Recém-nascido, sexo feminino, 2 dias de vida, foi transferido do alojamento conjunto para a uti neonatal devido a desconforto respiratório iniciado há poucas horas. Trata-se de criança nascida de termo (38 semanas), parto vaginal, Apgar 9/9, sem necessidade de manobras de reanimação. Na avaliação atual, apresenta cianose central persistente (SatO2 82% em ar ambiente), sem desconforto respiratório. Ausculta cardíaca com sopro sistólico e pulsos normais. Saturação pré-ductal: 83%; pós-ductal: 80%. Gasometria arterial: pO2 44 mmHg (referência: > 60 mmHg) após 10 min de oferta de oxigênio a 100%. Radiografia de tórax: campos bem expandidos, área cardíaca normal. Quais são o diagnóstico mais provável e a conduta inicial correspondente?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos um recém-nascido, do sexo feminino, com dois dias de vida, que foi transferido para a unidade de terapia intensiva neonatal.
- Ela apresenta desconforto respiratório que começou há poucas horas, o que nos indica uma condição aguda ou subaguda.
- É importante notar que ela nasceu a termo, com 38 semanas, de parto vaginal e com um Apgar excelente, 9 no primeiro e 9 no quinto minuto, sem precisar de manobras de reanimação. Isso nos afasta de muitas causas periparto de desconforto.
- O dado mais chamativo é a cianose central persistente, com uma saturação de oxigênio de 82 por cento em ar ambiente, e o detalhe crucial é que ela está sem desconforto respiratório significativo. Isso já nos faz pensar em causas não pulmonares para a cianose.
- A ausculta cardíaca revela um sopro sistólico, o que sugere uma alteração cardíaca, mas os pulsos estão normais.
- As saturações pré-ductal de 83 por cento e pós-ductal de 80 por cento não mostram uma diferença significativa, o que é importante para descartar algumas cardiopatias específicas com shunt diferencial.
- O teste de hiperoxia é fundamental aqui: a gasometria arterial mostrou uma pressão parcial de oxigênio de 44 milímetros de mercúrio após dez minutos de oferta de oxigênio a 100 por cento. Isso é uma hipoxemia refratária, que não melhora com oxigênio, um sinal clássico de shunt da direita para a esquerda.
- Por fim, a radiografia de tórax mostra campos pulmonares bem expandidos e área cardíaca normal, o que nos afasta de doenças pulmonares graves ou cardiomegalia evidente.
- Juntando todos esses achados, a cianose grave sem desconforto respiratório, a hipoxemia que não responde ao oxigênio e o raio-X de tórax normal, o raciocínio nos leva a pensar fortemente em uma cardiopatia congênita cianótica.
- Considerando que é um recém-nascido de dois dias com cianose grave, é muito provável que essa cardiopatia seja ducto-dependente, ou seja, que o fluxo sanguíneo pulmonar ou sistêmico dependa da persistência do canal arterial.
- Por isso, a conduta inicial mais importante é manter o canal arterial pérvio para garantir a circulação, e a forma de fazer isso é com a infusão de prostaglandina.
- Analisando a alternativa B, que sugere persistência da circulação fetal e ventilação mecânica imediata. Embora a hipertensão pulmonar persistente seja um diagnóstico diferencial para cianose, a ventilação invasiva não é a primeira conduta automática, especialmente sem desconforto respiratório importante.
- A alternativa C fala em Síndrome do Desconforto Respiratório e iniciar CPAP. Essa síndrome é menos provável em um bebê a termo com Apgar bom e com radiografia de tórax mostrando campos bem expandidos, sem o padrão típico de deficiência de surfactante. Além disso, a ausência de desconforto respiratório significativo não aponta para SDR.
- Já a alternativa D sugere Taquipneia Transitória e manter oxigênio sob cateter nasal. A taquipneia transitória geralmente não causa uma hipoxemia tão grave e refratária, e a criança não apresenta taquipneia como sintoma principal, mas sim cianose persistente.
- Por fim, a alternativa A, que propõe Cardiopatia congênita cianótica e iniciar infusão de prostaglandina. Essa é a opção correta, pois a hipoxemia pouco responsiva ao oxigênio, a cianose central sem desconforto respiratório e o raio-X de tórax normal são achados que exigem considerar uma cardiopatia cianótica, e a prostaglandina é fundamental para manter o canal arterial pérvio em casos de suspeita de cardiopatia ducto-dependente.
- Para revisar rapidamente, em um recém-nascido com cianose central persistente e hipoxemia refratária ao oxigênio, mesmo sem desconforto respiratório, pense sempre em cardiopatia congênita cianótica ducto-dependente.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Atendimento ao recém-nascido com suspeita de cardiopatia congênitaSBP, 2022 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.