Menina, 5 anos, vem à consulta com as seguintes queixas, há mais de 6 meses: dor e dificuldade para evacuar, apresentando fezes de grande calibre que, com frequência, entopem o vaso sanitário. Ao exame físico, está em bom estado geral, é eutrófica. Palpa-se grande massa em fossa ilíaca esquerda e observa-se a roupa íntima com restos fecais. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, qual deve ser a conduta?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma menina de 5 anos, e a idade é importante para contextualizar o quadro de constipação na pediatria.
- Ela apresenta queixas há mais de seis meses, o que já nos indica que se trata de um quadro crônico de constipação.
- Os sintomas principais são dor e dificuldade para evacuar, que são queixas clássicas de constipação funcional.
- A descrição de fezes de grande calibre que entopem o vaso sanitário é um dado muito forte de retenção fecal e impactação.
- Essa informação de que as fezes entopem o vaso sanitário reforça ainda mais a ideia de que há uma grande massa fecal sendo retida.
- No exame físico, ela está em bom estado geral e é eutrófica, o que nos tranquiliza quanto a causas orgânicas graves e desnutrição.
- A palpação de uma grande massa em fossa ilíaca esquerda é um achado clássico de fecaloma, confirmando a impactação fecal.
- E a observação de roupa íntima com restos fecais, a encoprese, é um sinal de que a criança está perdendo fezes por extravasamento devido à impactação crônica.
- Juntando todos esses dados, a hipótese diagnóstica principal é de constipação funcional crônica com impactação fecal.
- Diante de uma impactação fecal, o primeiro passo é desimpactar, ou seja, remover essa massa de fezes retidas.
- Após a desimpactação, é fundamental manter o tratamento para evitar que a constipação e a impactação voltem, o que envolve medidas comportamentais e medicamentosas.
- Agora, vamos analisar as alternativas. A alternativa A sugere a administração de probióticos.
- Probióticos não são a primeira linha para constipação funcional, e definitivamente não são eficazes para desimpactar um fecaloma como o descrito no caso.
- A alternativa B propõe a investigação com ecografia.
- O diagnóstico de constipação funcional é clínico, e a ecografia não é necessária de rotina para confirmar a impactação fecal, que já é evidente pelo exame físico.
- A alternativa D sugere internação para enemas seriados.
- Embora enemas possam ser usados em alguns casos, a internação e enemas seriados não são necessários para todo caso estável de impactação fecal, especialmente quando a criança está em bom estado geral.
- Por fim, a alternativa C indica o início de laxantes osmóticos.
- Laxantes osmóticos, como o polietilenoglicol, são a base do tratamento para a desimpactação e a manutenção na constipação funcional, combinados com orientação comportamental.
- Então, em uma criança de 5 anos, com constipação crônica e encoprese, pense sempre em constipação funcional com impactação fecal, e o tratamento inicial é a desimpactação com laxantes osmóticos.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Constipation — diagnóstico e tratamentoRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.