Uma gestante assintomática dá entrada na maternidade em trabalho de parto. Possui histórico de sífilis em gestação anterior, que ocorreu há 2 anos, quando foi adequadamente tratada. Trazia como exames da gestação atual, colhidos no último trimestre, VDRL 1:2 e FTA-Abs IgG reagente. Foi possível resgatar o VDRL pré e pós-tratamento da gestação anterior: 1:128 e 1:8, respectivamente. Qual a interpretação mais adequada diante deste caso?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
Ler a transcrição
- Vamos analisar este caso de sífilis na gestação, que é um tema muito importante na pediatria e na obstetrícia, não é mesmo?
- A paciente está em trabalho de parto, o que significa que precisamos tomar decisões rápidas em relação ao recém-nascido.
- Ela tem um histórico de sífilis em uma gestação anterior, há dois anos, e o enunciado nos diz que foi adequadamente tratada.
- Os exames atuais, do último trimestre, mostram um VDRL de um para dois e um FTA-Abs IgG reagente.
- E o mais importante para a interpretação são os VDRL pré e pós-tratamento da gestação anterior: um para 128 e um para oito, respectivamente.
- Com esses dados, podemos ver que houve uma queda significativa no VDRL após o tratamento anterior, de um para 128 para um para oito.
- Essa queda de quatro diluições, de um para 128 para um para oito, é mais do que suficiente para considerar o tratamento anterior como eficaz, já que o critério é de pelo menos duas diluições.
- Agora, na gestação atual, o VDRL está em um para dois, que é um título baixo e estável ou em queda em relação ao um para oito anterior.
- O FTA-Abs IgG reagente, por sua vez, é um teste treponêmico que geralmente permanece reagente por toda a vida, mesmo após o tratamento adequado, e não serve para monitorar a atividade da doença.
- Portanto, com o histórico de tratamento adequado e a queda dos títulos do VDRL, sem evidência de reinfecção, o VDRL atual de um para dois é compatível com uma cicatriz sorológica.
- A alternativa A diz que, como o VDRL da genitora permanece positivo, não é possível afirmar que o tratamento foi efetivo.
- Mas isso está incorreto, porque a eficácia do tratamento é avaliada pela queda de pelo menos duas diluições do VDRL, e aqui tivemos uma queda de quatro diluições, de um para 128 para um para oito, e depois para um para dois.
- A alternativa C sugere que é necessário diferenciar entre reinfecção e cicatriz sorológica utilizando outro teste não treponêmico.
- Essa alternativa está incorreta porque trocar de teste não treponêmico, por exemplo, usar RPR em vez de VDRL, não ajuda a distinguir cicatriz de reinfecção, pois ambos medem os mesmos anticorpos.
- A diferenciação é feita pela história clínica e pela evolução dos títulos, lembrando que reinfecção seria um aumento de duas diluições.
- A alternativa D afirma que esta gestante não teve resposta ao tratamento prévio ou foi reinfectada, já que o FTA-Abs está reagente.
- Isso está incorreto porque, como já comentamos, os testes treponêmicos, como o FTA-Abs, permanecem reagentes por toda a vida na maioria das pessoas tratadas e não servem para acompanhar a resposta ao tratamento ou diagnosticar reinfecção.
- A alternativa B diz que, afastada a possibilidade de reinfecção, o VDRL um para dois deve ser considerado como cicatriz sorológica.
- Esta é a alternativa correta, pois o tratamento adequado foi documentado, com uma queda expressiva dos títulos do VDRL, de um para 128 para um para oito e depois para um para dois, sem aumento de títulos e sem nova exposição.
- Todos esses fatores confirmam que o VDRL um para dois é uma cicatriz sorológica, e a gestante não precisa ser retratada neste momento.
- Então, residente, lembre-se: em uma gestante com histórico de sífilis adequadamente tratada e queda de títulos do VDRL, um título baixo e estável atual é cicatriz sorológica, não reinfecção ou falha de tratamento.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- PCDT para prevenção da transmissão vertical — sífilis congênitaMinistério da Saúde, 2020 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.
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