Recém-nascido, feminino, 26 semanas de idade gestacional e peso de 850 g, encontra-se em ventilação mecânica no 2º dia de vida. A conduta mais adequada de nutrição precoce com leite humano é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o enunciado para destacar os pontos importantes. Primeiro, temos um recém-nascido, do sexo feminino.
- A idade gestacional é de 26 semanas, o que nos indica um prematuro extremo. Isso já acende um alerta sobre as necessidades nutricionais específicas.
- O peso de 850 gramas reforça essa condição de prematuridade extrema e baixo peso ao nascer, o que o torna ainda mais vulnerável.
- Ele se encontra em ventilação mecânica, o que significa que está em uma condição clínica delicada, mas isso não impede a nutrição precoce.
- Estamos no segundo dia de vida do bebê, um momento crucial para iniciar a nutrição.
- A questão pede a conduta mais adequada de nutrição precoce com leite humano. O foco é no leite humano e na precocidade.
- Com um recém-nascido prematuro extremo, de 26 semanas e 850 gramas, no segundo dia de vida, a prioridade é iniciar a nutrição enteral o mais cedo possível.
- Mesmo estando em ventilação mecânica, a nutrição enteral mínima, também conhecida como nutrição trófica, é fundamental para estimular o trato gastrointestinal e prevenir complicações.
- O leite humano da própria mãe é sempre a primeira e melhor escolha para esses bebês, devido aos seus inúmeros benefícios imunológicos e nutricionais.
- Vamos analisar a alternativa B. Ela sugere priorizar nutrição parenteral exclusiva até a segunda semana de vida, pois o trato gastrointestinal ainda não estaria funcional.
- Essa alternativa está incorreta porque a nutrição parenteral exclusiva prolongada atrofia a mucosa intestinal, aumenta o risco de colestase e infecção de cateter. O intestino do prematuro extremo, na verdade, tolera e precisa da nutrição enteral mínima precoce para amadurecer.
- A alternativa C propõe ofertar fórmula específica para prematuros, por apresentar melhor densidade calórica e proteica que o leite humano.
- Essa opção está incorreta. Embora a fórmula para prematuros tenha mais proteína e caloria, ela aumenta o risco de enterocolite necrosante. O ideal é o leite humano fortificado com aditivo, mas isso só quando o volume já está maior, por volta de 80 a 100 mililitros por quilo por dia.
- Analisando a alternativa D, ela sugere utilizar leite humano doado pasteurizado enquanto se aguarda a produção da mãe, por ter igual valor nutricional e imunológico.
- Esta alternativa também está incorreta. O leite doado pasteurizado é uma alternativa quando o leite da mãe não está disponível, mas a pasteurização destrói células e reduz componentes importantes como IgA, lactoferrina e lipase. Além disso, o leite de doadoras maduras tem menos proteína, então ele não equivale ao leite materno próprio da mãe do bebê.
- Finalmente, a alternativa A diz para incentivar o uso do leite materno desde a admissão na UTI, devido ao menor risco de enterocolite necrosante e melhor neurodesenvolvimento.
- Essa é a conduta correta. O leite da própria mãe é a prioridade desde a admissão, com ordenha nas primeiras horas, colostro na mucosa oral e nutrição enteral mínima já no primeiro ou segundo dia, mesmo em ventilação mecânica. É a intervenção que mais reduz a enterocolite necrosante e a sepse, além de melhorar o desfecho neurológico do prematuro extremo.
- Então, para um recém-nascido prematuro extremo, com necessidade de nutrição, pense sempre em leite humano da própria mãe precocemente, mesmo em ventilação mecânica.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Enteral nutrition in preterm infants (2022): position paper of the ESPGHAN Committee on NutritionESPGHAN, 2023 · conferida em 24/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.