Adolescente, feminina, 14 anos é trazida pelos pais por ter ganho 10 kg no último ano. Relatam que ela é fisicamente ativa e joga futebol duas vezes por semana. A dieta da família consiste principalmente em refeições prontas. O IMC do paciente é maior que +3 Z-escore. A recomendação inicial para este paciente é:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma adolescente, com 14 anos de idade, o que já nos direciona para algumas condutas específicas para essa faixa etária.
- Ela foi trazida pelos pais por ter ganhado dez quilos no último ano, um ganho de peso significativo e rápido que merece nossa atenção.
- É interessante notar que ela é fisicamente ativa e joga futebol duas vezes por semana, o que nos mostra que a falta de atividade física não é o único fator aqui.
- Um ponto crucial é que a dieta da família consiste principalmente em refeições prontas, o que sugere um padrão alimentar inadequado que afeta a todos em casa.
- E o dado mais impactante é que o Índice de Massa Corporal da paciente é maior que mais três Z-escore, o que a classifica como tendo obesidade grave.
- Com todos esses dados em mente, temos uma adolescente com obesidade grave, um ganho de peso rápido, apesar de ser ativa, e um padrão alimentar familiar inadequado. Isso nos leva a pensar que a intervenção deve ser abrangente e envolver toda a família.
- A base do tratamento para obesidade, mesmo a grave, em adolescentes, sempre começa com a mudança do estilo de vida. É fundamental abordar a alimentação, a atividade física, o sono e o tempo de tela de forma intensiva e com o envolvimento familiar.
- Vamos analisar a alternativa B. Indicar cirurgia bariátrica com 16 anos. A cirurgia bariátrica na adolescência tem critérios muito rigorosos, incluindo a idade mínima de dezesseis anos no Brasil e a falha de um tratamento clínico bem estruturado. Não é a recomendação inicial para uma paciente de quatorze anos, mesmo com obesidade grave.
- Agora, sobre a alternativa C. Prescrever semaglutida para perda de peso. A semaglutida é uma medicação aprovada para adolescentes a partir de doze anos, mas ela é um adjuvante, ou seja, um tratamento complementar. Não é a primeira medida, especialmente sem antes instituir e avaliar um tratamento comportamental e de estilo de vida.
- Analisando a alternativa D. Orientar acompanhamento psicoterápico. O apoio psicológico é muito importante e pode fazer parte do tratamento, principalmente se houver transtornos alimentares, depressão ou bullying. No entanto, ele sozinho não trata a obesidade e não é a recomendação inicial principal para a perda de peso.
- Finalmente, a alternativa A. Orientar comportamento e estilo de vida saudável. Esta é a base do tratamento. Mesmo em casos de obesidade grave, a primeira abordagem é sempre a mudança intensiva do estilo de vida, envolvendo toda a família, focando na alimentação, atividade física, sono e redução do tempo de telas. É um programa estruturado que deve ser tentado antes de qualquer outra intervenção mais invasiva ou medicamentosa.
- Então, criança de quatorze anos, com obesidade grave, pense sempre em tratamento intensivo de estilo de vida familiar como primeira linha de conduta.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual de orientação sobre obesidade — 3ª ediçãoSBP, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.