Pré-escolar, três anos, feminina, é levada ao pronto-socorro após episódio de engasgo súbito enquanto brincava. Os pais não souberam identificar o objeto ingerido. A criança encontra-se estável, mas com discreto aumento da salivação. RX da região esofágica mostra imagem de corpo estranho radiopaco, circular e bem delimitado, com aspecto de duplo anel. A conduta indicada é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos analisar o caso. Temos uma criança pré-escolar, com três anos de idade, do sexo feminino. A idade é importante porque crianças pequenas são mais propensas a engasgos com objetos pequenos.
- Ela foi levada ao pronto-socorro após um episódio de engasgo súbito enquanto brincava. Esse engasgo súbito já nos alerta para a possibilidade de um corpo estranho.
- Os pais não souberam identificar o objeto ingerido, o que é comum e nos impede de saber de cara o que estamos lidando, mas não muda a conduta de investigação.
- A criança encontra-se estável, mas com um discreto aumento da salivação. Esse aumento da salivação é um sinal de que há algo irritando ou obstruindo o esôfago, mesmo que ela esteja clinicamente estável no momento.
- O exame de raio-x da região esofágica mostra uma imagem de corpo estranho radiopaco, circular e bem delimitado, com aspecto de duplo anel. Essa descrição é crucial, pois o 'duplo anel' é o sinal patognomônico de uma bateria tipo botão.
- Então, temos uma criança com um corpo estranho no esôfago, e o raio-x confirmou que é uma bateria de botão. Isso é uma emergência médica grave.
- A bateria de botão no esôfago causa lesões graves muito rapidamente. Ela gera corrente elétrica e libera hidróxido, o que leva à necrose da mucosa em poucas horas, com risco de perfuração e fístula aortoesofágica.
- Por isso, a remoção precisa ser imediata, idealmente em até duas horas após a ingestão. Não podemos esperar, mesmo que a criança esteja estável.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere repetir o raio-x em doze horas, aguardando a evolução clínica do quadro. Isso está incorreto.
- Cada hora que a bateria permanece no esôfago aprofunda a lesão da mucosa. Repetir a radiografia em doze horas admite necrose transmural e perfuração, o que é inaceitável. O controle radiográfico só cabe para baterias que já passaram para o estômago em crianças assintomáticas.
- A alternativa B propõe observar em jejum por vinte e quatro horas, pois é provável a eliminação espontânea. Essa conduta também está incorreta.
- A eliminação espontânea pode ser aguardada para moedas no estômago ou baterias pequenas já gástricas. No entanto, uma bateria retida no esôfago não migra sozinha e precisa ser removida em até duas horas da ingestão para evitar danos graves.
- A alternativa C sugere manter apenas tratamento clínico de suporte, sem necessidade de intervenção. Isso também está errado.
- Não existe tratamento clínico que substitua a remoção para uma bateria esofágica. Medidas como mel ou sucralfato a cada dez minutos até a endoscopia podem atenuar a lesão, mas não a substituem e não resolvem o problema.
- Por fim, a alternativa D indica identificar a gravidade do caso e proceder a remoção endoscópica imediata. Esta é a conduta correta.
- O sinal do duplo anel no raio-x diferencia a bateria de botão de uma moeda e define uma emergência. A remoção endoscópica imediata, idealmente em até duas horas, é fundamental. Após a remoção, é importante avaliar a mucosa sob anestesia e manter vigilância para complicações tardias como fístula, estenose e sangramento.
- Então, lembre-se: criança com corpo estranho radiopaco no esôfago e sinal de duplo anel, pense sempre em bateria tipo botão e na necessidade de remoção endoscópica imediata.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Foreign body ingestion — button batteriesRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 24/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.