Criança de 5 anos de idade é internada para tratamento de febre e diarreia de 5 dias de evolução. Ao exame físico na ectoscopia, observado regular estado geral, hipocorada (3+/4+), desidratada (1+/4+), afebril, cabelos finos e quebradiços; aparelho cardiovascular: taquicárdica, pulsos periféricos cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, normotensa; aparelho respiratório: ausculta e frequência normais; aparelho digestivo: abdome plano, algo doloroso, sem defesa. Realizada aferição de peso e estatura, com peso/estatura e estatura/idade entre -2DP e -3DP segundo NHCS, glicemia capilar normal. Sobre o quadro descrito, assinale a alternativa CORRETΑ:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança de cinco anos de idade, o que já nos diz que estamos falando de um pré-escolar, com necessidades nutricionais e de desenvolvimento específicas.
- Ela apresenta febre e diarreia de cinco dias de evolução. Isso indica um quadro agudo que pode estar contribuindo para a desidratação e a piora do estado nutricional.
- No exame físico, a criança está em regular estado geral. Isso significa que ela está alerta, mas não está ótima, já indicando algum comprometimento.
- Está hipocorada três cruzes em quatro, o que sugere uma anemia importante, um achado comum em crianças desnutridas.
- A desidratação é de uma cruz em quatro, ou seja, leve a moderada. Isso é um dado importante para pensarmos na via de reidratação.
- A criança está afebril no momento do exame, mas teve febre nos dias anteriores, o que pode indicar uma infecção em curso ou já em resolução.
- Os cabelos finos e quebradiços são um sinal clássico de desnutrição crônica, nos alertando para um problema de longa data.
- No aparelho cardiovascular, ela está taquicárdica. Isso pode ser um reflexo da desidratação, da anemia ou de um processo infeccioso.
- No entanto, os pulsos periféricos estão cheios e o tempo de enchimento capilar é de dois segundos, que é normal. Isso nos mostra que, apesar da taquicardia, a perfusão periférica está preservada e ela não está em choque.
- A pressão arterial também está normal, confirmando que não há sinais de choque hipovolêmico grave no momento.
- O abdome está plano e algo doloroso, mas sem defesa, o que é compatível com a diarreia, mas sem sinais de abdome agudo cirúrgico.
- O dado mais importante para a classificação nutricional é que o peso para estatura e a estatura para idade estão entre menos dois e menos três desvios-padrão. Isso caracteriza uma desnutrição grave, tanto aguda quanto crônica.
- Por fim, a glicemia capilar está normal, o que é um bom sinal, pois a hipoglicemia é uma complicação grave e comum na desnutrição severa.
- Juntando todos esses achados, temos uma criança com desnutrição grave, tanto aguda quanto crônica, que está com um quadro infeccioso agudo (febre e diarreia) e desidratada, mas sem sinais de choque ou hipoglicemia no momento.
- A presença da desnutrição grave muda completamente a abordagem de um paciente, pois eles têm reservas diminuídas e são muito mais frágeis a intervenções agressivas.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B sugere hidratação preferencialmente via endovenosa.
- Isso está incorreto porque, em crianças com desnutrição grave, a hidratação endovenosa deve ser usada com muita cautela devido ao alto risco de sobrecarga hídrica e insuficiência cardíaca, especialmente se não houver sinais de choque. A via oral ou enteral é a preferida quando possível.
- A alternativa C propõe iniciar antibioticoterapia endovenosa na primeira hora, oxigênio e uma expansão volêmica de vinte mililitros por quilo de soro fisiológico endovenoso livre.
- Essa conduta de expansão volêmica agressiva é perigosa em pacientes desnutridos graves, pois eles têm menor reserva cardíaca e podem desenvolver insuficiência cardíaca rapidamente. Além disso, a alimentação não deve esperar a fase de reabilitação, mas sim ser iniciada precocemente na fase de estabilização.
- A alternativa D também sugere antibioticoterapia endovenosa, oxigênio e transfusão de concentrado de hemácias de dez mililitros por quilo em três horas.
- A transfusão de hemácias não é um passo inicial automático na estabilização de todos os pacientes desnutridos, a menos que haja critérios específicos de anemia grave sintomática ou choque. A alimentação, por outro lado, deve ser iniciada na fase de estabilização, como a alternativa menciona corretamente, mas o restante da conduta está inadequado.
- Finalmente, a alternativa A afirma que o primeiro passo é estabilizar o paciente, com hidratação preferencialmente via oral, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e tratamento da infecção.
- Esta é a conduta correta. Em crianças com desnutrição grave e desidratação sem choque, a reidratação oral ou enteral é a preferencial e mais segura. A estabilização também envolve a correção de distúrbios hidroeletrolíticos e o tratamento de infecções, que são comuns e agravam o quadro.
- Então, criança com desnutrição grave e desidratação, pense sempre em hidratação cautelosa, preferencialmente oral, e tratamento das infecções.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Wasting and nutritional oedema in children under 5 yearsOMS, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.