Lucas, recém-nascido, 37 semanas de idade gestacional, parto cesáreo, sem indicação obstétrica. Apgar de 6 e 8 no primeiro e quinto minutos. Após os procedimentos de reanimação, com 10 minutos de vida, apresenta desconforto respiratório com batimento de asa nasal, tiragem intercostal e retração diafragmática. A saturação de oxigênio pré-ductal é de 90% com FC de 120 bpm e FR de 72 irpm. Qual a conduta mais adequada?
Fragmento do enunciado seguinte removido da alternativa E; preservado na questão 477.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso da prova, passo a passo. Primeiro, o enunciado nos diz que é o Lucas, um recém-nascido. Isso é crucial porque define a faixa etária e as particularidades fisiológicas que devemos considerar.
- Em seguida, vemos que ele tem 37 semanas de idade gestacional. Isso o classifica como um recém-nascido a termo precoce, o que pode influenciar a maturidade pulmonar e a probabilidade de certas condições respiratórias.
- O parto foi cesáreo, e o enunciado especifica que foi sem indicação obstétrica. Essa informação é importante porque o parto cesáreo eletivo, sem o trabalho de parto, aumenta o risco de taquipneia transitória do recém-nascido.
- Os Apgar foram de 6 e 8 no primeiro e quinto minutos. Isso indica uma depressão leve ao nascimento, mas com uma boa recuperação inicial, o que é um ponto positivo.
- O quadro que estamos avaliando ocorre com 10 minutos de vida. Isso nos mostra que estamos lidando com um problema agudo e precoce, logo após o nascimento.
- Ele apresenta desconforto respiratório com batimento de asa nasal, tiragem intercostal e retração diafragmática. Esses são sinais clínicos claros de um esforço respiratório aumentado e significativo.
- A saturação de oxigênio pré-ductal é de 90 por cento. Uma saturação abaixo do ideal para um recém-nascido, indicando uma hipoxemia leve que precisa de atenção.
- Por fim, a frequência cardíaca é de 120 batimentos por minuto e a frequência respiratória é de 72 incursões respiratórias por minuto. A frequência respiratória está claramente elevada, caracterizando uma taquipneia.
- Juntando todas essas informações, temos um recém-nascido a termo precoce, nascido de cesárea sem indicação, que apresenta desconforto respiratório importante e taquipneia. Isso nos leva a pensar em um quadro de desconforto respiratório, sendo a taquipneia transitória do recém-nascido uma forte hipótese.
- A saturação de oxigênio de 90 por cento nos mostra que, além do esforço, há uma hipoxemia leve. Portanto, o bebê precisa de algum tipo de suporte para melhorar a oxigenação e ajudar a reduzir o trabalho respiratório.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere iniciar oferta de oxigênio por via inalatória, via cateter. No entanto, o oxigênio isolado pode não ser suficiente para corrigir um trabalho respiratório tão importante como o que o Lucas está apresentando.
- A alternativa B propõe administrar surfactante exógeno o mais precocemente possível. O surfactante é indicado para deficiência de surfactante, geralmente em prematuros extremos. Lucas é um termo precoce, e não há evidências de doença da membrana hialina que justifiquem o uso automático de surfactante neste momento.
- A alternativa D sugere colher hemograma e iniciar antibioticoterapia. Embora a sepse seja um diagnóstico diferencial para desconforto respiratório, a prioridade imediata é estabilizar a mecânica respiratória e a oxigenação. A antibioticoterapia depende de uma avaliação de risco infeccioso e não resolverá o problema mecânico respiratório de imediato.
- A alternativa E indica realizar ventilação com pressão positiva com balão e máscara com oxigênio a 40 por cento. A ventilação com pressão positiva é reservada para apneia, respiração ineficaz ou bradicardia, o que não é o caso do Lucas, que está respirando espontaneamente, embora com esforço. Não é a primeira escolha para toda taquipneia.
- Por fim, a alternativa C propõe indicar suporte respiratório com pressão contínua nas vias aéreas, o CPAP. O CPAP é uma excelente opção para recém-nascidos com desconforto respiratório que mantêm respiração espontânea, pois ajuda a manter as vias aéreas abertas, melhora a oxigenação e reduz o trabalho respiratório. É a conduta mais adequada para o quadro do Lucas.
- Então, para revisar rapidamente, em um recém-nascido a termo precoce com desconforto respiratório e respiração espontânea, pense sempre no CPAP como uma conduta inicial importante.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atenção à saúde do recém-nascido — guia para profissionaisMinistério da Saúde, 2014 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.