Criança, sexo masculino, 4 anos de idade, foi admitido no pronto-socorro devido a quadro de diarreia e vômitos há 3 dias, em grande quantidade. Na admissão, apresentava sinais de instabilidade hemodinâmica, sendo iniciada expansão volêmica. O resultado da gasometria venosa coletada na admissão foi o seguinte: pH: 7,29 HCO3: 15 mmol/L Na+: 128 mEq/L K+: 3,9 mEq/L Ca2+: 4,92 mg/dL Frente aos dados clínicos e laboratoriais apresentados, qual é o traçado eletrocardiográfico esperado?

Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos uma criança de 4 anos de idade, o que já nos situa no contexto pediátrico.
- Ela chegou ao pronto-socorro com diarreia e vômitos há 3 dias, em grande quantidade, o que aponta para uma perda importante de líquidos.
- Essa perda de líquidos já causou instabilidade hemodinâmica, um sinal claro de hipovolemia grave.
- Por isso, foi iniciada a expansão volêmica, que é a conduta correta para reverter essa instabilidade.
- Agora, vamos aos exames. A gasometria venosa mostra um pH de 7,29, indicando acidemia.
- O bicarbonato está em 15 milimols por litro, o que, junto com o pH, confirma uma acidose metabólica.
- O sódio está em 128 miliequivalentes por litro, uma hiponatremia leve.
- O potássio está em 3,9 miliequivalentes por litro, dentro da normalidade.
- E o cálcio ionizado está em 4,92 miligramas por decilitro.
- A instabilidade hemodinâmica por hipovolemia, causada pela diarreia e vômitos, leva o coração a compensar, aumentando a frequência cardíaca.
- É crucial notar que o valor de cálcio de 4,92 miligramas por decilitro é de cálcio ionizado, e não de cálcio total, o que faz diferença na interpretação.
- Um cálcio ionizado de 4,92 miligramas por decilitro não indica uma hipocalcemia grave que justificaria alterações eletrocardiográficas específicas por si só.
- Portanto, o traçado eletrocardiográfico mais esperado para um quadro de hipovolemia grave é a taquicardia sinusal, uma resposta compensatória do organismo.
- A alternativa A está incorreta porque o traçado não representa a resposta taquicárdica esperada à hipovolemia, que é o achado mais proeminente neste caso.
- A alternativa B está incorreta porque as alterações de repolarização não podem ser atribuídas a uma hipocalcemia sem uma interpretação cuidadosa do cálcio ionizado e suas unidades, que neste caso não é grave.
- A alternativa C está incorreta porque um traçado rápido de complexos estreitos não deve ser presumido como uma arritmia específica apenas pela acidose, sem outros dados que a justifiquem.
- A alternativa D é a correta. A taquicardia sinusal é totalmente compatível com um quadro de hipovolemia, como o da criança. Além disso, o cálcio ionizado de 4,92 miligramas por decilitro não equivale a um cálcio total gravemente baixo que causaria outras alterações eletrocardiográficas.
- Em uma criança com instabilidade hemodinâmica por desidratação grave, pense sempre em taquicardia sinusal como a resposta compensatória esperada.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Guidelines for pediatric acute respiratory distress syndrome — executive summaryPALICC-2, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.