Mãe comparece à consulta de pronto atendimento com criança de 3 anos de idade, com queixa de febre e dor de garganta. Refere que a cada 4 semanas, a criança apresenta quadro semelhante, com lesões aftosas em cavidade oral, tendo feito uso de antibiótico para faringoamigdalite quase que mensalmente no último ano. Relata também que a febre normalmente é alta mas não dura mais do que 3 dias. Nega sudorese, perda de peso ou adinamia. Ao exame, foram notados linfonodos móveis, fibroelásticos, pequenos, sem sinais flogísticos em cadeias cervicais bilateralmente, além de enantema e lesões aftosas em orofaringe, sem demais alterações. Sobre o quadro descrito, assinale a conduta MAIS assertiva em relação à principal hipótese diagnóstica:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, que é uma criança de três anos de idade.
- Ela apresenta queixa de febre e dor de garganta, sintomas que são bem comuns na pediatria.
- O ponto chave aqui é a periodicidade: a mãe refere que a cada quatro semanas, a criança tem um quadro semelhante.
- Além disso, ela apresenta lesões aftosas na boca, o que é um achado importante para o diagnóstico.
- A história de uso de antibiótico quase que mensalmente no último ano, sem resolver o problema, sugere que não se trata de uma infecção bacteriana recorrente.
- A febre ser alta, mas não durar mais do que três dias, é outra característica que nos ajuda a pensar em um quadro autolimitado.
- É muito relevante que a mãe negue sudorese, perda de peso ou adinamia, indicando que a criança está bem entre os episódios febris.
- Ao exame físico, foram notados linfonodos móveis, pequenos e sem sinais de inflamação nas cadeias cervicais, o que chamamos de adenite.
- Também foram observados enantema, que é a vermelhidão da mucosa, e lesões aftosas na orofaringe, confirmando os achados da história.
- Juntando todos esses dados, a periodicidade da febre, as aftas, a faringite e a adenite cervical, com a criança bem entre os episódios e a falha do antibiótico, o diagnóstico mais provável é a Síndrome de Febre Periódica, Aftas, Faringite e Adenite, conhecida como PFAPA.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A sugere realizar ultrassonografia de partes moles em região cervical.
- Essa conduta não é necessária para toda adenite, especialmente em um quadro tão típico de síndrome periódica como o descrito, onde a adenite é um achado esperado e benigno.
- A alternativa B propõe realizar reação de cadeia de polimerase para Epstein Barr Vírus.
- O PCR para Epstein Barr Vírus não é um exame universal para todos os episódios febris recorrentes, e o padrão clínico aqui não aponta primariamente para essa infecção.
- A alternativa C sugere realizar cultura e teste rápido para estreptococo beta hemolítico do grupo A.
- Embora a faringite esteja presente, a pesquisa estreptocócica é direcionada à suspeita de infecção bacteriana, e ela não explica a periodicidade, as aftas e a falha dos antibióticos que vimos no caso.
- Finalmente, a alternativa D, que é a correta, orienta a mãe sobre a benignidade do quadro e considera o uso de corticoide.
- A Síndrome PFAPA é uma condição autoinflamatória benigna, e o manejo inclui a orientação familiar sobre sua natureza e, em alguns casos, o uso de corticoides em dose única no início da crise para abortar os sintomas, após a exclusão de outros diagnósticos.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança pré-escolar com febre periódica, aftas, faringite e adenite, pense sempre na Síndrome PFAPA.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Febre periódica, estomatite aftosa, faringite e adenitePRINTO/PReS, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.