Uma criança de 8 anos, previamente saudável, é avaliada por quadro de febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal e icterícia. Há 2 dias, os pais notaram urina escura e fezes claras. A criança frequenta escola pública, e, recentemente, colegas de classe apresentaram sintomas semelhantes. No exame, observam-se hepatomegalia dolorosa e icterícia. AST e ALT estão significativamente elevadas; bilirrubina total: 6,5 mg/dL (direta: 4,2 mg/dL). Aguarda resultado de sorologias. De acordo com os dados apresentados, a conduta imediata adequada consiste em
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança de oito anos, o que já nos direciona para um perfil epidemiológico específico, especialmente para doenças virais.
- Ela era previamente saudável, o que sugere que a doença atual não é uma exacerbação de algo crônico, e geralmente indica um bom prognóstico para infecções agudas.
- Os sintomas iniciais são febre baixa, náuseas, prostração, dor abdominal e icterícia. Essa constelação de sintomas é muito sugestiva de um quadro de hepatite aguda.
- Ainda reforçando a hipótese, os pais notaram urina escura e fezes claras há dois dias, que são sinais clássicos de colúria e acolia, indicando um processo colestático e hepático.
- Um dado epidemiológico muito importante é que a criança frequenta escola pública e colegas de classe apresentaram sintomas semelhantes. Isso aponta fortemente para uma doença infecciosa com transmissão interpessoal, como a hepatite A.
- No exame físico, a hepatomegalia dolorosa e a icterícia confirmam os achados clínicos e a suspeita de envolvimento hepático.
- Os exames laboratoriais mostram AST e ALT significativamente elevadas, o que é um marcador claro de lesão hepatocelular.
- A bilirrubina total de 6,5 miligramas por decilitro, com a direta em 4,2 miligramas por decilitro, indica uma hiperbilirrubinemia predominantemente direta, consistente com o padrão colestático da hepatite.
- Ainda estamos aguardando o resultado das sorologias, mas o quadro clínico e epidemiológico é bastante típico de hepatite viral aguda, com forte suspeita de Hepatite A.
- Considerando todos esses dados, especialmente a idade da criança, os sintomas clássicos de hepatite, o contato com casos semelhantes na escola e os exames laboratoriais, a hipótese mais provável é de uma hepatite viral aguda, provavelmente Hepatite A.
- A Hepatite A em crianças geralmente tem um curso benigno e autolimitado, sem necessidade de tratamento antiviral específico, a menos que haja sinais de gravidade, que não foram descritos aqui.
- Portanto, a conduta imediata deve focar no suporte clínico e sintomático, enquanto aguardamos a confirmação diagnóstica e monitoramos a evolução.
- Analisando a alternativa A, iniciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxona não é adequado. Não há evidências de infecção bacteriana, como colangite aguda, que justifiquem o uso de antibióticos neste cenário de hepatite viral.
- A alternativa B propõe lavagem gástrica e carvão ativado. Não há nenhum dado no enunciado que sugira intoxicação exógena, então essa conduta não se aplica ao caso.
- Já a alternativa D sugere iniciar tratamento com antivirais como a ribavirina. A ribavirina não é o tratamento para hepatite A aguda, sendo utilizada para outras formas de hepatite viral, como a C.
- Por fim, a alternativa C, instituir medidas de suporte clínico e sintomático, com hidratação, alimentação leve e observação, é a conduta mais apropriada. A Hepatite A em crianças é geralmente autolimitada e o tratamento é de suporte, monitorando sinais de gravidade.
- Então, em uma criança de oito anos, com icterícia, elevação de transaminases e um claro vínculo epidemiológico, pense sempre em hepatite viral aguda, especialmente a Hepatite A, e a conduta inicial é sempre de suporte.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Clinical overview of viral hepatitisCDC, 2025 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.