Adolescente, feminina, 13 anos, é levada à emergência por confusão mental, fala incoerente, respondendo à estímulos de voz, não conseguindo se manter em pé. Mãe relata que tem temperamento difícil, não gosta de ser contrariada e que já tentou suicídio 3 vezes. O pai é alcoólatra, casal com relacionamento conflituoso. Nesse caso o pediatra deve:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos começar analisando o caso. Temos uma adolescente de 13 anos, o que já nos coloca em uma faixa etária com particularidades importantes para o desenvolvimento e vulnerabilidades.
- Ela foi levada à emergência com um quadro agudo de confusão mental e fala incoerente, além de não conseguir se manter em pé. Isso indica uma alteração neurológica ou do estado de consciência que exige atenção imediata.
- A mãe relata que a filha já tentou suicídio três vezes. Esse é um dado alarmante, que aponta para um risco psiquiátrico grave e a necessidade de uma avaliação de segurança urgente.
- Além disso, a mãe menciona que o pai é alcoólatra e que o casal tem um relacionamento conflituoso. Esse ambiente familiar é um fator de risco significativo para a saúde mental da adolescente e para a ocorrência de violência intrafamiliar.
- Com esses dados em mãos, o primeiro passo é sempre garantir a estabilização clínica da paciente, investigando a causa da alteração de consciência, que pode ser uma intoxicação ou outra condição médica urgente.
- Paralelamente à estabilização, a história de tentativas de suicídio e o ambiente familiar conflituoso com alcoolismo paterno nos obrigam a considerar a possibilidade de violência ou negligência.
- Portanto, a conduta do pediatra deve abranger tanto a questão médica aguda quanto a proteção social da adolescente, que está em situação de vulnerabilidade.
- Analisando a alternativa A, investigar transtornos psiquiátricos como TDAH e Transtorno Bipolar é importante, mas não é a prioridade imediata. O comentário nos lembra que isso não substitui o atendimento urgente e a avaliação de segurança da paciente.
- A alternativa B sugere analisar o uso incorreto de medicações e encaminhar ao psiquiatra. Embora a análise de medicações seja parte da investigação da alteração de consciência, o encaminhamento isolado ao psiquiatra pode nos fazer perder de vista uma situação de violência e risco imediato, como aponta o comentário.
- A alternativa C propõe internação em clínica psiquiátrica e notificação ao Conselho Tutelar. A notificação é correta, mas a internação psiquiátrica não deve preceder a estabilização clínica e a investigação da causa da confusão mental, como bem ressalta o comentário. Precisamos primeiro saber o que está causando o quadro agudo.
- Por fim, a alternativa D nos orienta a investigar violência intrafamiliar, notificar o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Esta é a conduta mais completa e adequada, pois aborda a proteção da adolescente diante dos fatores de risco familiares e cumpre as obrigações legais do médico. A proteção deve acompanhar a investigação e os fluxos legais aplicáveis, como indicado no gabarito.
- Então, em uma adolescente de 13 anos, com alteração de consciência e histórico de tentativas de suicídio em um ambiente familiar conflituoso, pense sempre em intoxicação e na necessidade de investigar e proteger contra violência intrafamiliar.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Manual de atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violênciaSBP, 2018 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria a partir da questão, das anotações presentes no PDF e das referências indicadas. Não é comentário oficial da banca.