Adolescente, masculino, 13 anos, com diagnóstico ambulatorial de glomerulonefrite difusa aguda há 3 dias, chega à emergência com queixa de piora do edema facial, cefaleia frontal, lúcido e PA de 160x100 mmHg. A diurese relatada pela mãe nas últimas 12 horas é de 1 ml/kg/hora. O percentil 95 da pressão arterial para idade, sexo e percentil de estatura para este paciente é de 125x78 mmHg. Nesse caso devemos:
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um adolescente, um menino de 13 anos, e essa idade e sexo são importantes para a gente avaliar corretamente a pressão arterial dele.
- Ele já tem um diagnóstico de glomerulonefrite difusa aguda, ou GNDA, há três dias, o que nos indica a causa provável da hipertensão e do edema.
- O paciente chega à emergência com piora do edema facial e cefaleia frontal, que são sintomas que nos preocupam e indicam uma urgência.
- É importante notar que ele está lúcido, o que nos ajuda a diferenciar uma urgência de uma emergência hipertensiva, pois não há sinais de lesão grave de órgão-alvo como encefalopatia.
- A pressão arterial dele está em 160 por 100 milímetros de mercúrio, um valor bem elevado para a idade.
- A diurese relatada pela mãe é de 1 mililitro por quilo por hora, o que é uma diurese normal e nos mostra que ele não está oligúrico.
- Por fim, o percentil 95 da pressão arterial para ele é de 125 por 78 milímetros de mercúrio, o que confirma que a pressão atual está muito acima do limite superior da normalidade.
- Com esses dados, sabemos que a hipertensão na GNDA é causada principalmente pela retenção de sal e água, levando a um estado de hipervolemia.
- O paciente apresenta uma urgência hipertensiva, pois a pressão arterial está significativamente elevada (160 por 100 milímetros de mercúrio é bem acima do percentil 95 mais 12 milímetros de mercúrio) e ele tem sintomas como cefaleia, mas sem sinais de lesão de órgão-alvo grave, já que está lúcido.
- Nesse cenário de urgência hipertensiva hipervolêmica, a conduta inicial deve ser a internação para monitorização e o uso de diuréticos e anti-hipertensivos orais para reduzir a pressão de forma gradual e segura.
- A alternativa A sugere nitroprussiato de sódio, mas esse medicamento é reservado para emergências hipertensivas com lesão de órgão-alvo, como encefalopatia ou convulsões, o que não é o caso do nosso paciente que está lúcido.
- Além disso, a queda abrupta da pressão arterial com nitroprussiato poderia causar hipoperfusão cerebral, e sedativo não tem indicação aqui.
- A alternativa B propõe liberar o paciente, o que é inseguro para um adolescente com pressão arterial de 160 por 100 milímetros de mercúrio, cefaleia e piora do edema.
- Também sugere enalapril, que não é a primeira escolha na GNDA, especialmente se houver risco de oligúria ou queda da filtração glomerular, pelo risco de hipercalemia.
- A alternativa D sugere apenas furosemida endovenosa e liberar o paciente para casa com furosemida oral, o que é insuficiente para tratar uma hipertensão sintomática e não permite monitorar complicações como encefalopatia ou congestão pulmonar.
- A alternativa C é a correta, pois a conduta adequada para uma urgência hipertensiva hipervolêmica na GNDA é internar o paciente, prescrever furosemida para combater a hipervolemia e um anti-hipertensivo oral, como nifedipino ou anlodipino, para controlar a pressão arterial, além de monitorar o quadro clínico e a pressão arterial de perto.
- Em um adolescente com glomerulonefrite difusa aguda e hipertensão arterial grave com sintomas como cefaleia, pense sempre em uma urgência hipertensiva que exige internação e tratamento imediato.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hipertensão arterial na infância e adolescênciaSBP, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.