Uma menina de cinco anos de idade, previamente sadia, é atendida na UBS com tosse, predominantemente noturna, secreção nasal e halitose sem melhora há cerca de três semanas. Ao exame físico, está em bom estado geral, eutrófica, corada. Otoscopia mostrou membranas timpânicas translúcidas e com triângulo luminoso visível. A orofaringe estava normal. Na rinoscopia, observou-se secreção nasal amarelada. Qual antibiótico mais apropriado para o tratamento nesse momento?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Temos uma menina de cinco anos de idade, e a idade é sempre importante para direcionar o raciocínio em pediatria.
- Ela apresenta tosse, predominantemente noturna, secreção nasal e halitose, que são sintomas clássicos de acometimento das vias aéreas superiores.
- O dado mais importante aqui é que esses sintomas estão sem melhora há cerca de três semanas, o que nos leva a pensar em um quadro persistente.
- Ao exame físico, ela está em bom estado geral, eutrófica e corada, o que indica que não é um quadro grave ou que necessite de internação imediata.
- A otoscopia e a orofaringe normais nos ajudam a descartar outras causas comuns de infecção em crianças, como otite média aguda ou faringoamigdalite.
- Porém, na rinoscopia, a secreção nasal amarelada reforça a ideia de um processo inflamatório e infeccioso nas vias aéreas superiores.
- Juntando a idade da criança, os sintomas de tosse e rinorreia e, principalmente, a persistência por mais de dez dias sem melhora, temos o diagnóstico clínico de rinossinusite bacteriana aguda.
- Como a criança está em bom estado geral e não apresenta sinais de gravidade ou complicações, o tratamento pode ser feito por via oral, na atenção primária.
- Para a rinossinusite bacteriana aguda, a primeira escolha de antibiótico, especialmente em crianças sem tratamento prévio, é a amoxicilina.
- A alternativa A, Cefuroxima, não é a primeira escolha para rinossinusite bacteriana aguda em crianças sem tratamento prévio, sendo reservada para casos de alergia não grave à penicilina ou falha terapêutica.
- A alternativa C, Ceftriaxona, é um antibiótico parenteral e é indicada para quadros mais graves, com vômitos, intolerância à via oral ou complicações, o que não é o caso da nossa paciente que está em bom estado geral.
- Já a alternativa D, Penicilina benzatina, é o tratamento de escolha para faringoamigdalite estreptocócica e profilaxia da febre reumática, não sendo adequada para cobrir os principais agentes da rinossinusite.
- Portanto, a alternativa B, Amoxicilina, é a mais apropriada, pois é a primeira escolha para o tratamento da rinossinusite bacteriana aguda persistente em crianças, na dose de 45 a 50 miligramas por quilo por dia, ou 80 a 90 miligramas por quilo por dia em regiões com pneumococo resistente, por dez a quatorze dias.
- Então, criança de cinco anos com tosse e rinorreia persistentes por mais de dez dias, pense sempre em rinossinusite bacteriana aguda e trate com amoxicilina.
- Nos vemos na próxima questão.
Pediatrando o tema
Sinusite bacteriana: amoxicilina — uma pediatra ensina o tema da questão na lousa, escrevendo enquanto fala.em validação
Baseado em: Clinical practice guideline for the diagnosis and management of acute bacterial sinusitis in children aged 1 to 18 years (AAP, 2013 (reafirmada)) · Rinossinusites — Departamento de Otorrinolaringologia; Diretrizes brasileiras de rinossinusites (ABORL-CCF) (SBP, 2020–2024) · Uncomplicated acute bacterial rhinosinusitis (ABRS) in children: Treatment (UpToDate (literatura internacional), 2025–2026). Conteúdo em validação — não é comentário oficial da SBP.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Clinical practice guideline for the diagnosis and management of acute bacterial sinusitis in children aged 1 to 18 yearsAAP, 2013 · conferida em 28/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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