Lactente admitido no pronto atendimento com história de fezes líquidas e febre. Ao exame, sonolento, alternando nível de consciência com irritabilidade, e sinais clínicos de desidratação. A gasometria arterial apresenta: pH= 7,02/pCO2 = 12 mmHg/pO2 = 180 mmHg/HCO3= 6 mEq/L / BE = –22/Sat O2 = 97%. Qual é o distúrbio ácido básico na gasometria?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso. Temos um lactente, o que já nos direciona para um grupo etário específico, com particularidades fisiológicas.
- Ele chega ao pronto atendimento com fezes líquidas e febre, um quadro que sugere uma gastroenterite aguda, que pode levar à desidratação.
- Ao exame, o bebê está sonolento e alternando nível de consciência com irritabilidade, o que indica um quadro grave e comprometimento neurológico.
- Além disso, ele apresenta sinais clínicos de desidratação, o que é esperado em um quadro de gastroenterite e pode ser a causa dos distúrbios eletrolíticos e ácido-básicos.
- Agora, vamos aos dados da gasometria. O pH é de 7,02, um valor bem abaixo do normal, indicando uma acidemia grave.
- A pCO2 está em 12 milímetros de mercúrio, um valor muito baixo, o que sugere uma hiperventilação.
- O bicarbonato está em 6 miliequivalentes por litro, extremamente baixo, o que é um forte indicador de um distúrbio metabólico.
- E o excesso de base, ou BE, é de menos 22, confirmando um grande déficit de base no organismo.
- Com o pH de 7,02, que é baixo, já sabemos que estamos diante de uma acidemia.
- O bicarbonato de 6 miliequivalentes por litro e o excesso de base de menos 22 são marcadores claros de um componente metabólico acidótico.
- A pCO2 de 12 milímetros de mercúrio está muito baixa, o que significa que o paciente está hiperventilando para tentar compensar a acidose.
- Portanto, o pH acidêmico e o bicarbonato muito baixo apontam para a acidose metabólica como o distúrbio ácido-básico predominante.
- A alternativa A, Acidose respiratória, está incorreta. A pCO2 está reduzida, e não elevada, o que não indica uma acidose respiratória primária.
- A alternativa B, Alcalose respiratória, também está incorreta. Embora a pCO2 esteja baixa, o pH é acidêmico, e a redução do CO2 é uma tentativa de compensação, não o distúrbio primário.
- A alternativa D, Acidose mista, é incorreta. Não há retenção de CO2, ou seja, a pCO2 não está elevada, o que seria necessário para sustentar um componente de acidose respiratória associada.
- A alternativa E, Alcalose metabólica, está incorreta. Uma alcalose metabólica teria o bicarbonato elevado, o que é o oposto do que encontramos na gasometria do paciente.
- A alternativa C, Acidose metabólica, é a correta. O bicarbonato muito baixo, de 6 miliequivalentes por litro, junto com a acidemia grave, com pH de 7,02, demonstra claramente uma acidose metabólica predominante.
- Em uma criança com desidratação grave e alteração do nível de consciência, com pH baixo e bicarbonato muito baixo, pense sempre em acidose metabólica como o distúrbio ácido-básico predominante.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Guidelines for pediatric acute respiratory distress syndrome — executive summaryPALICC-2, 2023 · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.