Escolar, sexo masculino, com 7 anos de idade é levada à consulta com queixa de inchaço na face, principalmente ao redor dos olhos, e urina de coloração escura, há 3 dias. A mãe relata que, há aproximadamente 2 semanas, a criança teve leve dor de garganta e febre, sem tosse e coriza, e que melhoraram espontaneamente. Ao exame físico, a pressão arterial é de 130 x 85 mmHg e há edema periorbital e de membros inferiores. Não há outras alterações no exame físico. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela cuja conduta nela apresentada é a mais apropriada para o manejo inicial desse paciente.
Explicação
Uma pediatra explica a questão em voz alta e vai anotando, alternativa por alternativa.
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- Vamos começar analisando o caso clínico. Temos um escolar, um menino de sete anos de idade.
- Ele apresenta inchaço na face, principalmente ao redor dos olhos, e urina de coloração escura, o que chamamos de hematúria. Esses sintomas estão presentes há três dias.
- A mãe relata um dado muito importante: há cerca de duas semanas, ele teve dor de garganta e febre, que melhoraram sozinhas.
- No exame físico, a pressão arterial dele está elevada, cento e trinta por oitenta e cinco milímetros de mercúrio, e confirmamos o edema periorbital e também nos membros inferiores.
- Esses achados, a idade do paciente, a história de infecção de vias aéreas superiores prévia, o edema, a hematúria e a hipertensão, nos levam a pensar fortemente em uma glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda, que é uma síndrome nefrítica.
- O manejo inicial, então, precisa abordar tanto a confirmação diagnóstica quanto o tratamento das complicações agudas, como a hipertensão e o edema.
- Analisando a alternativa A, iniciar pulsoterapia com metilprednisolona não é a conduta mais apropriada para o manejo inicial de uma glomerulonefrite pós-estreptocócica típica. Essa terapia é reservada para casos mais graves ou atípicos.
- A alternativa C sugere prescrever antibioticoterapia com penicilina. Embora a infecção estreptocócica seja a causa, o antibiótico não altera o curso da glomerulonefrite já estabelecida e não substitui o controle da hipertensão e do edema, que são as prioridades aqui.
- A alternativa D propõe encaminhar para biópsia renal de urgência. A biópsia renal não é uma conduta inicial para uma glomerulonefrite pós-estreptocócica típica, sendo reservada para casos com evolução desfavorável ou achados atípicos.
- Já a alternativa E sugere realizar ultrassonografia renal para verificar hidronefrose. Embora a ultrassonografia possa ser útil em algumas situações, a hidronefrose é uma condição obstrutiva e não explica o quadro de síndrome nefrítica com infecção prévia que o paciente apresenta.
- Por fim, a alternativa B é a mais adequada. Solicitar a dosagem de ASLO e C3 sérico é fundamental para confirmar a etiologia pós-estreptocócica e o padrão de consumo de complemento. Além disso, iniciar a restrição hídrica e dietética de sódio é essencial para controlar a hipertensão e o edema, que são as manifestações agudas mais importantes a serem manejadas.
- Então, criança com edema, hematúria e hipertensão após infecção de vias aéreas superiores, pense sempre em glomerulonefrite pós-estreptocócica e na necessidade de controle de volume e pressão.
- Nos vemos na próxima questão.
Dúvidas respondidas
Perguntas de quem estudou esta questão, respondidas com a fonte ao lado.
Fontes 1
- Post-streptococcal glomerulonephritisRoyal Children's Hospital, versão online · conferida em 22/09/2026
Comentários atualizados em . Redação própria baseada no caso e nas referências indicadas. Anotações do PDF utilizadas como ponto de partida, sem reprodução literal. Comentário não oficial da banca ou da SBP.