Escolar, masculino, 8 anos, apresenta dor abdominal recorrente há 4 meses, predominantemente periumbilical, sem relação com alimentação, sem perda ponderal, febre ou despertares noturnos. Nega constipação. Exame físico: normal, exames laboratoriais também sem alterações. A conduta é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Primeiro, vamos olhar a idade do nosso paciente, um escolar de 8 anos.
- Ele apresenta uma dor abdominal recorrente, que já dura quatro meses. Essa cronicidade é um dado bem importante.
- A dor é predominantemente periumbilical, uma localização clássica para dores funcionais.
- E não tem relação com a alimentação, o que nos ajuda a direcionar o raciocínio.
- O enunciado destaca a ausência de sinais de alarme, como perda ponderal, febre ou despertares noturnos. Isso é crucial para a nossa análise.
- Ele também nega constipação, o que é bom, pois é uma causa comum de dor abdominal em crianças.
- O exame físico está normal, sem achados que sugiram uma causa orgânica.
- E os exames laboratoriais também não mostram nenhuma alteração. Isso nos dá ainda mais segurança.
- Quando temos uma dor abdominal crônica, periumbilical, sem sinais de alarme e com exames físico e laboratoriais normais, a gente já começa a pensar em dor abdominal funcional.
- Pelos critérios de Roma Quatro, essa apresentação se encaixa perfeitamente em dor abdominal funcional, que exige dor por pelo menos dois meses e ausência de doença orgânica.
- Portanto, nosso diagnóstico mais provável aqui é de dor abdominal funcional.
- A alternativa B sugere solicitar tomografia abdominal para afastar patologia orgânica.
- Com um exame físico e laboratorial normais e sem sinais de alarme, a chance de doença orgânica é mínima, e a tomografia expõe a criança à radiação sem necessidade, além de reforçar a ansiedade.
- A alternativa C propõe iniciar tratamento empírico com inibidor de bomba de prótons.
- Esse tipo de tratamento seria mais indicado para dispepsia funcional com dor epigástrica ou sintomas pós-prandiais, o que não é o caso da dor periumbilical sem relação com alimentação que o paciente apresenta.
- Já a alternativa D sugere encaminhar para avaliação cirúrgica eletiva.
- Não há sinais de abdome cirúrgico, massa, vômitos biliosos ou obstrução, então a avaliação cirúrgica é completamente desnecessária e inadequada para um quadro de dor abdominal funcional.
- A alternativa A, que é a correta, orienta a família sobre a benignidade da dor.
- Para a dor abdominal funcional, o tratamento mais eficaz é explicar o diagnóstico positivo, validar a dor da criança, e manter a rotina e a escola, tranquilizando a família sobre a natureza benigna do quadro.
- Criança de 8 anos, com dor abdominal recorrente periumbilical, sem sinais de alarme e exames normais, pense sempre em dor abdominal funcional e tranquilize a família.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Rome IV Criteria — distúrbios gastrointestinais funcionais da criança e do adolescenteRome Foundation, 2016 · conferida em 24/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.