Menina, 4 anos de idade, há 2 dias come menos, queixa-se de dor abdominal, e urina várias vezes ao dia em pequenas quantidades. Hoje apresentou 1 pico febril de 37,8 °C. Evacua a cada 2 dias, fezes formadas, com pouco esforço. Controla esfíncteres desde os 3 anos, tende a reter urina e fezes e adiar a ida ao banheiro até a urgência. Dorme com fralda, molhada cerca de 2 vezes por semana. Ao exame tem hiperemia de genital, sem outras alterações. Foi colhido exame de urina e urocultura por jato médio, com pH 6, densidade 1015, proteína, corpos cetônicos, glicose, bilirrubina, hemoglobina e nitrito ausentes. Esterase leucocitária +/ +4. Leucócitos 15.000/mL, hemácias 4.000/mL, cilindros ausentes e presença de algumas bactérias. A conduta indicada para o quadro, enquanto se aguarda a urocultura, é prescrever:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico dessa menina de quatro anos.
- A idade dela é importante porque algumas condições são mais comuns em certas faixas etárias e a abordagem diagnóstica e terapêutica pode mudar.
- Ela apresenta sintomas como dor abdominal e urina várias vezes ao dia em pequenas quantidades, o que chamamos de polaciúria e disúria, sugerindo um quadro urinário.
- O pico febril de 37,8 graus Celsius é uma febre baixa, o que nos faz pensar em um quadro menos grave, talvez uma infecção do trato urinário baixa ou até uma vulvovaginite.
- É crucial notar que ela tem um histórico de reter urina e fezes, e adiar a ida ao banheiro, além de enurese noturna, o que aponta para uma disfunção miccional e intestinal.
- Ao exame físico, a hiperemia de genital é um achado importante, pois pode indicar uma vulvovaginite, que é uma causa comum de sintomas urinários em meninas pequenas.
- Nos exames de urina, a ausência de nitrito é um dado relevante, pois o nitrito é um marcador de infecção bacteriana por germes que reduzem nitrato, e sua ausência pode diminuir a probabilidade de uma infecção bacteriana típica, embora não a exclua totalmente.
- Por outro lado, a esterase leucocitária positiva e a presença de leucócitos e algumas bactérias na urina indicam piúria e bacteriúria, o que sugere um processo inflamatório ou infeccioso no trato urinário.
- Considerando os sintomas miccionais, a febre baixa, a hiperemia genital e o histórico de disfunção vesicointestinal, precisamos diferenciar entre uma infecção do trato urinário e uma vulvovaginite.
- Apesar da piúria e bacteriúria, a ausência de nitrito e a presença de hiperemia genital nos levam a considerar que a irritação local pode ser a principal causa dos sintomas, ou pelo menos um fator contribuinte importante.
- A questão pede a conduta enquanto se aguarda a urocultura, que é o exame padrão ouro para confirmar ou excluir uma infecção do trato urinário.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere amoxicilina por via oral a cada seis horas.
- A amoxicilina não é a primeira escolha empírica para infecção do trato urinário em muitas regiões devido à alta resistência bacteriana, e a escolha empírica deve considerar a probabilidade de infecção e o perfil de resistência local.
- A alternativa B propõe ciprofloxacina por via oral a cada doze horas.
- As fluoroquinolonas, como a ciprofloxacina, não são a primeira escolha rotineira para infecções do trato urinário em crianças em ambiente ambulatorial, sendo reservadas para casos específicos devido a possíveis efeitos adversos.
- A alternativa C sugere ácido nalidíxico por via oral a cada seis horas.
- O ácido nalidíxico não é uma opção empírica preferida nos protocolos atuais para infecção do trato urinário em crianças.
- A alternativa D indica ceftriaxona intramuscular em dose única.
- Uma dose isolada de ceftriaxona não é um tratamento completo para uma infecção do trato urinário confirmada e não substitui uma avaliação e um esquema terapêutico adequado.
- Finalmente, a alternativa E propõe banho de assento e retorno para o resultado da urocultura ou em vinte e quatro horas se houver persistência de febre ou novos sintomas.
- Esta é a conduta mais adequada para o quadro. Os cuidados locais, como o banho de assento, são importantes para a hiperemia genital e podem aliviar os sintomas de irritação. O retorno para reavaliação garante que uma possível infecção do trato urinário não seja negligenciada, especialmente com a piúria e bacteriúria presentes, enquanto se aguarda o resultado da urocultura para uma decisão mais precisa sobre o uso de antibióticos.
- Em uma criança com sintomas urinários, hiperemia genital e nitrito negativo, mas com piúria e bacteriúria, a conduta inicial pode ser expectante com medidas locais enquanto se aguarda a urocultura, especialmente se a criança estiver estável e com febre baixa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Infecção urinária: diagnóstico, investigação e prevençãoSBP, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.