Escolar, 5 anos, é levado pelos pais à emergência com quadro de hematêmese e melena. HPP: Prematuro, 32 semanas, APGAR 6/7 com intercorrência infecciosa, tendo sido realizado cateterismo umbilical que permaneceu por 7 dias. Exame físico: eutrófico, hemodinamicamente estável, fígado palpável no rebordo costal direito, baço a 12 cm do RCE. Endoscopia digestiva alta: presença de 3 cordões varicosos em esôfago, com "red spots". A hipótese diagnóstica é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um paciente escolar, de 5 anos, o que já nos dá uma ideia da faixa etária e das possíveis doenças que podem acometer essa idade.
- Ele chega à emergência com hematêmese e melena, que são sinais claros de sangramento digestivo alto e baixo, respectivamente, e indicam uma situação de urgência.
- A história pregressa revela que ele foi prematuro, nascendo com 32 semanas, o que já é um fator de risco para diversas complicações neonatais.
- O APGAR baixo, 6/7, e a intercorrência infecciosa no período neonatal sugerem um quadro de maior gravidade ao nascimento e um risco aumentado para sequelas.
- Um dado muito importante é o cateterismo umbilical que foi realizado e permaneceu por 7 dias. Isso é um fator de risco bem conhecido para trombose de veia porta, especialmente quando prolongado ou associado a infecção.
- No exame físico, o fígado palpável no rebordo costal direito indica uma hepatomegalia, mas não é um achado específico para a causa do sangramento.
- Porém, o baço a 12 centímetros do rebordo costal esquerdo é uma esplenomegalia significativa, que é um sinal clássico de hipertensão portal, frequentemente associada a varizes esofágicas.
- A endoscopia digestiva alta confirmou a presença de 3 cordões varicosos em esôfago, com 'red spots', o que é a causa direta do sangramento e um achado definitivo de hipertensão portal.
- Agora, vamos conectar esses achados. O sangramento digestivo alto e a esplenomegalia são manifestações de hipertensão portal.
- A presença de varizes esofágicas na endoscopia confirma essa hipertensão portal como a causa do quadro agudo.
- Pensando nas causas de hipertensão portal em crianças, especialmente com esse histórico, o cateterismo umbilical prolongado e a infecção neonatal são fatores de risco importantes para trombose.
- A trombose da veia porta é uma causa comum de hipertensão portal extra-hepática na infância, e o histórico do nosso paciente se encaixa perfeitamente nesse cenário.
- Analisando as alternativas, a deficiência de alfa-1 antitripsina pode causar hepatopatia e, consequentemente, hipertensão portal, mas o histórico de cateterismo umbilical não a favorece como principal hipótese aqui.
- A esquistossomose hepatoesplênica também pode levar à hipertensão portal e esplenomegalia, mas o caso não apresenta nenhum contexto epidemiológico que a sugira, e ela não explica a história neonatal de cateterismo umbilical.
- A deficiência de esfingomielinase, que é a doença de Niemann-Pick, é uma doença de depósito. Embora possa haver hepatomegalia e esplenomegalia, não há outros achados clínicos descritos que sugiram uma doença de depósito, e ela não se conecta com o risco trombótico neonatal.
- A trombose de veia porta é a alternativa mais coerente, pois relaciona diretamente o risco trombótico prévio, como o cateterismo umbilical e a infecção neonatal, com a hipertensão portal atual, manifestada pelas varizes esofágicas e esplenomegalia.
- Então, em uma criança com sangramento digestivo por varizes esofágicas e esplenomegalia, especialmente com histórico de cateterismo umbilical neonatal, pense sempre em trombose de veia porta como causa de hipertensão portal.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Portal hypertension in children — consenso pediátricoPainel pediátrico Baveno V / NASPGHAN, 2012 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.