Criança, sexo masculino, 1 mês de vida, previamente hígida, é trazida à unidade de emergência após cair do trocador, há cerca de 30 minutos. Segundo a mãe, ela havia tirado a mão dele por alguns segundos para jogar a fralda no lixo e ele teria rolado e caído do trocador. Na admissão, o paciente estava inconsciente, sendo levado à sala de emergência. A seguir, os dados da avaliação sistematizada: A: pérvia B: murmúrio vesicular e expansibilidade diminuídos, FR de 8 irpm, SpO2 de 89% em ar ambiente; C: tempo de enchimento capilar < 1 segundo, pulsos presentes e simétricos, ausculta com 2BRNF sem sopros, PA de 108×70 mmHg; D: escala de coma de Glasgow 7, pupilas isofotorreagentes; E: hematoma subgaleal em região temporal direita. Com relação aos exames séricos coletados durante o atendimento inicial do paciente, assinale a alternativa que apresenta as alterações laboratoriais esperadas.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos uma criança, do sexo masculino, com um mês de vida, que é um recém-nascido ou lactente muito jovem, o que já nos alerta para a fragilidade e as particularidades fisiológicas dessa faixa etária.
- Essa criança era previamente hígida, ou seja, não tinha doenças crônicas, o que nos faz focar nas alterações agudas decorrentes do evento.
- O evento desencadeante foi uma queda do trocador, o que é um trauma comum, mas grave para um bebê, e aconteceu há cerca de trinta minutos, indicando uma situação aguda.
- Na admissão, o paciente estava inconsciente, um sinal de alerta gravíssimo que indica comprometimento neurológico importante.
- Na avaliação da respiração, a letra B, observamos murmúrio vesicular e expansibilidade diminuídos, o que já aponta para um problema na ventilação pulmonar.
- Mais importante ainda, a frequência respiratória é de apenas oito incursões por minuto, o que é uma bradipneia severa para um bebê e indica hipoventilação.
- Consequentemente, a saturação de oxigênio é de 89 por cento em ar ambiente, confirmando a hipoxemia devido à ventilação inadequada.
- A circulação, letra C, parece estar preservada com tempo de enchimento capilar menor que um segundo, pulsos presentes e simétricos, e pressão arterial de 108 por 70 milímetros de mercúrio, o que é um bom sinal, apesar da gravidade do quadro geral.
- Na avaliação neurológica, letra D, a escala de coma de Glasgow é 7, o que é um coma profundo e corrobora a inconsciência inicial.
- Por fim, na letra E, temos um hematoma subgaleal em região temporal direita, que é a evidência física do trauma craniano.
- Agora, vamos conectar esses achados. A frequência respiratória muito baixa, de oito incursões por minuto, é o dado mais crucial aqui, indicando uma hipoventilação grave.
- Essa hipoventilação significa que o corpo não está eliminando dióxido de carbono adequadamente, levando a um acúmulo de CO2 no sangue.
- O acúmulo de dióxido de carbono, por sua vez, leva a uma acidose respiratória, pois o CO2 se combina com a água para formar ácido carbônico, diminuindo o pH do sangue.
- Além disso, a ventilação ineficaz também resulta em uma baixa oxigenação do sangue, ou seja, hipoxemia, que já observamos na saturação de oxigênio de 89 por cento.
- Como o evento é agudo, de apenas trinta minutos, o corpo ainda não teve tempo de compensar essa acidose respiratória metabolicamente, então o bicarbonato sérico deve estar próximo do normal.
- Vamos analisar as alternativas, começando pelas incorretas. A alternativa B sugere uma hemoglobina de 5,0 gramas por decilitro e um hematócrito de 18 por cento.
- Embora o paciente tenha sofrido um trauma, não há sinais de hemorragia maciça que justifiquem uma anemia tão profunda de imediato. A hipoventilação não causa anemia.
- A alternativa C apresenta alterações na coagulação, como uma relação TTPΑ de 2,5 e RNI de 1,1.
- Coagulopatias podem ocorrer em traumas graves, mas não são a alteração laboratorial mais diretamente esperada ou primária da bradipneia e hipoxemia.
- A alternativa D mostra um lactato arterial elevado de 55 miligramas por decilitro, além de ureia e creatinina dentro dos valores esperados.
- Apesar de hipoperfusão poder elevar o lactato, os dados circulatórios do paciente, como o tempo de enchimento capilar menor que um segundo e a pressão arterial estável, não sugerem um choque hipovolêmico ou hipoperfusão grave que justificasse esse nível de lactato no momento da admissão.
- Finalmente, a alternativa A apresenta um pH de 7,28, uma paO2 de 58 milímetros de mercúrio, uma pCO2 de 55 milímetros de mercúrio, um bicarbonato de 24 milimoles por litro e saturação de oxigênio de 89 por cento.
- Esses valores são perfeitamente consistentes com o nosso raciocínio: a pCO2 elevada de 55 milímetros de mercúrio causa a acidemia, ou seja, o pH baixo de 7,28. A paO2 de 58 milímetros de mercúrio e a saturação de oxigênio de 89 por cento confirmam a hipoxemia, e o bicarbonato de 24 milimoles por litro, próximo do normal, indica que a acidose é aguda e de origem respiratória, sem tempo para compensação renal.
- Então, em uma criança de um mês com bradipneia e hipoxemia, pense sempre em acidose respiratória aguda como a alteração gasométrica mais provável.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Guidelines for pediatric acute respiratory distress syndrome — executive summaryPALICC-2, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.