Pré-escolar, masculino, dois anos de idade, é levado à consulta por apresentar aumento de volume abdominal. A mãe refere que, há dois dias, percebeu uma "bola na barriga" da criança. Exame físico: PA = 110 x 70 mmHg, peso e estatura no percentil 50. Corado, hidratado, membro inferior direito 1 cm maior que o esquerdo na circunferência mediana da coxa e da perna. Exames laboratoriais: hematúria macroscópica. US abdominal: massa tumoral na região retroperitoneal, correspondente à loja renal. Qual é a hipótese diagnóstica?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um pré-escolar, um menino de dois anos de idade, o que já nos dá uma faixa etária importante para pensar em algumas patologias pediátricas específicas.
- A queixa principal é um aumento de volume abdominal, e a mãe percebeu uma 'bola na barriga' há dois dias. Isso nos indica uma massa abdominal de aparecimento relativamente agudo, mas que já está presente há algum tempo.
- No exame físico, a pressão arterial é de 110 por 70 milímetros de mercúrio. Para uma criança de dois anos, essa pressão está elevada, o que pode ser um sinal importante em tumores renais.
- Outro achado físico muito relevante é que o membro inferior direito é 1 centímetro maior que o esquerdo. Essa assimetria, conhecida como hemihiperplasia, é um sinal associado a algumas síndromes e tumores específicos.
- Nos exames laboratoriais, a criança apresenta hematúria macroscópica, ou seja, sangue visível na urina. Isso aponta para um problema no trato urinário, especialmente nos rins.
- Por fim, a ultrassonografia abdominal revela uma massa tumoral na região retroperitoneal, especificamente correspondente à loja renal. Isso confirma que estamos lidando com um tumor de origem renal.
- Juntando os pontos, temos uma criança pequena com uma massa renal, hipertensão e hematúria. Esses são achados clássicos que nos levam a pensar em um tumor renal maligno.
- A presença da hemihiperplasia, ou seja, a assimetria dos membros, é um achado que reforça ainda mais a suspeita de um tipo específico de tumor renal que é comum nessa faixa etária.
- Agora, vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere pielonefrite.
- A pielonefrite é uma infecção renal, e embora possa causar dor e febre, ela não explica a presença de uma massa tumoral bem definida no ultrassom, nem a hemihiperplasia ou a hipertensão de forma tão característica.
- A alternativa B menciona neuroblastoma.
- O neuroblastoma pode, de fato, produzir uma massa retroperitoneal, mas a ultrassonografia indicou que a massa corresponde à loja renal, ou seja, é de origem renal. O neuroblastoma geralmente se origina das células da crista neural, não do rim em si.
- A alternativa D fala em linfoma.
- Embora o linfoma possa se manifestar de diversas formas, ele é menos típico nesse conjunto de sinais, especialmente a associação com a origem renal da massa e a hemihiperplasia, que são muito sugestivos de outra condição.
- Por fim, a alternativa C, Tumor de Wilms, é a correta.
- O Tumor de Wilms, ou nefroblastoma, é o tumor renal mais comum na infância, tipicamente em crianças de 2 a 5 anos. Ele integra perfeitamente todos os achados do caso: massa abdominal de origem renal, hipertensão, hematúria e, principalmente, a hemihiperplasia, que é uma anomalia congênita frequentemente associada a ele.
- Então, para revisar rapidamente, uma criança de dois anos com massa abdominal de origem renal, hipertensão, hematúria e hemihiperplasia, pense sempre em Tumor de Wilms.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Wilms tumor and other childhood kidney tumors — PDQ profissionalNCI, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.