Lactente de 8 meses inicia fezes líquidas e ácidas logo após reintrodução de fórmula com lactose após quadro viral recente; há dermatite perianal e melhora parcial com jejum curto, piora após mamadas. Sem sangue nas fezes, sem toxemia. Estabelecer 0 mecanismo fisiopatológico predominante para o quadro e sua base conceitual:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Nosso paciente é um lactente de 8 meses, e essa idade é importante porque nos ajuda a pensar nas causas mais comuns de diarreia nessa faixa etária.
- Ele iniciou com fezes líquidas e ácidas. As fezes ácidas são um sinal bem característico de má absorção de carboidratos, como a lactose, devido à fermentação bacteriana.
- O quadro surgiu logo após a reintrodução de fórmula com lactose, que tinha sido suspensa após um quadro viral recente. Esse é um dado crucial, pois a gastroenterite viral pode causar lesão temporária da borda em escova, levando à deficiência de lactase.
- A criança também apresenta dermatite perianal, que é uma consequência comum das fezes ácidas, irritando a pele sensível da região.
- Um ponto muito importante é que há melhora parcial com jejum curto e piora após as mamadas. Isso sugere fortemente que a diarreia está ligada à ingestão de algo, e não é um processo secretor contínuo.
- Por fim, a ausência de sangue nas fezes e de toxemia nos ajuda a descartar processos inflamatórios invasivos ou infecções bacterianas mais graves.
- Juntando todos esses pontos, o quadro viral recente pode ter causado uma lesão transitória na borda em escova do intestino, que é onde a lactase, a enzima que digere a lactose, está localizada.
- Com essa deficiência temporária de lactase, quando a fórmula com lactose é reintroduzida, a lactose não é digerida e permanece no lúmen intestinal.
- A lactose não absorvida aumenta a osmolaridade dentro do intestino, atraindo água para o lúmen, o que resulta em diarreia. Além disso, ela é fermentada por bactérias, produzindo ácidos que causam as fezes ácidas e a dermatite perianal.
- A melhora com o jejum e a piora com as mamadas confirmam que a diarreia é dependente da ingestão de lactose, caracterizando uma diarreia osmótica.
- Agora vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A fala em promover hipersecreção de íons para a luz intestinal como evento primário. Isso descreve a diarreia secretora, que geralmente persiste mesmo com jejum, o que não é o caso do nosso paciente.
- A alternativa B sugere desencadear inflamação invasiva da mucosa com exsudação proteica. Diarreias inflamatórias invasivas costumam apresentar sangue nas fezes ou outros sinais de inflamação, como febre e toxemia, que foram explicitamente negados no enunciado.
- A alternativa C menciona acelerar o trânsito intestinal por hiperatividade do reflexo gastrocólico como fator principal. Embora o trânsito possa estar acelerado, essa explicação isolada não justifica a relação específica com a lactose, as fezes ácidas e a melhora com o jejum.
- A alternativa D fala em ativar toxinas bacterianas enterotóxicas e manter perdas hídricas independentemente da ingesta. As enterotoxinas provocam um mecanismo de secreção, que, como já vimos, não se encaixa no quadro de melhora com jejum e piora com a ingestão de lactose.
- A alternativa E, a correta, descreve perfeitamente o mecanismo. Acumular solutos intraluminais não absorvidos, no caso a lactose, aumenta a osmolaridade intestinal, atraindo água e produzindo a diarreia que, de fato, melhora com o jejum. Isso se alinha com todos os dados do nosso paciente.
- Então, para revisar rapidamente, em uma criança que apresenta diarreia com fezes ácidas e melhora com jejum após um quadro viral e reintrodução de lactose, pense sempre em diarreia osmótica por intolerância transitória à lactose.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Diarreia aguda infecciosaSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.