Menina, 9 anos de idade, em tratamento para leucemia linfoide aguda, apresenta recidiva precoce, sem opções curativas disponíveis. Os pais, bastante angustiados, solicitam uma reunião com a equipe de saúde. O médico responsável convida a psicóloga e a enfermeira para participar do encontro. Durante a conversa, o pai insiste que “a filha não pode saber da gravidade”, enquanto a mãe se mostra em dúvida, dizendo que a menina já percebe que algo está acontecendo. A criança, por sua vez, vem fazendo perguntas diretas à equipe sobre seu tratamento e alta hospitalar. Após o reconhecimento dos sentimentos dos pais, qual deve ser a conduta mais adequada da equipe ao comunicar más notícias neste contexto?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso. Temos uma menina de nove anos de idade, o que é um dado importante para entender o nível de compreensão dela.
- Ela está em tratamento para leucemia linfoide aguda, e o mais preocupante é que apresenta recidiva precoce, sem opções curativas disponíveis. Isso nos mostra a gravidade da situação e a necessidade de uma comunicação muito delicada.
- Os pais estão bastante angustiados, e essa angústia precisa ser reconhecida e acolhida pela equipe.
- O pai insiste que a filha não pode saber da gravidade, o que é um desejo comum de proteção, mas que pode entrar em conflito com o direito da criança à informação.
- Já a mãe se mostra em dúvida, dizendo que a menina já percebe que algo está acontecendo. Isso valida a percepção da criança e a necessidade de abordar o assunto.
- E, por fim, a própria criança vem fazendo perguntas diretas à equipe sobre seu tratamento e alta hospitalar, o que é um sinal claro de que ela quer e precisa de informações.
- Com uma criança de nove anos, em idade escolar, sabemos que ela já tem capacidade de compreender informações complexas, desde que sejam explicadas de forma adequada ao seu desenvolvimento.
- A situação de recidiva sem opções curativas exige uma comunicação honesta, mas também empática, considerando o impacto emocional em todos os envolvidos.
- O conflito entre o desejo do pai de proteger a filha e a percepção e o desejo de informação da criança é o cerne da questão. Precisamos mediar essa situação, respeitando a autonomia progressiva da menina.
- A equipe deve buscar um equilíbrio entre o direito da criança à informação e o apoio à família, construindo uma comunicação que seja verdadeira e acolhedora.
- Vamos analisar a alternativa A. Atender ao pedido do pai e conversar com a criança minimizando a gravidade do quadro, preservando-a do sofrimento. Isso não é adequado, pois minimizar deliberadamente a gravidade pode comprometer a confiança da criança na equipe e a sua própria compreensão da situação, além de ir contra o direito dela de saber.
- A alternativa B propõe fornecer informações à criança de acordo com seu nível de compreensão, garantindo sua autonomia no processo de decisão. Embora a informação adequada seja crucial, garantir a autonomia decisória completa para uma criança de nove anos em um contexto tão grave pode ser excessivo e não considera a participação familiar, que é fundamental.
- A alternativa C sugere priorizar a comunicação realizada pela equipe multiprofissional, a fim de minimizar o impacto emocional. A equipe multiprofissional é essencial e ajuda muito, mas a prioridade não é apenas minimizar o impacto emocional, e sim avaliar o desejo e a compreensão da criança. A equipe multiprofissional não substitui a avaliação individual do desejo de informação da criança.
- Por fim, a alternativa D: Avaliar o grau de compreensão e desejo de informação da criança, e construir junto à família uma forma adequada de comunicação. Esta é a conduta mais adequada. Ela reconhece a capacidade da criança de nove anos, respeita o desejo dela de saber, e envolve a família na construção dessa comunicação, buscando um consenso e uma forma que seja honesta e compatível com o desenvolvimento da menina.
- Então, em uma criança de nove anos, com desejo de informação e pais conflitantes, pense sempre em comunicação honesta e adaptada ao seu desenvolvimento, envolvendo a família de forma colaborativa.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Código de Ética Médica — sigilo, autonomia e pesquisaCFM, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.