Menino, 1 ano e 8 meses de idade, nascido a termo com peso de 2.720 gramas, sem intercorrências desde o nascimento. Recebeu aleitamento materno exclusivo até 6 meses e atualmente come todos os grupos alimentares em pequena quantidade, pois prefere o seio materno. Exame físico: descorado, sem outras alterações. Hemograma: Hb = 8,2 g/dL, Ht = 23%, microcitose, leucócitos = 17.000/mm³, plaquetas = 970.000/mm³ e bioquímica do ferro normal. Considerando o diagnóstico mais provável, qual o exame a ser solicitado para confirmação?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso clínico. Primeiro, temos um menino de 1 ano e 8 meses de idade. Essa idade é importante porque nos ajuda a pensar nas causas mais comuns de anemia para essa faixa etária.
- Ele nasceu a termo, com peso de 2.720 gramas, e não teve intercorrências desde o nascimento. Isso nos mostra que não há histórico de problemas congênitos ou perinatais que justifiquem a anemia agora.
- A mãe relata que ele recebeu aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, o que é ótimo. No entanto, atualmente ele come todos os grupos alimentares em pequena quantidade, pois prefere o seio materno. Esse dado é um alerta para uma possível deficiência nutricional, especialmente de ferro, que é muito comum nessa idade.
- No exame físico, o menino está descorado, mas sem outras alterações. A descoloração é um sinal clássico de anemia, confirmando a suspeita clínica.
- Agora, vamos aos exames. O hemograma mostra uma hemoglobina de 8,2 gramas por decilitro e um hematócrito de 23 por cento, o que confirma uma anemia de grau moderado.
- O hemograma também aponta microcitose. Esse é um dado muito importante, pois nos diz que as hemácias estão menores que o normal, direcionando o diagnóstico diferencial da anemia.
- Os leucócitos estão em 17.000 por milímetro cúbico, um pouco elevados, mas não é o achado principal aqui. Já as plaquetas estão bem elevadas, em 970.000 por milímetro cúbico. Uma trombocitose reativa é comum em anemias, inclusive na deficiência de ferro.
- E aqui vem o dado mais crucial: a bioquímica do ferro está normal. Isso é fundamental porque, apesar da história alimentar que sugeriria deficiência de ferro, os exames mostram que as reservas de ferro estão adequadas.
- Então, temos uma criança com anemia microcítica e, apesar de uma dieta que poderia levar à deficiência de ferro, a bioquímica do ferro está normal. Isso nos faz descartar a anemia ferropriva como a causa principal, ou pelo menos a única causa.
- Quando a anemia é microcítica, mas o ferro está normal, devemos pensar em outras causas. As hemoglobinopatias, especialmente as talassemias, são as principais suspeitas nesse cenário, pois cursam com microcitose e, muitas vezes, com ferro normal ou até elevado.
- A trombocitose reativa que observamos também pode estar presente em talassemias, reforçando nossa hipótese diagnóstica.
- Portanto, para confirmar a suspeita de uma hemoglobinopatia, precisamos de um exame que avalie as cadeias de hemoglobina.
- Vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere a dosagem de G6PD. A deficiência de G6PD causa anemia hemolítica, que geralmente é normocítica ou macrocítica, e não explica a microcitose com ferro normal que vemos neste caso.
- A alternativa B propõe o mielograma. O mielograma é um exame invasivo da medula óssea, usado para investigar doenças como leucemias ou aplasias. Não é a primeira escolha para investigar uma hemoglobinopatia.
- A alternativa D fala sobre a curva de fragilidade osmótica. Esse exame é utilizado para investigar esferocitose hereditária, que também causa anemia hemolítica, mas não se manifesta tipicamente com microcitose e ferro normal, como no nosso paciente.
- Finalmente, a alternativa C sugere a eletroforese de hemoglobina. Este é o exame padrão ouro para identificar os diferentes tipos de hemoglobina e suas frações, sendo essencial para o diagnóstico de talassemias e outras hemoglobinopatias, que se encaixam perfeitamente no quadro de anemia microcítica com ferro normal.
- Então, uma criança de 1 ano e 8 meses, com anemia microcítica e ferro normal, pense sempre em talassemia.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Anaemia — diagnóstico diferencial e deficiências nutricionaisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.