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Pediatrando

Criança de 2 anos, internada por diarreia crônica e perda de peso acentuada, apresenta emagrecimento grave, edema de membros inferiores, hipoalbuminemia e apatia. O diagnóstico nutricional é desnutrição energético proteica grave (marasmo-kwashiorkor). Frente ao exposto, qual é a conduta inicial adequada no manejo hospitalar dessa criança?

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Resposta: A

  1. A) Iniciar correção hidroeletrolítica e tratamento de infecções, seguida por realimentação gradual e vigilância para síndrome de realimentação.

    Segue a lógica da OMS: estabilizar primeiro (hipoglicemia, hipotermia, desidratação com ReSoMal, potássio e magnésio), tratar infecções com antibiótico de amplo espectro em todos, mesmo sem sinais, e só então realimentar devagar com F-75 (cerca de 100 kcal/kg/dia), monitorando fósforo, potássio e magnésio pelo risco de síndrome de realimentação.

  2. B) Introduzir dieta hipercalórica e hiperproteica de imediato para recuperação rápida do peso.

    Oferta hipercalórica e hiperproteica precoce sobrecarrega um organismo com função cardíaca, hepática e renal reduzidas e desencadeia síndrome de realimentação (hipofosfatemia, hipocalemia, insuficiência cardíaca). A progressão para F-100 só ocorre na fase de reabilitação, quando o apetite volta.

  3. C) Administrar albumina intravenosa e diuréticos para controle do edema e melhora do estado nutricional.

    O edema do kwashiorkor decorre de alterações de membrana, estresse oxidativo e retenção de sódio, não só da hipoalbuminemia. Albumina intravenosa e diuréticos não o corrigem e podem precipitar sobrecarga de volume e distúrbios eletrolíticos; o edema regride com a realimentação adequada.

  4. D) Manter jejum, nas primeiras 48 horas, e iniciar nutrição parenteral total até melhora clínica.

    Jejum prolongado agrava hipoglicemia e atrofia intestinal, e a nutrição parenteral aumenta o risco de infecção e de realimentação. A via enteral, oral ou por sonda, em pequenas quantidades frequentes, deve começar já no primeiro dia.

  5. E) Prescrever corticoterapia e suplementos de ferro para acelerar o anabolismo e corrigir anemia.

    Corticoide aumenta o catabolismo e o risco de infecção, sem papel no tratamento. O ferro fica suspenso na fase de estabilização, pois favorece estresse oxidativo e infecções, e só entra na reabilitação, quando a criança começa a ganhar peso.

Resumo para lembrar

Na desnutrição grave com edema, a OMS organiza o tratamento em 10 passos: tratar ou prevenir hipoglicemia, hipotermia e desidratação (ReSoMal, com cautela), corrigir potássio e magnésio, antibiótico para todos, micronutrientes sem ferro na fase inicial e realimentação cautelosa com F-75, vigiando a síndrome de realimentação. Albumina e diurético não tratam o edema.

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Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

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