
Use a Caderneta como um roteiro de observação: leia a faixa de idade do seu filho, observe-o em situações naturais, anote dúvidas e leve tudo à consulta. Ela não serve para confirmar nem descartar diagnósticos em casa.
- Para acompanhar uma habilidade nova: anote a data aproximada em que apareceu, em que situações acontece e se há diferença entre os lados do corpo.
- Para entender um alerta da Caderneta Digital: veja qual comportamento foi sinalizado[7], observe de novo em outro dia, sem pressão, e leve o registro ao pediatra. Alerta não é diagnóstico.
- Para conversar na consulta: conte o que vocês fazem juntos, do que a criança gosta, o que preocupa você e se ela perdeu alguma habilidade[2].
- Diante de perda de habilidade: antecipe a consulta; se a mudança for súbita ou vier com sinais graves, ligue para o SAMU 192.
Leve a Caderneta a todas as consultas e peça que os profissionais a preencham: os registros e as explicações sobre os marcos devem ser compartilhados com a família[4].
9Perguntas frequentes sobre marcos do desenvolvimento infantil
Meu bebê ainda não fez um marco da idade. Isso é atraso?
Nem sempre. Cada marco da lista da SBP é o que 75%[2] ou mais das crianças já fazem naquela idade, então algumas crianças chegam lá um pouco depois. Converse com o pediatra, que vai olhar o conjunto do desenvolvimento e decidir se é preciso fazer uma triagem.
Onde fica a tabela de marcos do desenvolvimento do Ministério da Saúde?
Os marcos estão na Caderneta da Criança, que acompanha a criança do nascimento até os 9 anos[5]. Desde 2025[6], a Caderneta também está no aplicativo Meu SUS Digital, com um módulo de desenvolvimento infantil[7].
Com que idade a criança deve andar sozinha?
Na lista da SBP, aos 15 meses[2] a maioria das crianças dá alguns passos sozinha e, aos 18 meses[2], anda sem se segurar em nada. Se seu filho ainda não anda com 18 meses[2], ou se andava e parou, converse com o pediatra.
Bebê prematuro segue a mesma tabela de marcos?
A prematuridade (nascer antes de 37 semanas[4]) é uma das situações que pedem acompanhamento mais próximo[4]. Conte sempre ao pediatra que o bebê nasceu prematuro, porque isso muda a forma de interpretar os marcos.
Celular e televisão atrapalham o desenvolvimento do bebê?
A cartilha da SBP não recomenda tempo de tela para menores de 2 anos[2], exceto chamadas de vídeo com a família. Bebês aprendem conversando, brincando e interagindo com outras pessoas[2].
A Caderneta Digital substitui a caderneta de papel e a consulta?
Não. A versão digital não substitui a caderneta física, que continua válida[6], e os alertas do aplicativo não fazem diagnóstico. Leve as anotações e os alertas para conversar com o pediatra.
Texto preparado com apoio de IA e conferido automaticamente nas fontes abaixo em 27 de outubro de 2026; revisão médica: pendente. Como fazemos
Referências
- Desenvolvimento Infantil · Ministério da Saúde, sem data (consultado em 2026) gov.br ↗
- Cartilha de Desenvolvimento: 2 meses a 5 anos (tradução autorizada do programa Act Early, CDC) · Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2024 sbp.com.br ↗
- O pediatra e a promoção do desenvolvimento infantil: otimizando a consulta · Residência Pediátrica (Sociedade Brasileira de Pediatria), 2018 residenciapediatrica.com.br ↗
- Linhas de Cuidado – Puericultura: Criança (Unidade de Atenção Primária) · Ministério da Saúde, sem data (consultado em 2026) linhasdecuidado.saude.gov.br ↗
- Conheça a 6ª edição da ‘Caderneta da Criança – Passaporte da Cidadania’, lançada pelo Ministério da Saúde · Ministério da Saúde, 2024 gov.br ↗
- Caderneta de Saúde da Criança agora está disponível no aplicativo Meu SUS Digital · Ministério da Saúde, 2025 gov.br ↗
- Quais informações estão disponíveis na Caderneta Digital da Criança? · Ministério da Saúde, 2025 gov.br ↗
Questões comentadas sobre o tema
Este conteúdo informa e não substitui a consulta. Em caso de dúvida sobre a saúde da criança, procure o pediatra ou um serviço de saúde. Em emergência, ligue 192 (SAMU).
