Menina de 15 anos, chega ao atendimento após crise convulsiva tônico clônica inédita, que durou cerca de 10 minutos e cedeu após receber 10mg de diazepam venoso. Familiares negam febre ou sintomas respiratórios. Não houve traumatismo craniano. Apresenta Glasgow 13, mantendo sonolência e referindo cefaleia nos momentos em que acorda. Pupilas simétricas, reflexo pupilar diminuido à luz. Ao exame: FC: 98 bpm, FR: 18 ipm. PA: 160x105 mmHg, SatO2: 95% em ar ambiente. Ausculta cardíaca sem sopros, pulsos cheios em membros superiores e inferiores. Ausculta pulmonar sem alterações. Abdome sem massas. Teste rápido descarta gestação. Qual medicamento deve ser prescrito?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico, destacando os pontos mais importantes. Primeiro, temos uma menina de 15 anos, o que já nos coloca no contexto da adolescência e suas particularidades.
- Ela chega ao atendimento após uma crise convulsiva tônico clônica, que foi a primeira vez que aconteceu, e isso é um sinal neurológico agudo que merece nossa atenção.
- A crise durou cerca de dez minutos e só cedeu após a administração de dez miligramas de diazepam venoso, o que indica uma crise mais prolongada que necessitou de intervenção.
- Os familiares negam febre ou sintomas respiratórios, e também não houve traumatismo craniano, o que nos ajuda a descartar algumas causas comuns para convulsões nessa idade.
- A paciente apresenta um Glasgow de 13, está sonolenta e refere cefaleia quando acorda, o que é esperado após uma crise, mas a cefaleia pode ser um sinal de alerta para outras condições.
- Um achado importante no exame físico é o reflexo pupilar diminuído à luz, que é um sinal neurológico que pode indicar alguma disfunção intracraniana.
- E aqui chegamos ao dado crucial: a pressão arterial de 160 por 105 milímetros de mercúrio. Para uma adolescente de 15 anos, isso é uma hipertensão muito grave e que, associada aos sintomas neurológicos, é o ponto central da questão.
- Por fim, o teste rápido descarta gestação, o que é fundamental para uma adolescente com crise convulsiva e hipertensão, pois exclui a pré-eclâmpsia como causa.
- Agora, vamos conectar esses achados. Temos uma adolescente com uma crise convulsiva inédita, cefaleia, alteração pupilar e uma hipertensão arterial grave.
- A associação de hipertensão grave com manifestações neurológicas, como a crise convulsiva e a cefaleia, caracteriza uma emergência hipertensiva, que é uma condição que exige tratamento imediato.
- Nesses casos, a redução da pressão arterial precisa ser feita de forma controlada e monitorizada, para evitar que uma queda muito brusca cause hipoperfusão cerebral e piore o quadro neurológico.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa A sugere Captopril. O Captopril oral não é adequado para uma emergência hipertensiva neurológica, pois sua titulação não é rápida o suficiente para o controle que precisamos.
- A alternativa B propõe Levetiracetam. Embora seja um anticonvulsivante, ele trataria apenas o sintoma da crise, mas não corrigiria a causa subjacente, que é a hipertensão grave.
- A alternativa C indica Manitol. O Manitol é usado para tratar hipertensão intracraniana, mas não é a primeira escolha para reduzir a pressão arterial elevada isoladamente, como é o nosso foco principal aqui.
- Por fim, a alternativa D, Nitroprussiato. Este é um vasodilatador intravenoso que permite uma titulação muito precisa e rápida da pressão arterial, sendo a escolha ideal para uma emergência hipertensiva com comprometimento neurológico, onde a monitorização é essencial.
- Então, lembre-se sempre: em uma criança ou adolescente com crise convulsiva e hipertensão arterial grave, pense sempre em emergência hipertensiva e na necessidade de um controle pressórico rápido e seguro.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Hipertensão arterial na infância e adolescênciaSBP, 2019 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.