Menino, 7 anos, previamente hígido, apresentou, durante a madrugada, episódio semelhante ao que o havia acometido por cerca de 2 minutos, há 7 meses, também de madrugada. Conforme relato da mãe, de repente ouviu um barulho vindo do quarto do filho e o encontrou sentado na cama, babando e com a fala alterada. Poucos minutos depois, o menino relatou à mãe que, durante essa situação, sentira dormência na língua, lábios, gengiva e bochecha. À tarde, após o episódio, o médico da unidade de emergência constatou exame físico normal, e o eletroencefalograma mostrou padrão interictal, caracterizado por ondas agudas bifásicas, com alta amplitude, seguidas de ondas lentas com projeção nas regiões centro-temporais, que se exacerbam durante o sono. De acordo com VI,ITI as informações apresentadas, o diagnóstico mais provável é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Um menino de sete anos de idade é um escolar, e essa faixa etária é importante para direcionar nosso raciocínio.
- O episódio ocorreu durante a madrugada, o que nos faz pensar em eventos relacionados ao sono.
- É um episódio recorrente, já havia acontecido há sete meses, e a duração de cerca de dois minutos é um dado importante para caracterizar a crise.
- A mãe o encontrou sentado na cama, babando e com a fala alterada. Isso sugere uma crise focal, com envolvimento orofacial.
- A dormência na língua, lábios, gengiva e bochecha relatada pelo menino reforça a localização orofacial da crise.
- O exame físico normal após o episódio é um dado tranquilizador, mas não exclui a causa neurológica.
- E o eletroencefalograma, que é fundamental, mostrou um padrão interictal com ondas agudas bifásicas, de alta amplitude, seguidas de ondas lentas, com projeção nas regiões centro-temporais, e que se exacerbam durante o sono. Essa é a chave para o diagnóstico.
- Juntando todos esses pontos, temos um menino em idade escolar, com crises focais orofaciais que ocorrem predominantemente durante o sono, e um eletroencefalograma com achados clássicos de pontas centro-temporais que se ativam no sono.
- Essa combinação de características clínicas e eletroencefalográficas é altamente sugestiva de uma condição epiléptica específica da infância.
- A alternativa A, terror noturno, está incorreta. Embora ocorra durante o sono, o terror noturno é um distúrbio do sono não REM, e não apresenta as características epilépticas, como a babação, a alteração da fala e, principalmente, o padrão do eletroencefalograma descrito.
- A alternativa C, Síndrome de Landau-Kleffner, está incorreta. Essa síndrome é caracterizada por uma afasia adquirida, ou seja, uma regressão da linguagem, que não é o quadro principal do nosso paciente. Embora possa ter achados de eletroencefalograma semelhantes, a manifestação clínica central é diferente.
- A alternativa D, episódio isquêmico transitório, está incorreta. Um evento isquêmico não explicaria as descargas centro-temporais ativadas pelo sono no eletroencefalograma, que são achados típicos de epilepsia.
- A alternativa B, Epilepsia rolândica, é a correta. O quadro clínico de crises focais orofaciais, que ocorrem predominantemente durante o sono, em crianças em idade escolar, associado ao eletroencefalograma com pontas centro-temporais que se exacerbam no sono, é o padrão clássico da Epilepsia Rolândica, também conhecida como Epilepsia Autolimitada com Pontas Centro-Temporais.
- Então, uma criança de sete anos, com crises focais orofaciais durante o sono e eletroencefalograma com pontas centro-temporais, pense sempre em Epilepsia Rolândica.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Practical clinical definition of epilepsyILAE, 2014 — definição vigente · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.