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O que fazer na convulsão febril: guia para pais

Veja o que fazer na convulsão febril: deitar a criança de lado, não colocar nada na boca, marcar o tempo e ligar para o SAMU 192 na primeira crise ou se ela chegar a 5 minutos. O texto também explica a chance de nova crise e o risco de epilepsia, segundo a SBP e o Ministério da Saúde.

Pediatrando Publicado em 10 min de leitura

Preparado com apoio de IA e conferido nas fontes; revisão médica pendente. Como fazemos

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Mãe ajoelhada ao lado do filho pequeno deitado de lado no tapete, protegendo a cabeça dele enquanto observa o relógio.
Esta página é para:Famíliasmãe, pai ou cuidador
Neste artigo
  1. O que é convulsão febril?
  2. Quais são os sintomas da convulsão febril?
  3. O que fazer durante uma convulsão febril?
  4. Como prevenir a convulsão febril?
  5. A convulsão febril deixa sequelas?
  6. Por que ocorre a convulsão febril?
  7. Quando procurar o médico depois de uma convulsão febril?
  8. Perguntas frequentes sobre convulsão febril
  9. Referências

Resposta rápida

Convulsão febril é uma crise de rigidez ou abalos que acontece durante a febre em crianças pequenas. Deite a criança de lado, afaste objetos, não coloque nada na boca e marque o tempo. Ligue para o SAMU 192 se for a primeira crise ou se ela chegar a 5 minutos (SBP 2023).

Close-up de testa de bebê com termômetro.

1O que é convulsão febril?

Convulsão febril é uma crise convulsiva que acontece junto com a febre, sem infecção no cérebro nem outra causa identificada. Costuma aparecer entre os 6 meses e os 5 anos de idade[3]; o material da SBP para escolas fala em crianças de 6 meses a 6 anos com predisposição genética[1]. Não é o mesmo que epilepsia.

Uma crise que costuma terminar sozinha

A convulsão febril costuma aparecer no começo da doença, muitas vezes quando a febre está subindo[1]. O período de maior risco são as primeiras 24 horas de febre[3]. Por isso, muitas famílias só percebem que a criança estava doente depois da crise.

Entre 2% e 5% das crianças têm pelo menos uma convulsão febril até os 5 anos[3]. A maioria é do tipo simples: uma crise do corpo todo, com menos de 15 minutos[3], sem repetição nas 24 horas seguintes[3] e com recuperação completa. A forma complexa dura mais de 15 minutos[3], atinge só uma parte do corpo ou se repete em menos de 24 horas[3]. Quem faz essa distinção é o médico, depois de ouvir o relato e examinar a criança.

O diagnóstico é clínico[3]. Por isso, o que você observou vale muito: hora do início, duração, tipo de movimento, respiração, cor da pele e como a criança ficou depois. Se for seguro, anote ou grave, mas nunca atrase o pedido de socorro para filmar.

A febre é considerada a partir de 37,5 °C[4], mas nem toda criança com febre alta vai convulsionar[1]. A febre não é culpa de ninguém, e a crise não acontece por erro dos pais.

Criança com olhar vidrado e corpo tenso.

2Quais são os sintomas da convulsão febril?

Os sinais mais comuns são perda de contato, corpo endurecido e abalos repetidos dos braços e das pernas. A criança pode revirar os olhos, babar, ficar com os lábios arroxeados e, depois, ficar sonolenta.

O que observar sem tentar conter a crise

Na forma mais comum, o corpo todo participa: os músculos ficam rígidos e depois surgem os abalos[3]. É uma cena assustadora, mas isso não justifica colocar dedos, colher, pano ou qualquer objeto na boca[1].

Depois que os movimentos param, é comum a criança ficar sonolenta, confusa ou chorosa. O esperado é que ela volte aos poucos a interagir e a respirar com tranquilidade. Se continuar sem responder, muito diferente do normal ou com dificuldade para respirar, é emergência.

Às vezes, depois da crise, um lado do corpo fica fraco por um tempo. Esse quadro se chama paralisia de Todd e é uma das características da forma complexa[3]. Você não precisa saber o nome: basta contar ao médico o que viu e quanto tempo durou.

Não tente decidir sozinho se foi uma convulsão febril simples. Febre e abalos podem aparecer em outras doenças, e só a avaliação médica separa uma coisa da outra.

Mãos apoiando um bebê com cuidado.

3O que fazer durante uma convulsão febril?

Mantenha a calma, deite a criança de lado em local seguro, proteja a cabeça, afaste objetos e marque o tempo[1]. Não segure os movimentos, não coloque nada na boca e não dê água, comida ou remédio durante a crise[1].

Ações imediatas que protegem a criança

  1. Coloque a criança deitada de lado, no chão ou em superfície firme, com a cabeça protegida[1].
  2. Afaste móveis, brinquedos e objetos que possam machucá-la[1].
  3. Não imobilize o corpo: segurar braços e pernas não interrompe a crise e pode machucar[1].
  4. Não coloque nada na boca e não ofereça nada para beber ou engolir[1].
  5. Afrouxe roupas apertadas e observe a respiração.
  6. Olhe o relógio e marque quando a crise começou e quando terminou[1].
  7. Ligue para o SAMU 192[4] se for a primeira crise, se ela chegar a 5 minutos[1] ou se houver qualquer sinal de alarme.

A criança não "engole a língua". Ficar de lado já ajuda a saliva a escorrer e mantém o caminho do ar livre. Não tente abrir a boca à força, não sacuda a criança, não jogue água e não dê banho durante a crise.

A maioria das crises dura até 5 minutos[1]. Quando passa disso, é emergência. Quando o tempo parece não passar, o relógio ajuda: no susto, a família costuma achar que a crise durou mais (ou menos) do que durou.

Quando os movimentos pararem, mantenha a criança de lado, em lugar calmo, e não a deixe sozinha. A primeira convulsão com febre precisa de avaliação médica no mesmo momento, mesmo que a criança pareça bem[1]. Leve a Caderneta da Criança e conte o que aconteceu, sem dar remédio por conta própria.

Pais medindo a temperatura de uma criança com termômetro.

4Como prevenir a convulsão febril?

Não existe medida caseira que impeça uma nova convulsão febril[1]. Antitérmicos aliviam o desconforto, mas não diminuem a chance de nova crise[2]. A prevenção possível é ter um plano combinado com o pediatra.

Ela pode acontecer de novo?

Pode. Cerca de 30% das crianças têm nova crise, e essa chance pode chegar a 50% quando o primeiro episódio acontece antes de 1 ano de idade[3]. Também aumentam o risco: começar antes dos 18 meses, ter parentes que tiveram convulsão febril, crise prolongada e pouco tempo entre o início da febre e a crise[3]. A história familiar aparece em 25% a 40% dos casos[3].

Esses números servem para entender o risco, não para viver em alerta permanente. O mais útil é combinar com antecedência quem pede ajuda, onde estão os documentos da criança e quais sinais exigem emergência.

Remédio para evitar crise funciona?

Em casos selecionados, o pediatra ou o neurologista pode indicar um remédio para usar só nos dias de febre ou um tratamento contínuo[3]. Essa decisão é individual, porque esses remédios têm efeitos colaterais, como sonolência[3], e a maioria das crianças não precisa deles. Nunca comece, pare ou empreste anticonvulsivante por conta própria.

Também não use banho frio, álcool, óleos ou chás para "cortar" a convulsão. Se a criança já teve convulsão febril e você tem dúvidas sobre vacinas, converse com o pediatra antes de adiar qualquer dose.

Médico examinando a orelha de uma criança com otoscópio.

5A convulsão febril deixa sequelas?

Na grande maioria das vezes, não. A evolução é benigna e as crises repetidas não estão ligadas a prejuízo no desenvolvimento ou na inteligência[3].

Risco de epilepsia

Depois de uma convulsão febril simples, o risco de epilepsia fica em torno de 1%[3]. Esse risco é maior quando a crise é prolongada, repetida ou atinge só um lado do corpo, e também quando a criança já tem atraso no desenvolvimento[3]. Mesmo assim, uma única crise com febre não faz da criança uma pessoa com epilepsia.

Ela vai precisar de exames?

Nem sempre. A criança que teve uma crise simples e tem exame físico e neurológico normais não precisa de eletroencefalograma nem de tomografia ou ressonância[3]. Os exames dependem do que o médico encontra, principalmente para descobrir a causa da febre[3]. A punção lombar é considerada com mais frequência em bebês menores de 12 meses[3].

Gráfico simples mostrando a relação entre febre e convulsão.

6Por que ocorre a convulsão febril?

A convulsão febril acontece por uma soma de fatores: a idade, em que o cérebro ainda está amadurecendo, a predisposição genética e a febre de uma infecção comum fora do cérebro[3].

Febre, idade e predisposição

Resfriados, viroses e outras infecções comuns podem causar a febre que desencadeia a crise[3]. Por isso, duas crianças com a mesma doença podem ter evoluções diferentes. A história familiar ajuda a explicar parte dos casos, mas a ausência dela não impede o episódio[3].

O médico examina a criança para afastar causas que não são convulsão febril, como meningite. Sinais como manchas na pele, rigidez de nuca e alteração da consciência pedem investigação imediata[3].

Pais conversando com um médico em consultório.

7Quando procurar o médico depois de uma convulsão febril?

Procure atendimento na hora na primeira crise, mesmo que ela tenha passado[1]. Ligue para o SAMU 192[4] se a crise chegar a 5 minutos[1], se repetir, se a respiração não voltar ao normal ou se a criança se machucar[1].

Sinais de alarme na convulsão febril (SBP 2023 e Ministério da Saúde, Caderneta da Criança 2024). Emergência: SAMU 192.
SinalO que fazer
Crise que chega a 5 minutos[1]Ligue para o SAMU 192 e mantenha a criança de lado
Primeira convulsão da vida[1]Ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro, mesmo que já tenha passado
Uma crise atrás da outra[1]Ligue para o SAMU 192
Respiração que não volta ao normal depois da crise[1]Ligue para o SAMU 192
Machucado durante a crise[1]Procure o pronto-socorro
Criança muito sonolenta, difícil de acordar[4]Ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro
Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele[4]Vá ao pronto-socorro imediatamente
Vômitos de tudo o que come e bebe[4]Vá ao pronto-socorro
Fraqueza de um lado do corpo que não passa[3]Vá ao pronto-socorro

Se houver dificuldade para levar a criança ao serviço de urgência, ligue para o SAMU 192: a ligação é gratuita[4]. Enquanto espera, mantenha a criança de lado, proteja o espaço ao redor e não coloque nada na boca.

Quando marcar consulta com o pediatra

Mesmo sem sinais de alarme, marque consulta depois de qualquer convulsão febril. É a hora de revisar o episódio, falar sobre a chance de nova crise, avaliar o desenvolvimento e combinar o que fazer se acontecer de novo.

Leve anotado: quando a febre começou, como foram os movimentos, quanto tempo durou, se houve repetição, como estava a respiração e quanto tempo a criança levou para voltar ao normal. Conte também se há casos de convulsão na família e quais remédios ela usa.

8Perguntas frequentes sobre convulsão febril

Convulsão febril é perigosa?

Na maioria das vezes, não deixa sequelas: a evolução é benigna e não prejudica o desenvolvimento[3]. Mesmo assim, a primeira crise precisa de avaliação médica na hora[1], e uma crise que chega a 5 minutos é emergência[1].

Preciso colocar algo na boca para a criança não enrolar a língua?

Não. Nunca coloque dedo, colher ou pano na boca da criança durante a crise[1]. Deite-a de lado, proteja a cabeça e afaste objetos.

Dar antitérmico ou banho evita a convulsão febril?

Não. Antitérmicos aliviam o desconforto, mas não reduzem a chance de nova crise[2]. Durante a convulsão, não dê nada pela boca e não dê banho.

Meu filho pode ter outra convulsão febril?

Pode. Cerca de 30% das crianças têm nova crise, e o risco é maior quando a primeira acontece antes de 1 ano de idade[3]. O pediatra avalia os fatores de risco e combina um plano com a família.

Convulsão febril vira epilepsia?

Raramente. Depois de uma crise simples, o risco de epilepsia fica em torno de 1%[3]. Ele é maior nas crises prolongadas, repetidas ou de um lado só do corpo[3].

Até que idade a criança pode ter convulsão febril?

Ela costuma acontecer entre os 6 meses e os 5 anos[3], e a SBP cita até 6 anos[1]. Se a crise com febre acontecer fora dessa faixa, conte ao pediatra, porque a avaliação pode ser diferente.

Como este texto foi feito

Texto preparado com apoio de IA e conferido automaticamente nas fontes abaixo em 4 de novembro de 2026; revisão médica: pendente. Como fazemos

Referências

  1. Convulsão e epilepsia — Informativo para as Escolas nº 44 (Grupo de Trabalho Educação é Saúde) · Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2023 sbp.com.br ↗
  2. Manejo da febre aguda — Documento científico dos Departamentos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia · Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2021 sbp.com.br ↗
  3. Crise febril na infância: uma revisão dos principais conceitos (Antoniuk SA et al.), Residência Pediátrica 2018;8(supl 1):11-16 · Residência Pediátrica (revista indexada), 2018 residenciapediatrica.com.br ↗
  4. Caderneta da Criança — Passaporte da Cidadania, 7ª edição (menino) · Ministério da Saúde, 2024 bvsms.saude.gov.br ↗

Questões comentadas sobre o tema

Este conteúdo informa e não substitui a consulta. Em caso de dúvida sobre a saúde da criança, procure o pediatra ou um serviço de saúde. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

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