Criança de 2 anos, classificada como desnutrida grave, apresenta quadro de diarreia há 7 dias. Ao exame físico, observa-se edema em membros inferiores, pele seca e descamativa, além de apatia, olhos encovados e mucosas secas e sem sinais de choque. Qual a conduta mais adequada para hidratação deste paciente?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Então, residente, vamos analisar essa questão de pediatria, começando pelos dados importantes do caso clínico.
- O enunciado nos diz que a criança está classificada como desnutrida grave, e isso é um dado central, que muda completamente a nossa abordagem.
- Ela apresenta um quadro de diarreia há 7 dias, o que nos indica a causa da desidratação e a necessidade de reidratação.
- Ao exame físico, observamos edema em membros inferiores, e isso é um achado muito importante na desnutrição grave, pois pode mascarar a desidratação e exige cautela na hidratação.
- A pele seca e descamativa, a apatia, os olhos encovados e as mucosas secas são sinais claros de desidratação, que precisamos tratar.
- E, por fim, o enunciado é enfático ao dizer que a criança está sem sinais de choque, o que é crucial para definir a via e a velocidade da hidratação.
- Juntando tudo, temos uma criança desnutrida grave, que está desidratada por diarreia, mas que não está em choque.
- O edema, que vimos no exame físico, nos alerta para o risco de sobrecarga hídrica, mesmo com a desidratação presente.
- A ausência de choque é o que nos diz que não devemos usar a via venosa para uma hidratação rápida, como faríamos em outras situações de desidratação grave.
- Portanto, a conduta ideal para esse paciente deve ser uma reidratação oral, lenta e com uma solução específica para desnutridos graves.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas.
- A alternativa A propõe administrar hidratação venosa, em 30 minutos, com 20 mililitros por quilo de solução com ringer-lactato.
- Essa conduta está incorreta porque um bolus venoso rápido de 20 mililitros por quilo sobrecarrega o coração do desnutrido grave, que tem reserva miocárdica reduzida e retém sódio, com alto risco de insuficiência cardíaca.
- A hidratação venosa só seria indicada se houvesse choque, e o nosso paciente não apresenta sinais de choque.
- A alternativa D também sugere administrar hidratação venosa, em 30 minutos, com 20 mililitros por quilo, mas de solução fisiológica 0,9 por cento.
- Essa opção é ainda pior que a anterior, porque o soro fisiológico em bolus tem muito sódio e não tem potássio nem glicose, o que é inadequado para uma criança com sódio corporal aumentado e risco de hipoglicemia.
- Novamente, a via venosa no desnutrido grave é reservada apenas para casos de choque.
- A alternativa C propõe utilizar uma solução padrão de reidratação oral, a SRO, com concentração de sódio de 90 miliequivalentes por litro.
- Essa SRO com 90 milimoles por litro de sódio, que é a fórmula antiga da Organização Mundial da Saúde, tem sódio demais para o desnutrido grave.
- Lembre-se que o desnutrido grave retém sódio e água, e usar essa solução pode levar a um agravamento do edema e até a insuficiência cardíaca.
- Mesmo a SRO atual, com 75 milimoles por litro de sódio, só é aceita se não houver a solução específica para desnutridos graves.
- Finalmente, a alternativa B sugere utilizar SRO com sódio 45 milimoles por litro, potássio 40 milimoles por litro e glicose 125 milimoles por litro.
- Essa é a solução de ReSoMal, que é a conduta mais adequada para a reidratação de pacientes desnutridos graves sem choque.
- Ela tem menos sódio e mais potássio, corrigindo os desequilíbrios eletrolíticos comuns nesses pacientes, e a glicose previne a hipoglicemia.
- Lembre-se: criança desnutrida grave, desidratada, mas sem sinais de choque, sempre reidratar por via oral e lentamente com ReSoMal.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Wasting and nutritional oedema in children under 5 yearsOMS, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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