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Pediatrando

Menino de 4 anos, previamente hígido, residente em área urbana com registro recente de casos de leishmaniose, é levado ao pronto atendimento com história de febre diária há 3 semanas, inapetência e perda ponderal. Evoluiu com palidez progressiva e aumento do volume abdominal. Ao exame físico, apresenta-se emagrecido, febril (38,5 °C), com palidez cutaneomucosa importante, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito e baço palpável a 6 cm do rebordo costal esquerdo. Não há linfonodomegalias generalizadas. Exames laboratoriais mostram hemoglobina de 7,8 g/dL, leucócitos de 2.400/mm3, plaquetas de 85.000/mm3, albumina reduzida e aumento discreto de transaminases. Teste rápido imunocromatográfico (rK39) positivo. Qual é a conduta mais adequada?

Símbolo de grau perdido na transcrição da prova. Erro de digitação: hemogiobina no lugar de hemoglobina.

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Resposta: C

  1. A) Solicitar aspirado de medula óssea antes de iniciar terapêutica.

    O aspirado de medula óssea (pesquisa de amastigotas) ajuda quando a sorologia é negativa ou duvidosa, mas não é obrigatório: quadro clínico compatível com teste rápido rK39 reagente confirma o caso. Adiar o tratamento numa criança com pancitopenia e hipoalbuminemia aumenta o risco de infecção bacteriana e sangramento.

  2. B) Solicitar biópsia hepática para confirmação diagnóstica antes de tratar.

    Biópsia hepática é invasiva, arriscada com plaquetopenia e desnecessária; o diagnóstico de calazar se apoia em sorologia (rK39, imunofluorescência), parasitológico de medula ou PCR. Não há indicação de biópsia de fígado para confirmar a doença.

  3. C) Iniciar tratamento com anfotericina B lipossomal em regime hospitalar.

    Calazar confirmado por rK39 em criança com pancitopenia, hipoalbuminemia e emagrecimento deve ser tratado já. A anfotericina B lipossomal (3 mg/kg/dia IV por 7 dias, cerca de 20 mg/kg no total) tem a maior eficácia e o melhor perfil de segurança, é a preferida para as Américas e, em 2026, teve as formulações lipídicas incorporadas ao SUS para a LV; a infusão diária e a vigilância de complicações justificam o regime hospitalar.

  4. D) Iniciar tratamento com antimonial pentavalente em regime ambulatorial.

    O antimoniato de meglumina (20 mg/kg/dia de Sb+5 por 20 a 40 dias) foi por anos a primeira escolha do Ministério da Saúde para quem não tinha critérios de gravidade, mas exige ECG, tem toxicidade cardíaca, pancreática e hepática e vem sendo substituído pelas formulações lipídicas de anfotericina, incorporadas em 2026. Além disso, anemia importante, leucopenia e hipoalbuminemia não combinam com tratamento ambulatorial.

Resumo para lembrar

Leishmaniose visceral (calazar) é febre prolongada com hepatoesplenomegalia, pancitopenia e hipoalbuminemia em área endêmica; quadro compatível com teste rápido rK39 reagente confirma o caso e autoriza tratar. A anfotericina B lipossomal (3 mg/kg/dia IV por 7 dias) é a opção mais eficaz e segura, e o SUS incorporou as formulações lipídicas para a LV em 2026.

Explicação

Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em