Paciente de 5 anos, 20 kg, vem ao pronto atendimento por diarreia aquosa persistente. Na sala de espera faz crise convulsiva focal e febre de 38 °C. Os seus exames laboratoriais mostram sódio de 119 mEq/L, potássio de 4,8 mEq/L, cálcio sérico 9,2 mg/dL e magnésio de 1,7 mEq/L. Qual a conduta indicada para a prevenção de novas crises convulsivas?
Símbolo do quilograma em minúscula. Símbolo de grau perdido na transcrição da prova. Fórmula do cloreto de sódio com l minúsculo (estava I maiúsculo) e unidade mL. Fórmula do cloreto de sódio com l minúsculo (estava I maiúsculo).
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico, residente. Temos um paciente de cinco anos de idade, o que já nos diz que é uma criança maior, e não um bebê ou um adolescente...
- Ele vem ao pronto atendimento por uma diarreia aquosa que já está persistente, o que sugere uma perda contínua de líquidos e eletrólitos...
- E, o dado mais alarmante, é que na sala de espera ele faz uma crise convulsiva focal. Isso é um sinal neurológico grave e agudo, que nos coloca em alerta máximo...
- A febre de 38 graus Celsius é um achado importante, que pode indicar um processo infeccioso subjacente, mas o foco principal agora é a convulsão...
- Nos exames laboratoriais, o sódio de 119 miliequivalentes por litro é o dado mais crítico. Isso é uma hiponatremia grave, e é a principal suspeita para a crise convulsiva...
- Já o potássio de 4,8 miliequivalentes por litro, o cálcio sérico de 9,2 miligramas por decilitro e o magnésio de 1,7 miliequivalentes por litro estão todos dentro da normalidade, o que nos ajuda a focar no sódio...
- A pergunta é sobre a conduta para prevenir novas crises convulsivas, o que reforça a urgência e a necessidade de intervir rapidamente na causa neurológica...
- Então, diante de uma criança com diarreia persistente e uma hiponatremia grave de 119 miliequivalentes por litro, que culmina em uma crise convulsiva focal, temos um quadro de hiponatremia sintomática grave...
- Essa condição é uma emergência neurológica que exige uma correção rápida do sódio para cessar os sintomas e, principalmente, prevenir novas crises...
- O objetivo inicial não é normalizar o sódio de uma vez, mas sim elevá-lo o suficiente para reverter o edema cerebral e os sintomas agudos, como a convulsão...
- Vamos analisar a alternativa B. Infundir hidratação de manutenção com soro fisiológico a 0,9 por cento não é adequado para uma hiponatremia grave com convulsão...
- O soro fisiológico a 0,9 por cento tem 154 miliequivalentes por litro de sódio, o que é muito próximo do sódio sérico normal, e elevaria o sódio muito lentamente, sem resolver a urgência neurológica. Além disso, o gluconato de cálcio não tem papel aqui, já que o cálcio do paciente está normal...
- Analisando a alternativa C. Infundir soro ringer-lactato a 20 mililitros por quilo em dez a vinte minutos é uma conduta para choque, que não é o caso aqui, e o ringer-lactato tem 130 miliequivalentes por litro de sódio, insuficiente para corrigir uma hiponatremia grave...
- Além disso, o potássio do paciente está normal, então usar diuréticos de alça para reduzi-lo seria inadequado e ainda pioraria a perda de volume da diarreia...
- Agora, sobre a alternativa D. Corrigir rapidamente para elevar o sódio em onze miliequivalentes por litro na primeira hora é perigoso...
- Elevar o sódio tão rapidamente ultrapassa o limite de oito miliequivalentes por litro em vinte e quatro horas e expõe a criança ao risco de síndrome de desmielinização osmótica, uma complicação neurológica grave. O objetivo inicial é apenas cessar os sintomas agudos, elevando o sódio em poucos miliequivalentes por litro...
- Portanto, a alternativa correta é a A. A infusão em bolus de cloreto de sódio a 3 por cento, de três a cinco mililitros por quilo, é a conduta indicada para a hiponatremia sintomática grave...
- Essa dose eleva o sódio em cerca de dois a três miliequivalentes por litro, o suficiente para reduzir o edema cerebral e prevenir novas crises convulsivas. Depois de controlar a urgência, a correção deve ser mais lenta, para evitar complicações como a desmielinização osmótica...
- Então, residente, lembre-se: uma criança com hiponatremia grave e crise convulsiva, pense sempre na necessidade de uma correção rápida e segura do sódio para estabilizar o quadro neurológico...
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hyponatremia in children: evaluation and managementUpToDate, versão online · conferida em 03/10/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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