Adolescente, feminino, 13 anos, comparece à consulta médica em dia de temperatura elevada, trajando calça comprida e camiseta de mangas longas. História social: poucas relações interpessoais na escola com bom vínculo familiar. Exame físico: lesões lineares superficiais a moderadas na face medial do antebraço esquerdo e em coxas. A paciente admite intencionalidade referente às lesões, sem desejo de morrer, solicitando confidencialidade quanto às lesões. Assinale a opção correta sobre a principal hipótese diagnóstica.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Começamos com a idade e o gênero da nossa paciente, uma adolescente de 13 anos, o que já nos direciona para questões típicas dessa faixa etária, incluindo as de saúde mental.
- Ela comparece à consulta em um dia de temperatura elevada, mas está vestindo roupas que cobrem bem o corpo, como calça comprida e camiseta de mangas longas. Isso já acende um alerta para algo que ela possa estar querendo esconder.
- A história social nos diz que ela tem poucas relações na escola, mas um bom vínculo familiar. A falta de amigos na escola é um dado importante para pensarmos em isolamento ou dificuldades sociais, que podem ser fatores de risco.
- No exame físico, encontramos lesões lineares, superficiais a moderadas, na face medial do antebraço esquerdo e nas coxas. A localização e o tipo de lesão são bem característicos de autolesão, e o fato de estarem em locais que podem ser cobertos pelas roupas reforça a ideia de que ela as esconde.
- A paciente admite que as lesões foram intencionais, mas deixa claro que não tem desejo de morrer. Isso é crucial para diferenciar a autolesão não suicida de uma tentativa de suicídio, embora uma não exclua o risco da outra no futuro.
- Por fim, ela pede confidencialidade sobre as lesões. Esse pedido é comum, mas precisamos avaliar a segurança dela e a necessidade de envolver a família, mesmo que isso signifique relativizar o sigilo.
- Juntando as lesões lineares intencionais, que ela tenta esconder com as roupas, e a ausência de desejo de morrer, a principal hipótese diagnóstica é a autolesão não suicida.
- A autolesão não suicida é um comportamento que muitas vezes serve como uma forma de aliviar o sofrimento psíquico, e a dificuldade de se relacionar na escola pode ser um gatilho ou um fator de risco para isso.
- A alternativa A diz que o pediatra deve estabelecer um vínculo com a adolescente sem quebrar a confidencialidade e o sigilo médico. Embora o vínculo e o acolhimento sejam essenciais, em casos de autolesão, que é uma situação de risco à saúde, o sigilo pode e deve ser relativizado, explicando à paciente que a família precisará ser envolvida para garantir o cuidado.
- A alternativa C afirma que as lesões evidenciam sofrimento psíquico, mas sem associação com risco de suicídio. Isso não é verdade. Mesmo sem a intenção suicida inicial, a autolesão repetida é um dos preditores mais fortes de uma futura tentativa de suicídio, e o risco precisa ser sempre avaliado com perguntas diretas sobre ideação e plano.
- A alternativa D sugere que as autolesões são limitadas e associadas apenas a redes sociais. As lesões em antebraço e coxas não são limitadas, e reduzir a autolesão apenas a redes sociais ignora outros fatores importantes como bullying, conflitos familiares, depressão e ansiedade, embora as redes sociais possam, sim, contribuir.
- Por fim, a alternativa B afirma que as autolesões estão associadas a bullying e cyberbullying, reconhecidos como fatores de risco psicossocial. Essa é a alternativa correta. A paciente tem poucas relações na escola, o que nos faz pensar em bullying ou cyberbullying como fatores de risco psicossociais importantes para a autolesão, depressão e ideação suicida, e que merecem investigação direta.
- Em uma adolescente de 13 anos com lesões lineares intencionais e poucas relações sociais, pense sempre em autolesão não suicida e investigue fatores de risco psicossociais como bullying.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Bullying e cyberbullyingSBP, 2024 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.