Pular para o conteúdo
Pediatrando

Menino de 11 anos, com IMC escore Z +3,2, é acompanhado no ambulatório de nutrologia pediátrica. Apresenta histórico familiar de obesidade e hipertensão arterial. Os exames laboratoriais mostram glicemia de jejum normal e HDL colesterol baixo. A família solicita “remédio para emagrecer”. Nessa situação, a conduta inicial adequada no manejo da obesidade infantil é:

Faltava a preposição. Faltava o espaço entre as palavras.

Ver o gabarito comentado

Resposta: A

  1. A) Implementar mudanças no ambiente obesogênico inicialmente, mas reavaliar logo, com possibilidade de iniciar medicação e/ou plano alimentar mais específico.

    Aos 11 anos, com IMC em +3,2 escores Z e HDL baixo, o primeiro passo é intervenção intensiva no estilo de vida da família (alimentação, atividade física, sono, telas), com reavaliações próximas. Sem resposta, planos alimentares estruturados e medicação adjuvante podem ser discutidos, sobretudo a partir dos 12 anos.

  2. B) Iniciar tratamento farmacológico com orlistate, associado à dieta restritiva hipocalórica.

    Orlistate tem eficácia modesta, efeitos gastrointestinais frequentes (esteatorreia, urgência fecal) e reduz a absorção de vitaminas lipossolúveis. Não é conduta inicial, e dieta restritiva hipocalórica em criança em crescimento traz risco nutricional e de transtorno alimentar.

  3. C) Encaminhar diretamente para avaliação de cirurgia bariátrica, devido ao escore Z acima de +3.

    Cirurgia bariátrica é exceção em adolescentes com obesidade grave e comorbidades importantes, após falha de tratamento clínico estruturado e com maturidade física e emocional avaliada. Um menino de 11 anos sem tratamento prévio não tem indicação.

  4. D) Indicar dieta cetogênica, por curto período, para promover perda rápida de peso e melhorar o perfil lipídico.

    Dieta cetogênica não é recomendada para obesidade pediátrica: tem baixa adesão e risco de prejuízo do crescimento, cálculo renal, dislipidemia e hipoglicemia, e perda rápida de peso não é meta nessa idade.

  5. E) Prescrever inibidor de apetite (sibutramina) sob supervisão médica rigorosa, para facilitar adesão ao tratamento.

    Sibutramina foi retirada dos EUA e da Europa em 2010 por aumento de eventos cardiovasculares e não é indicada para menores de 18 anos no Brasil. Não há papel para inibidores de apetite desse tipo em crianças.

Resumo para lembrar

O tratamento da obesidade infantil começa pela mudança de comportamento de toda a família (alimentação, atividade física, sono, telas e ambiente doméstico), com acompanhamento frequente e multiprofissional. Liraglutida, semaglutida e orlistate são adjuvantes a partir dos 12 anos, e a cirurgia bariátrica fica para adolescentes com obesidade grave e comorbidades após falha clínica.

Reportar
Fontes 1

Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Comentário não oficial da banca ou da SBP.

Comentário atualizado em

Questões do mesmo tema