Durante seu plantão em um hospital regional, você é chamado para avaliar João, 7 anos, internado há três dias por quadro de inchaço corporal e diminuição do volume urinário iniciado há cinco dias. No exame físico, a criança encontra-se pálida, com edema generalizado, frequência cardíaca de 120 bpm e pressão arterial de 120 × 80 mmHg (acima do percentil 95 para idade, sexo e estatura). Os resultados laboratoriais disponíveis são: Hemoglobina: 9,5 g/dL; leucócitos e plaquetas normais; ureia: 36 mg/dL; creatinina: 0,8 mg/dL; sódio: 134 mEq/L; potássio: 4,8 mEq/L. EAS: pH 6,0; densidade 1.020; hemoglobina +++; proteína ++; hemácias >100.000/mm³; leucócitos 20.000/mm³. Com base nesse quadro clínico-laboratorial, qual a hipótese diagnóstica principal e os exames complementares mais indicados para elucidar a etiologia?
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos João, uma criança de sete anos, que está internado há três dias.
- Ele apresenta um quadro de inchaço corporal e diminuição do volume urinário, que começou há cinco dias. Esses são sintomas clássicos que nos alertam para problemas renais.
- No exame físico, a palidez pode indicar anemia, um achado comum em algumas doenças renais crônicas ou agudas.
- O edema generalizado confirma o inchaço que ele já referia, reforçando a suspeita de retenção hídrica.
- A frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto é um pouco elevada para a idade, podendo ser reflexo da anemia ou da sobrecarga volêmica.
- E a pressão arterial de 120 por 80 milímetros de mercúrio, que está acima do percentil 95 para a idade, sexo e estatura, é um dado muito importante, indicando hipertensão arterial.
- Nos exames laboratoriais, a hemoglobina de 9,5 gramas por decilitro confirma a anemia que suspeitamos pela palidez.
- A ureia de 36 miligramas por decilitro e a creatinina de 0,8 miligramas por decilitro mostram uma função renal que, embora não esteja gravemente comprometida, pode estar levemente alterada, especialmente considerando a oligúria.
- Agora, o exame de urina, o EAS, é crucial. Temos hemoglobina três cruzes e proteína duas cruzes, indicando hematúria e proteinúria.
- A presença de mais de 100 mil hemácias por milímetro cúbico na urina confirma uma hematúria significativa.
- E 20 mil leucócitos por milímetro cúbico indica leucocitúria, que pode estar presente em processos inflamatórios renais.
- Juntando todos esses achados, temos um quadro clássico de edema, oligúria, hipertensão, hematúria e proteinúria, que são os pilares da síndrome nefrítica.
- A síndrome nefrítica é uma inflamação dos glomérulos renais que leva a esses sintomas. Agora precisamos pensar na etiologia e nos exames complementares.
- Analisando as alternativas, a alternativa A propõe Síndrome nefrótica. Isso está incorreto, pois o quadro clínico de João, com hematúria e hipertensão, é muito mais compatível com síndrome nefrítica do que com nefrótica isolada, que se caracteriza principalmente por proteinúria maciça e edema sem hematúria ou hipertensão tão proeminentes.
- A alternativa D também sugere Síndrome nefrótica, o que já vimos que não se encaixa. Além disso, a biópsia renal não é a primeira etapa para investigar uma síndrome nefrítica típica, especialmente em crianças, onde a causa mais comum é bem estabelecida.
- A alternativa B propõe Síndrome nefrítica, o que está correto como hipótese principal. No entanto, os exames complementares sugeridos, como o p-ANCA, são mais direcionados para suspeitas específicas de vasculites, que não são a primeira hipótese em um quadro tão clássico de síndrome nefrítica em criança.
- Finalmente, a alternativa C está correta. A hipótese principal é Síndrome nefrítica, e os exames complementares mais indicados são o ASLO e o Complemento C3. O ASLO nos ajuda a investigar uma infecção estreptocócica recente, que é a causa mais comum de glomerulonefrite pós-estreptocócica em crianças. O Complemento C3 é fundamental para avaliar a ativação da via alternativa do complemento, que tipicamente está diminuída na glomerulonefrite pós-estreptocócica.
- Então, em uma criança com edema, hipertensão e hematúria, pense sempre em síndrome nefrítica, e investigue a glomerulonefrite pós-estreptocócica com ASLO e Complemento C3.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Post-streptococcal glomerulonephritisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.