Menino, 4 anos, comparece na emergência de hospital terciário para investigação diagnóstica e tratamento. Refere ter iniciado dificuldade progressiva para caminhar, querendo muito colo e muito irritado há 30 dias. Apresenta alguns picos febris esporádicos, não aferidos, segundo os pais. Foi algumas vezes em avaliação médica pelo quadro, sem diagnóstico específico e orientados analgésicos, anti-inflamatórios e observação. Como houve piora do quadro, criança com muita dor à manipulação, não conseguindo sair da cama, foi encaminhada. Feito ultrassonografia com doppler de articulações quadril, que foi normal, e a Ressonância Magnética de coluna lombo sacra abaixo.

Qual a principal hipótese diagnóstica?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar este caso. Temos um menino de quatro anos, e a idade é sempre um dado muito importante em pediatria, pois nos ajuda a direcionar o raciocínio para as doenças mais prevalentes em cada faixa etária.
- Ele apresenta uma dificuldade progressiva para caminhar, que é um sintoma alarmante e que nos faz pensar em diversas condições ortopédicas ou neurológicas.
- Além disso, a criança está querendo muito colo e muito irritada, o que sugere um quadro de dor ou desconforto significativo que a impede de se movimentar e a deixa mais manhosa.
- Essa dificuldade e irritabilidade já duram há 30 dias, o que caracteriza um quadro subagudo a crônico, e não uma condição aguda de início súbito.
- Os pais relatam picos febris esporádicos, mesmo que não aferidos, o que nos alerta para a possibilidade de um processo inflamatório ou infeccioso em curso.
- O quadro piorou, e a criança agora apresenta muita dor à manipulação e não consegue sair da cama, indicando uma progressão da doença e um comprometimento funcional importante.
- Foi realizada uma ultrassonografia com Doppler de articulações do quadril, que foi normal. Isso é um dado muito importante, pois afasta causas comuns de claudicação e dor em crianças, como sinovite transitória ou artrite séptica do quadril, direcionando nossa investigação para outras áreas.
- Com a exclusão do quadril, e considerando a dor e a dificuldade de mobilização, a investigação se voltou para a coluna, com a realização de uma Ressonância Magnética de coluna lombossacra.
- A combinação de dor, recusa de mobilização, febre esporádica e a exclusão de patologia no quadril, nos leva a pensar em um processo inflamatório ou infeccioso na coluna vertebral.
- A Ressonância Magnética é o exame padrão ouro para avaliar a coluna e identificar alterações no disco e nas vértebras adjacentes, que são cruciais para o diagnóstico diferencial.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere Infiltração leucêmica. Embora a infiltração leucêmica possa causar dor óssea, o padrão de acometimento discal que a Ressonância Magnética provavelmente mostrou, favorece outra hipótese diagnóstica.
- A alternativa B propõe Osteomielite. A osteomielite é uma infecção óssea, e a infecção vertebral pode coexistir. No entanto, o acometimento primário e característico do disco intervertebral, que é o que a Ressonância Magnética provavelmente evidenciou, é o que define a espondilodiscite, e não apenas uma osteomielite vertebral isolada.
- A alternativa D menciona Osteossarcoma. O osteossarcoma é um tumor ósseo maligno que geralmente se origina com uma lesão óssea tumoral primária, e não com esse padrão discal infeccioso ou inflamatório que o quadro clínico e a Ressonância Magnética sugerem.
- Finalmente, a alternativa C, Espondilodiscite. A espondilodiscite é uma inflamação ou infecção que afeta o disco intervertebral e as vértebras adjacentes. A dor, a recusa de mobilização e a alteração do disco e das vértebras adjacentes, que seriam vistas na Ressonância Magnética, sustentam fortemente essa hipótese diagnóstica, encaixando-se perfeitamente com o quadro clínico do menino.
- Então, para revisar rapidamente: uma criança de quatro anos, com dor vertebral e recusa para caminhar, especialmente se houver febre, sempre nos faz pensar em espondilodiscite.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bone and joint infectionRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.