Recém-nascido, sexo masculino, 12 dias de vida, nascido a termo, aleitamento materno exclusivo, está em consulta de rotina. A mãe relata boa sucção e ganho de peso, sem queixas no momento. Mama a cada 3 horas, inclusive na madrugada. Relata diurese clara abundante e evacuações amareladas pastosas de 4 a 5 vezes ao dia. Ao exame clínico, é notada icterícia visível até joelhos, sem outros achados relevantes. Colhidos exames laboratoriais, com bilirrubina total: 13,8 mg/dL; bilirrubina indireta: 13,2 mg/dL; bilirrubina direta: 0,6 mg/dL; Coombs direto negativo; reticulócitos 2,0% (referência: 0,5–3%); TSH 2,5 μUI/mL (referência: 0,5–6,0 μUI/mL). Peso atual 3.380 g (ao nascer 3.250 g). Qual é a conduta mais adequada?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um recém-nascido, do sexo masculino, com doze dias de vida, que nasceu a termo.
- Ele está em aleitamento materno exclusivo, o que é um dado importante para a icterícia neonatal.
- A mãe relata boa sucção e ganho de peso, sem queixas, o que já nos tranquiliza sobre a alimentação e o estado geral do bebê.
- Ele mama a cada três horas, inclusive na madrugada, e tem diurese clara abundante e evacuações amareladas pastosas de quatro a cinco vezes ao dia, indicando boa hidratação e eliminação.
- Ao exame clínico, é notada icterícia visível até os joelhos, mas sem outros achados relevantes, o que sugere uma icterícia isolada.
- Os exames laboratoriais mostram uma bilirrubina total de 13,8 miligramas por decilitro, com a indireta em 13,2 miligramas por decilitro e a direta em 0,6 miligramas por decilitro.
- O Coombs direto negativo e os reticulócitos de 2,0 por cento, dentro da referência, afastam causas hemolíticas para essa icterícia.
- O TSH de 2,5 micro unidades internacionais por mililitro, também dentro da referência, descarta hipotireoidismo congênito como causa da icterícia prolongada.
- Por fim, o peso atual de 3.380 gramas, comparado ao peso de nascimento de 3.250 gramas, confirma o bom ganho ponderal, o que é um sinal muito favorável.
- Com todos esses dados, vemos que o bebê tem uma icterícia indireta, mas está clinicamente bem, com bom ganho de peso e sem sinais de colestase ou hemólise.
- A bilirrubina direta de 0,6 miligramas por decilitro é baixa, o que nos tranquiliza sobre a ausência de colestase, que exigiria uma investigação mais aprofundada.
- A icterícia do aleitamento materno é comum e, na ausência de outros fatores de risco ou sinais de doença, geralmente tem um curso benigno.
- Considerando o bom estado geral, o bom ganho de peso e a ausência de colestase ou hemólise, a conduta deve ser de acompanhamento.
- A alternativa A propõe internar para fototerapia devido à persistência da icterícia.
- No entanto, a persistência isolada da icterícia não é indicação para fototerapia; precisamos considerar o limiar por idade e risco, e neste caso, a boa evolução clínica e laboratorial não justificam a internação.
- A alternativa B sugere solicitar ultrassonografia de abdome para programação cirúrgica.
- Esta conduta não é apropriada, pois a bilirrubina direta está baixa e a avaliação clínica é normal, não havendo indícios de obstrução cirúrgica ou colestase grave que demandem esse exame e possível cirurgia.
- A alternativa D propõe suspender o aleitamento por quarenta e oito horas e oferecer fórmula infantil.
- Suspender o leite materno não é necessário de rotina para esclarecer uma icterícia que, como neste caso, parece benigna e está bem acompanhada por outros parâmetros clínicos e laboratoriais.
- Finalmente, a alternativa C indica manter o aleitamento materno exclusivo e acompanhamento clínico.
- Esta é a conduta mais adequada, pois o bom ganho ponderal e a investigação laboratorial tranquilizadora, sem sinais de alarme, permitem manter o aleitamento e apenas acompanhar a evolução do bebê.
- Então, para uma criança de doze dias, com icterícia indireta, mas com bom ganho de peso e exames laboratoriais sem achados preocupantes, pense sempre em manter o aleitamento materno e fazer o acompanhamento clínico.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hiperbilirrubinemia indireta no período neonatalSBP, 2021 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.