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Pediatrando

Adolescente do sexo feminino, 15 anos, apresenta história de dor nos membros inferiores iniciada aos 4 anos de idade. Com o passar do tempo, a dor tornou-se progressivamente mais difusa, especialmente a partir dos 10 anos, atingindo o pico de intensidade no último ano. Atualmente, relata dor musculoesquelética diária, de caráter generalizado, acometendo pernas, braços, pés, mãos, dorso e ombros. A dor é exacerbada em situações de estresse, frequentemente interfere no sono e repercute de forma significativa em seu funcionamento social e acadêmico. Repouso, uso de analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais promovem alívio apenas parcial dos sintomas. Nos últimos meses, passou a apresentar também cansaço e tristeza persistentes, aumento do apetite, insônia e queda de concentração. A respeito do caso acima, assinale a alternativa correta:

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Resposta: A

  1. A) O tratamento deve ser iniciado com intervenções não farmacológicas, sobretudo o exercício físico, considerado a estratégia mais importante, além de psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental.

    A SBP coloca as terapias não farmacológicas sempre como primeira opção na fibromialgia juvenil: exercício aeróbico progressivo, resistido ou hidroterapia, a intervenção de maior impacto, e terapia cognitivo-comportamental para dor, sono e humor. Educação sobre a doença e retorno à escola completam o plano.

  2. B) Uma vez que a paciente apresenta também humor deprimido, insônia e dificuldade de concentração, é recomendado associar, já nesta fase inicial, tratamento medicamentoso à abordagem multidisciplinar, com o objetivo de reduzir os prejuízos no desempenho social e escolar.

    A maior parte dos psicofármacos usados na fibromialgia do adulto não tem indicação nem eficácia comprovada na faixa pediátrica. Os sintomas depressivos devem ser rastreados e tratados com psicoterapia, reservando antidepressivo para transtorno depressivo moderado a grave bem caracterizado.

  3. C) Mediante a suspeita de fibromialgia juvenil, devem ser realizados exames complementares, como a termografia ou a cintilografia com tecnécio, a fim de aprimorar a acurácia diagnóstica.

    Nenhum exame de imagem confirma fibromialgia; termografia e cintilografia não têm papel no diagnóstico e só geram achados inespecíficos. O diagnóstico é clínico, pela história de dor difusa crônica com fadiga e distúrbio do sono.

  4. D) O diagnóstico desta condição é clínico e a realização de exames laboratoriais complementares é proscrita, pode gerar atrasos no diagnóstico.

    O diagnóstico é clínico, mas exames básicos (hemograma, VHS, PCR, TSH, CPK, função hepática e renal) são adequados para afastar AIJ, lúpus, miopatias e hipotireoidismo. O atraso diagnóstico vem da investigação excessiva e repetida, não desses exames iniciais.

Resumo para lembrar

A fibromialgia juvenil combina dor musculoesquelética difusa e crônica, fadiga, sono não reparador e alterações de humor, com pico entre 11 e 15 anos e predomínio feminino. O diagnóstico é clínico, com exames básicos para afastar outras doenças, e o tratamento começa por medidas não farmacológicas: exercício físico progressivo, terapia cognitivo-comportamental e higiene do sono.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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