Elisa, 3 anos de idade, deu entrada no PS infantil com quadro de tosse e febre há um dia. Há 6 horas, a menor começou a apresentar tosse ladrante, cansaço, rouquidão, estridor, e a febre chegou a 40 °C. Ao exame físico de entrada, apresentou-se em mau estado geral, toxemiada, taquidispneica, cianótica, taquicárdica e febril, com os seguintes sinais vitais: FC = 185, FR = 54, SatO2 = 78% (em ar ambiente), temperatura = 40,1 °C e PA = 98 mmHg x 56 mmHg. A paciente recebeu uma inalação com adrenalina e dose de dexametasona IM, sem que houvesse resposta clínica. No tocante ao caso relatado, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais indicada.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso da Elisa. Ela tem três anos de idade, o que já nos coloca no grupo de crianças que podem desenvolver traqueíte bacteriana, por exemplo.
- Ela chegou ao pronto-socorro com tosse e febre há um dia, um quadro inicial que poderia ser viral, mas a evolução é o que chama a atenção.
- O ponto crucial é que, há apenas seis horas, ela começou a apresentar sintomas graves como tosse ladrante, cansaço, rouquidão e, o mais importante, estridor, indicando obstrução de via aérea superior.
- A febre alta, de quarenta graus Celsius, é um sinal de alerta, especialmente quando associada a outros sinais de gravidade.
- Ao exame físico, a Elisa estava em mau estado geral, toxemiada, taquidispneica, cianótica, taquicárdica e febril. A cianose e a toxemia são sinais de extrema gravidade e sugerem uma infecção sistêmica importante.
- Os sinais vitais confirmam a gravidade: frequência cardíaca de cento e oitenta e cinco, frequência respiratória de cinquenta e quatro, saturação de oxigênio de setenta e oito por cento em ar ambiente, temperatura de quarenta vírgula um graus Celsius e pressão arterial de noventa e oito por cinquenta e seis milímetros de mercúrio. A saturação de oxigênio de setenta e oito por cento é alarmante e indica hipoxemia grave.
- Por fim, e muito importante, a paciente recebeu inalação com adrenalina e dexametasona intramuscular, que são tratamentos padrão para laringite viral, mas não houve resposta clínica. Isso nos faz pensar que não se trata de uma laringite viral típica ou que a gravidade é muito maior.
- Juntando todos esses dados, temos uma criança de três anos com rápida progressão de sintomas de obstrução de via aérea superior, febre alta, sinais de toxemia, hipoxemia grave e falha no tratamento inicial para laringite viral. Esse quadro é altamente sugestivo de traqueíte bacteriana, uma condição grave que pode levar à obstrução completa da via aérea.
- Diante da suspeita de traqueíte bacteriana e da obstrução grave da via aérea com hipoxemia acentuada, a prioridade máxima é garantir a via aérea da paciente.
- Além de garantir a via aérea, como há forte suspeita de infecção bacteriana, o tratamento com antibióticos é fundamental.
- A alternativa B sugere repetir a inalação com adrenalina e iniciar antibiótico. No entanto, a adrenalina já foi administrada e não houve resposta. Repetir o mesmo tratamento que falhou, especialmente em um quadro tão grave, atrasaria a conduta definitiva para a via aérea.
- A alternativa C propõe repetir a inalação com adrenalina em dose maior e usar beta-dois agonista associado a corticoide inalatório. Repetir a adrenalina é um erro, como já comentamos. Além disso, beta-dois agonistas são para broncoespasmo, ou seja, obstrução de vias aéreas inferiores, e não têm papel na traqueíte bacteriana, que é uma obstrução de via aérea superior.
- A alternativa D sugere prescrever adrenalina intramuscular, anti-histamínico e corticoide sistêmico. Essa combinação de medicamentos é o tratamento para anafilaxia. O quadro clínico da Elisa, com febre alta, toxemia e tosse ladrante, não se encaixa em anafilaxia como causa principal da obstrução.
- A alternativa E propõe proceder à intubação orotraqueal e administrar corticoide sistêmico. A intubação é correta e essencial para garantir a via aérea. No entanto, em um caso de suspeita de traqueíte bacteriana, o corticoide sistêmico não substitui o antibiótico, que é crucial para tratar a infecção.
- A alternativa A é a conduta mais indicada. Proceder à intubação orotraqueal sob sequência rápida de intubação, preferencialmente pelo médico mais capacitado, é a ação imediata para garantir a via aérea em um quadro de obstrução grave e hipoxemia. E iniciar o antibiótico é fundamental para tratar a infecção bacteriana subjacente, que é a causa provável da deterioração da paciente.
- Em uma criança com obstrução de via aérea superior, febre alta, toxemia, hipoxemia e falha terapêutica ao tratamento padrão para laringite viral, pense sempre em traqueíte bacteriana e na necessidade de intubação e antibióticos.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Acute upper airway obstructionRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.