Criança, 4 anos e 6 meses de idade, é levada à consulta devido a mudanças do padrão evacuatório. No início do quadro, há 6 meses, apresentava evacuação a cada 3 dias, associado a fezes endurecidas. No entanto, no último mês, a cueca fica suja de fezes líquidas de 2 a 3 vezes ao dia. Os pais observam que, antes das evacuações de maior volume, a criança fica ansiosa e corre para atrás do sofá. Nega queixas urinárias. Ao exame físico, peso e estatura próximos ao Z score 0, abdome distendido, dor leve à palpação de hipogástrio, com fezes palpáveis nessa região, fígado e baço não palpados. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o manejo para esse quadro.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos uma criança de quatro anos e seis meses de idade, o que já nos diz que estamos lidando com um paciente pediátrico em idade pré-escolar, onde a constipação funcional é bem comum.
- O quadro começou há seis meses, o que caracteriza uma condição crônica, não algo agudo que surgiu de repente.
- No início, a criança apresentava evacuação a cada três dias, com fezes endurecidas. Isso é um padrão clássico de constipação intestinal.
- No entanto, no último mês, a cueca fica suja de fezes líquidas de duas a três vezes ao dia. Esse é um dado crucial, pois sugere escape fecal, ou encoprese, que geralmente ocorre quando há uma impactação.
- Os pais observam que, antes das evacuações de maior volume, a criança fica ansiosa e corre para atrás do sofá. Esse comportamento é conhecido como postura retentiva, um sinal de que a criança está tentando segurar as fezes para evitar a dor ou o desconforto.
- Ao exame físico, encontramos abdome distendido, dor leve à palpação de hipogástrio, com fezes palpáveis nessa região. Esses achados são muito sugestivos de um fecaloma, ou seja, uma grande massa de fezes impactadas.
- Juntando todos esses pontos, temos uma criança com constipação crônica, que evoluiu com escape fecal, posturas retentivas e, ao exame, fezes palpáveis no hipogástrio. Esse quadro é altamente compatível com impactação fecal.
- Diante de uma impactação fecal, o primeiro passo no manejo é a desimpactação, ou seja, remover essa massa de fezes endurecidas que está obstruindo o intestino.
- Analisando as alternativas, a letra A propõe aumentar líquidos e limitar fibras solúveis. Limitar fibras solúveis não é uma conduta adequada para constipação, pois as fibras geralmente ajudam. Portanto, essa alternativa está incorreta.
- A alternativa C sugere prescrever o probiótico Saccharomyces Boulardii. Embora probióticos possam ter um papel em algumas condições gastrointestinais, eles não são o tratamento principal para uma impactação fecal estabelecida. Não substituem um laxante para desimpactação.
- A alternativa D fala em solicitar dosagem de calprotectina fecal e colonoscopia. Esses exames são invasivos e não são a primeira linha de investigação para constipação funcional sem sinais de alarme, como perda de peso, sangramento ou falha de crescimento. Nosso paciente não apresenta esses sinais.
- Já a alternativa E propõe tranquilizar os pais e esclarecer que o quadro é autolimitado. Isso está errado, pois a constipação com impactação fecal e escape exige tratamento ativo, não se resolve sozinha. Apenas observar pode levar a complicações e piora do quadro.
- Por fim, a alternativa B indica iniciar tratamento com polietilenoglicol 4000 em dose de desimpactação. O polietilenoglicol, ou PEG, é um laxante osmótico muito eficaz e seguro para a desimpactação fecal em crianças, sendo a conduta correta para o quadro descrito.
- Então, lembre-se: criança com constipação crônica e escape fecal, pense sempre em impactação fecal e na necessidade de desimpactação.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Constipation — diagnóstico e tratamentoRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.