Paciente com 6 anos, sexo masculino, é levado pela mãe ao PA com queixa de lesões na cavidade oral, odinofagia e febre alta persistente de 39-40 graus, há 3 dias. Mãe acredita ser amigdalite e relata que paciente apresenta esse quadro quase todo mês no último ano, tendo feito uso de muitos antibióticos diferentes, pois demora a melhorar com eles. Informa que o último quadro foi há 1 mês e meio e o filho recebeu ceftriaxona IM por 5 dias. Ao exame, paciente apresenta febre de 39 graus, oroscopia com múltiplas aftas na cavidade oral, placas de pus e amígdalas e linfonodos cervicais móveis, fibroelásticos, indolores à palpação. Considerando esse quadro, assinale a alternativa correta.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Primeiro, a idade do paciente, 6 anos, nos diz que estamos lidando com uma criança em idade escolar, o que é importante para o perfil epidemiológico de algumas doenças.
- Ele apresenta lesões na cavidade oral, odinofagia e febre alta, de 39 a 40 graus, persistente por 3 dias, o que já indica um processo inflamatório ou infeccioso importante.
- A mãe relata que o paciente apresenta esse quadro quase todo mês no último ano, o que é um dado crucial, apontando para uma periodicidade nos sintomas.
- Outro ponto importante é que ele já fez uso de muitos antibióticos diferentes e demora a melhorar com eles, sugerindo que a causa não é bacteriana ou que há resistência, ou ainda que não é uma infecção típica.
- A informação de que o último quadro foi há 1 mês e meio reforça a característica de recorrência e periodicidade dos episódios.
- Ao exame, a oroscopia revela múltiplas aftas na cavidade oral, um achado bem específico que, junto com a febre e a odinofagia, nos dá pistas importantes.
- Também são observadas placas de pus e amígdalas e linfonodos cervicais móveis, fibroelásticos e indolores à palpação, o que indica uma faringite e adenite, mas sem sinais de infecção bacteriana grave ou abscesso.
- A combinação de febre periódica, aftas na boca, faringite e linfonodos aumentados, sem uma causa infecciosa clara que responda a antibióticos, nos faz pensar fortemente na síndrome de febre periódica com estomatite aftosa, faringite e adenite, o PFAPA.
- A alternativa A sugere amigdalectomia profilática e amoxicilina. A amigdalectomia não é obrigatória antes de um diagnóstico bem estabelecido e de discutir outras opções de tratamento para o PFAPA, e a amoxicilina não é o tratamento para a causa base.
- Já a alternativa B também propõe amigdalectomia e amoxicilina. O problema aqui é que antibióticos, como a amoxicilina, não tratam os episódios inflamatórios periódicos do PFAPA, que é uma síndrome autoinflamatória, não infecciosa bacteriana.
- A alternativa C menciona herpangina e amoxicilina. A herpangina é uma infecção viral, e o uso de amoxicilina não seria indicado, a menos que houvesse uma complicação bacteriana secundária, o que não é o caso aqui. Além disso, a periodicidade é um ponto forte contra herpangina isolada.
- Finalmente, a alternativa D acerta ao propor o diagnóstico de febre periódica com estomatite aftosa e adenite, o PFAPA. A conduta de prescrever corticoide em dose única é uma estratégia comum para abortar os episódios de febre no PFAPA, e o seguimento ambulatorial é fundamental para confirmar o diagnóstico e investigar outros diferenciais.
- Então, em uma criança com febre recorrente, aftas, faringite e adenite, que não responde a antibióticos, pense sempre na síndrome PFAPA.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Febre periódica, estomatite aftosa, faringite e adenitePRINTO/PReS, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.